Desmonetização na Índia gera caos; mas tecnologia salva alguns
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Foto: Istock/Getty Images
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Desmonetização na Índia gera caos; mas tecnologia salva alguns

Kaluan Bernardo em 27 de novembro de 2016

O primeiro ministro da Índia, Narendra Modi, surpreendeu o país com uma medida radical: acabar com as notas de 500 e de 1.000 rúpias indianas. A ideia, segundo ele, era reduzir a corrupção e acabar com o dinheiro ilegal que corre no mercado negro. “Basicamente, você criou o caos”, disse Steve H. Hanke, economista da Johns Hopkins University, uma das universidades mais respeitadas em economia, ao jornal The New York Times.

Isso porque 86% do dinheiro na Índia circula nessas duas notas — e muita gente, que não tem conta em bancos, simplesmente perdeu suas economias repentinamente. “A Índia é uma economia de dinheiro. Não é como a Europa ou Estados Unidos que todo mundo anda com um cartão de crédito por aí. Esse não é o mundo da Índia”, disse.

Com a desmonetização abrupta, muita gente entrou em desespero. Estima-se que ao menos 47 pessoas morreram por ações de desamparo coletivo relacionadas à notícia. Os bancos e caixas automáticos formaram filas gigantescas. Famílias inteiras, com dinheiro guardado e que pretendiam usá-lo desde em festas de casamentos a pagamentos de tratamento médico, ficaram sem nada.

No meio do caos, uma parcela específica da população escapou: os jovens mais ligados na tecnologia, que já viviam sem dinheiro — principalmente em Bangalore, o “Vale do Silício” da Índia.

Quem se deu bem nessa história foram as empresas que trabalham com pagamentos digitais. A Ola, uma espécie de Uber na Índia, viu sua demanda aumentar em 15 vezes nas 15 horas que se seguiram à desmonetização. A Paytm, que trabalha com dinheiro virtual, também teve picos de usuário nos momentos seguintes.

Como a tecnologia salvou jovens da desmonetização na Índia

O site Quartz conversou com alguns jovens de Bangalore, que relataram praticamente nem terem sentido os efeitos das mudanças. “Eu odeio filas, não fico em uma de jeito nenhum. E para que eu preciso de dinheiro, afinal?”, disse Niti Shree, uma consultora de marketing para startups. “Faço todas minhas transações online. Mesmo num dia comum, eu tenho apenas 100 ou 200 rúpias em minha carteira. Então não tenho nenhum dinheiro para ir tirar no banco”, comentou.

“Ouvi sobre pessoas em Delhi e outras cidades ficando realmente preocupadas. Talvez seja algo cultural. Bangalore sempre foi mais entusiasta da tecnologia quando comparada a outras cidades, então as opções para sobreviver sem dinheiro sempre estiveram mais disponíveis aqui do que em qualquer outro lugar”, disse Abhi Bajaj, um funcionário de uma multinacional, ao Quartz.

De fato é algo cultural. Bangalore é casa de 30% das startups de tecnologia da Índia e está no top 15 de cidades mais tecnológicas do mundo.

Muitas das inovações lançadas no país são testadas primeiro na cidade. A Amazon, por exemplo, testou seu sistema de delivery de supermercado, a KiranaNow, apenas em Bangalore. A Ola também lançou lá seu sistema de viagens de bicicletas. É nesse contexto que empresas como a Infosys, a segunda maior de TI na região, já paga mais de 25 mil funcionários apenas com dinheiro virtual.

No entanto, embora essa seja a realidade para muitos em Bangalore, outros ainda sofrem com o caos econômico. Raju Pujara, que tem uma loja de cigarros, chás e cafés, disse que perdeu 90% do seu negócios após a mudança. “Mesmo se as pessoas tivessem dinheiro, elas o acumulariam, já que ninguém sabia quanto tempo dura a crise”, disse Pujara. Três dias depois, um amigo que trabalha na Paytm foi à loja e o ajudou a usar uma carteira digital em seu smartphone. Em uma semana, 80% das transações aconteceram pelo sistema virtual.

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