Doebem conecta doadores com organizações que querem receber doações
Prêmio Awesome Foundation Abril 17
Foto: Arquivo Pessoal
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Doebem conecta doadores com organizações que recebem doações

Aretha Yarak em 23 de agosto de 2017

Conectar doadores potenciais a organizações sem fins lucrativos que tenham o maior impacto social possível. Essa é a proposta da doebem, uma plataforma online desenvolvida para proporcionar uma experiência positiva de doação, com base na confiança e na eficiência.

doebem

Criada no segundo semestre de 2016 por Elisa Mansur e Guilherme Samora, a doebem só recomenda organizações que passaram por uma avaliação prévia. O objetivo é mensurar se os projetos e instituições são de fato efetivas ao gerar impacto social. Se passarem pelo crivo, entram para a lista apta a receber doações. “Essa análise é feita com união do pensamento científico e da mensuração de impacto positivo”, comenta Elisa.

O método inovador de trabalho da plataforma funciona assim: com base em levantamentos de instituições internacionais como a GiveWell, J-Pal, Cochrane e Campbell Collaboration, o efeito transformador de um determinado projeto é analisado. Será que promover o tratamento em escala da esquistossomose (mais conhecida como barriga d’água), por exemplo, realmente reduz a evasão escolar? Uma série de pesquisas científicas demonstram que sim. “Viu-se que essa intervenção é capaz de aumentar em cerca de 14 anos a presença na escola de um grupo de crianças”, comenta Elisa.

Em contrapartida, programas como oferecer bolsa escolar para um grupo pequeno ou mesmo fazer doações de livros acabam tendo um impacto bem menos efetivo. Embora nos dois casos o objetivo final tenha sido fazer o bem e ajudar uma comunidade ou um grupo de pessoas, o resultado é divergente. “Precisamos fazer o bem da melhor forma possível, só assim conseguiremos promover mudanças concretas e transformar uma realidade”, acrescenta.

Ainda que impacto seja o ponto central da plataforma, as organizações interessadas também são analisadas de forma rigorosa nos quesitos gestão, equipe, processos de organização e em relação à transparência financeira e organizacional. Os relatórios finais das aprovadas são disponibilizados no site da plataforma para consulta livre de quem deseja doar bem.

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O nascimento no Vale do Silício

O conceito da doebem nasceu no primeiro semestre de 2016, durante um curso de verão que Elisa e Guilherme fizeram na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. O fundamento foi estruturado nas premissas de um movimento de que os dois fazem parte: o Effective Altruism (altruísmo eficaz, em português). “Que é o fazer o bem da maneira mais efetiva possível, para causar o maior impacto positivo”, explica Elisa.

O projeto dos brasileiros foi escolhido vencedor da competição de verão da universidade americana. De volta ao Brasil, a dupla se aliou a diversos voluntários para estruturar o negócio e colocar a plataforma de pé. Em abril deste ano, foram premiados pela Awesome Foundation Rio e selecionados para participar do programa de mentoria Yunus & Youth Fellow, do Nobel da Paz Muhammad Yunus, que termina em setembro.

Selo de recomendação doebem

Atualmente, a plataforma indica dois projetos: o Saúde Criança e o Renovatio. O primeiro atua há mais de 25 anos no Rio de Janeiro fazendo a reestruturação de famílias com crianças portadoras de doenças crônicas e que sejam vítimas de desigualdade social. A entidade já foi auditada pela Georgetown University, nos Estados Unidos. Eles conseguiram reduzir em mais de 50% as internações das crianças, além de promover um aumento na renda da família – o que a qualifica como uma ONG que combate a pobreza.

DoeBem

Visita ao Saúde Criança, primeira parceira do doebem. Foto: Arquivo Pessoal

Criada em 2014, a Renovatio trouxe para o Brasil a tecnologia desenvolvida pelo alemão Martin Aufmuth, criador do projeto OneDollarGlasses, que permite a produção de óculos de grau resistentes a um baixo custo. “Existem diversas evidências científicas que comprovam que problemas visuais são um fator importante na evasão escolar”, explica Elisa, sobre a recomendação do projeto. A ONG já distribuiu gratuitamente mais de 12 mil unidades em 12 estados do país e adquiriu um ônibus equipado para realizar mais de 200 atendimentos oftalmológicos por dia.

Agora, a equipe da doebem se debruça nos estudos, levantamentos e dados gerados sobre as cirurgias de catarata, seu potencial terceiro projeto. A metodologia será a mesma: investigar a fundo se a doação para esse tipo de programa traz na ponta final impacto suficiente para gerar uma transformação social no combate à pobreza.

Investindo em educação continuada

Apesar de ser relativamente nova, a metodologia inovadora da doebem já atraiu instituições do terceiro setor interessadas em entrar para a lista de projetos recomendados. A seleção dos parceiros da plataforma, no entanto, tem início pela ponta final. Segundo Elisa, eles começam escolhendo um tipo de ação para estudar seu impacto — como o que vem sendo feito com a cirurgia de catarata. Se tudo correr bem e os resultados forem positivos, começa a seleção das organizações que serão analisadas.

Como a procura foi grande, a organização resolver expandir sua atuação para ajudar o maior número possível de entidades. “Uma maneira que encontramos de não as deixar na mão, porque acreditamos no potencial de impacto do terceiro setor, foi investir em educação”, comenta Elisa. A plataforma realizou recentemente um webinar sobre gestão e melhorias para atrair mais doadores e também prepara materiais educativos para serem enviados às ONGs. Tudo é oferecido de maneira gratuita. O objeto é investir na profissionalização das entidades, para que assim, elas aumentem seu impacto social.

Tecnologia para driblar tarifas

A doebem trabalha com o modelo de gestão 100%, ou seja, não cobra uma taxa obrigatória pela transação. A única tarifa paga é a da instituição bancária envolvida na transação. Essa isenção não é uma prática corrente entre as plataformas de doação que estão no mercado. Normalmente, é cobrada uma taxa em cima do valor doado, usado para arcar com os custos da plataforma.

Para se manter, o empreendimento social conta com dois modelos de negócio. No primeiro, oferece ao doador (no final da transação) a opção de contribuir com 10% a mais do valor total para a doebem. Essa taxa não é obrigatória. O segundo ainda está em fase inicial, mas vai se basear na criação de um fundo social de apoio, com a participação de diversas entidades.

Em um futuro nada distante, a plataforma poderá ainda começar a usar o blockchain, a tecnologia que dá sustentação ao bitcoin. Ela é uma estrutura de dados que permite transações financeiras, entre duas pessoas ou organizações, realizadas de forma online. Tudo é criptografado e verificado por uma rede amplamente espalhada pelo mundo. E sem a necessidade de intermediação dos grandes bancos.

Dominar a tecnologia blockchain é uma das atuais missões de Elisa, que recentemente começou um mestrado com enfoque em empreendedorismo, impacto social e tecnologia no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. A ideia é aproveitar a tecnologia para eliminar taxas obrigatórias, e otimizar cada vez mais o dinheiro doado.

“Independentemente do que ocorre na política, acreditamos que é possível continuar ajudando bons projetos sociais. Desistir está fora do nosso escopo. A saída está nas ideias criativas, eficientes e cientificamente comprovadas”, comenta.

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