Conheça os job quitters, profissionais que não param em um emprego
emprego (1)
Foto: Istock/Getty Images
Nova Economia > Modelos Disruptivos

Quando sair do emprego é uma tendência: conheça os job quitters

Aretha Yarak em 21 de agosto de 2017

Misture duas tendências de mercado. De um lado, grandes empresas e corporações que progressivamente se eximem das obrigações de longo prazo com seus funcionários. Do outro, uma nova geração de profissionais que é estimulada a se enxergar como CEO de si mesmo, detentor de habilidades a serem continuamente aprimoradas. O resultado? A cultura dos “job quitters”, em que sair do emprego para outro trabalho é o comum, levando consigo experiências e práticas.

emprego

Foto: Istock/Getty Images

Cada vez mais importante nos Estados Unidos, esse fenômeno é formado por pessoas que não acreditam mais na visão tradicional do que é um bom trabalho. Se no passado a vaga dos sonhos era aquela com bons benefícios, localização privilegiada e projeto de carreira, agora isso nem é mais levado tão em consideração. Para os job quitters, um bom emprego é aquele que o prepara para o próximo, e quase sempre em uma empresa diferente. Por isso, quando assumem uma posição, já estão de olho na próxima oportunidade.

Mas esse comportamento não surgiu do nada. Voltemos à mudança estrutural das empresas, que mencionamos lá no começo do texto. Para otimizar custos e aumentar a lucratividade, as corporações começaram a privilegiar relações menos burocráticas com funcionários. Em termos práticos, isso vem se traduzindo em contratos temporários e salários mais baixos. Ou seja, o compromisso trabalhista foi por água.

A resposta dos profissionais, no entanto, tem aparecido na mesma moeda. Eles se tornaram menos leais e deixaram de lado bordões como “vestir a camisa da empresa”. Agora, a jogada é estar sempre procurando um novo cargo e, se ele aparecer, sair do emprego e se mandar, sem olhar muito para trás.

O job quitter e o melhor emprego

Para um job quitter, a tradução de uma boa vaga nem sempre é um salário maior. Agora que virou seu próprio CEO, ele precisa estar sempre atualizado e aprimorar cada vez mais suas habilidades. Por isso, a nova posição deve, preferencialmente, permitir que ele aprenda e domine uma nova aptidão — que, é claro, será usada no próximo emprego. E se não for possível agregar conhecimento, existe apenas uma contrapartida: reputação. Trabalhar em uma empresa que é altamente reconhecida faz dele um profissional desejado no mercado. No fim das contas, o raciocínio do job quitter é sempre a demissão: essa vaga vai me preparar para a seguinte?

LEIA MAIS
Jornada de trabalho europeia, o exemplo francês e a lei brasileira
LEIA MAIS
Futuro do trabalho: em breve teremos múltiplos empregos

Em artigo para a MTV, a jornalista britânica Christobel Hastings, uma job quitter assumida, defende um estilo de vida mais independente e com mais satisfação pessoal. Ela conta: “decidi que não queria me adequar aos padrões tradicionais de trabalho que só tinham servido para me limitar. Eu queria um futuro cheio de ar fresco, caminhadas no parque e pausas feitas como e quando eu estivesse com vontade”. De acordo com ela, a nova geração de profissionais já está entrando no mercado de trabalho com uma visão mais moderna da relação empregador/empregado. “Queremos escolhas, controle. E espaço para traçar, refletir e crescer”, escreveu.

A geração dos millennials

Aqui no Brasil, a geração Y, formada por jovens nascidos entre 1980 e 2000, chegou no mercado de trabalho há poucos anos causando certo alvoroço. Mais bem informados e preparados, eles foram chamados de arrogantes e petulantes por muito tempo. E mudaram de empregos várias vezes, em busca de novos desafios, de tarefas estimulantes, e fugindo de funções que consideravam chatas.

Recentemente, entretanto, uma pesquisa da consultoria Deloitte apontou uma inversão no comportamento desse grupo. No final de 2015, 48% dos jovens de 19 a 35 anos esperavam trocar de trabalho em no máximo dois anos. Apenas um ano mais tarde, esse número caiu para 34%. Para o instituto que fez o levantamento, a inversão parece ter sido motivada por uma forte desilusão, causada pela recessão econômica, corrupção e violência. Ao que parece, a falta de estabilidade não é vista pelos jovens como uma boa ideia quando não é uma escolha, mas sim uma imposição do cenário.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 205 [1] => 12 [2] => 76 [3] => 157 [4] => 237 [5] => 249 [6] => 97 [7] => 222 [8] => 62 [9] => 276 [10] => 25 [11] => 154 [12] => 102 [13] => 259 [14] => 86 [15] => 267 [16] => 94 [17] => 172 [18] => 38 [19] => 68 [20] => 16 [21] => 167 [22] => 115 [23] => 186 [24] => 343 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence