Como seria o mundo após o fim do trabalho?
robôs trabalhando em uma linha de montagem
Foto: iStock/Getty Images
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Como seria o mundo após o fim do trabalho?

Kaluan Bernardo em 26 de abril de 2016

Não é de hoje que se discute a possibilidade de robôs tomarem nossos empregos e vivermos o fim do trabalho. Já na Revolução Industrial, nos séculos 18 e 19, um movimento chamado Ludista queria acabar com as máquinas por isso.

Hoje, na era digital, a discussão ganha novos contornos. Os empregos não acabaram e a maior parte da sociedade ainda tem muito trabalho. Mas, também sabemos que as tecnologias estão avançando de forma exponencial e ficando cada vez mais baratas.

Pesquisadores da Universidade de Oxford acreditam que, nos EUA, nos próximos anos 47% dos empregos serão substituídos por robôs. Outra pesquisa semelhante, conduzida no Japão, acredita que, nos próximos 20 anos, 49% dos trabalhos serão substituídos por máquinas.

As grandes empresas do mundo já ilustram essa mudança. Em 1964, a empresa mais valiosa do mundo era AT&T, de telecomunicações. Ela valia US$ 267 bilhões (valores atualizados) e empregava 765 mil pessoas. Hoje o posto é do Google, que vale US$ 370 bilhões e emprega apenas 55 mil.

Como é o mundo depois do fim do trabalho?

O debate levanta diversas perguntas. Conseguiremos criar novos empregos na mesma medida em que as máquinas tomarem os que já existem? Nossa sociedade terá políticas para equilibrar a balança? Quanto tempo os robôs demorarão para conseguir fazer a maioria dos trabalhos humanos? Quais são os empregos que mais estão ameaçados?

As respostas são das mais complexas e variadas. Não temos certeza de nada. No meio desse debate, uma pergunta se destaca: se, no futuro, a maioria das pessoas não tiver emprego ou trabalho, o que elas farão? O que acontece em uma sociedade sem trabalho para a maioria? O que vem no mundo do “pós-trabalho”?

O jornal britânico The Guardian lançou, em fevereiro de 2016, uma bonita animação sobre o mundo pós-trabalho. Com pouco menos de três minutos, ele mostra um universo onde as máquinas já pegaram (quase) todos os empregos. Veja abaixo:

O vídeo é quase apocalíptico. E ele finaliza com a frase de Andy Haldane, economista chefe do banco da Inglaterra, nos lembrando que:

 

(…) as máquinas já estão fazendo tarefas que eram impensáveis – se não inimagináveis – uma década atrás.

 

Há quem encare a coisa de forma mais otimista. Vivek Wadhwa, pesquisador da Singularity University (EUA), acredita que, em um mundo onde as máquinas fazem a maior parte dos trabalhos, sobrará muito mais tempo para fazermos atividades criativas e movidas a paixão. “Poderá ser um mundo em que a busca por esclarecimento é mais estimada que a busca por dinheiro”, escreve.

Em uma longa reportagem sobre o assunto, a revista Atlantic aponta uma série de caminhos que as sociedades poderão seguir. “Algumas pessoas deslocadas da força de trabalho formal irão dedicar sua liberdade ao simples lazer; outras irão procurar criar comunidades produtivas fora dos locais de trabalho; outras irão lutar, apaixonadamente, e em muitos casos inutilmente, para reivindicar sua produtividade pegando pedaços de trabalho na economia informal”, escreve o jornalista Adam Levey.

A reportagem da Atlantic diz que, via de regra, as sociedades deverão, após o fim do trabalho, encarar formas de alimentar o consumo pelo lazer, a criatividade pública nas comunidades e dar algum sentido e ocupação para as pessoas.

Embora ainda não exista nenhuma certeza sobre como equilibrar essa balança é certo que a noção de trabalho no futuro deverá ser muito diferente. “Daqui a algumas décadas, talvez o século 20 apareça para os futuros historiadores como uma aberração, com sua religiosa devoção ao excesso de trabalho em tempos de prosperidade”, comenta Levey.

Leia mais: O que é a Lei de Moore e por que ela é importante para a tecnologia

Novos sistemas políticos precisarão ser pensados

Como os empregos mais simples são os primeiros a serem ameaçados pela ascensão das máquinas, é importante atentar ao risco de o futuro do pós-trabalho aprofundar desigualdades sociais onde apenas poucos detém os meios de produção do mundo.

Teóricos dos mais diferentes ramos filosóficos, políticos e econômicos debatem o quanto o Estado deve interferir para garantir o equilíbrio dessa balança. Caberia à administração pública criar mecanismos que garantem trabalhos a todos e equilibrem a balança?

Wadhwa escreveu um artigo sobre o assunto para o site Unreasonable. Segundo ele, o importante é pensarmos em uma nova forma de capitalismo que dê conta do novo cenário. Para isso, o autor organiza algumas possibilidades, como semanas de apenas três dias de trabalho; ou um salário universal básico garantido a todos pelo Estado; ou ainda governos criando empregos voltados ao desenvolvimento das infraestruturas das cidades.

Seja qual for o caminho, com a ascensão das máquinas, a discussão é necessária. Precisamos pensar no mundo após o fim do trabalho. O que você acha que precisa ser feito para garantir uma sociedade estável?

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