Futuro do trabalho: especialização, horários flexíveis e salário variável
futuro do trabalho
Foto: Istock/Getty Images
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Como o emprego está acabando, mas o trabalho não

Pedro Katchborian em 5 de agosto de 2016

Aos poucos, a quase secular rotina do trabalhador de entrar às 9h e sair às 18h, vai se modificando. Segundo uma pesquisa realizada pelo CONECTA, plataforma web do Ibope, o futuro do trabalho deverá trazer horário flexível e remuneração variável.

Foram 1.000 participantes da pesquisa, que passaram as suas impressões sobre como será o trabalho no futuro. Mais da metade dos entrevistados (54%) acha que os funcionários poderão escolher o seu horário do trabalho desde que cumpram o mínimo exigido pela empresa e 77% desejam que isso de fato acontecesse. A mesma flexibilidade no horário deve aparecer no salário: 53% dos entrevistados afirmaram que a remuneração irá variar de acordo com o desempenho e produção de cada funcionário.

Flavia Gamonar, professora e doutoranda em mídia e tecnologia, fala ao Free The Essence sobre essa tendência:

“A tendência é que num futuro breve o trabalho seja algo que se faz, não um lugar para onde se vai”

Para Flavia, que também é fundadora da Hubico, empresa especializada em marketing de conteúdo, antes tudo era muito engessado. “Aos 17 anos você precisava escolher uma profissão e para o resto da vida seguiria aquele caminho. Mudar de direção era visto como algo negativo“, conta. “As pessoas estão descobrindo que em algumas áreas não necessariamente precisam de um emprego, mas de um trabalho, e ele pode ter formatos diferentes”, explica Flavia. “O modelo de ficar preso em um escritório das 8h às 18h, tendo que ser produtivo o tempo todo tem desagradado alguns perfis”, conclui.

mulher trabalhando em casa com notebook e telefone ao lado

O futuro é freelancer? Foto: Istock/Getty Images

Aliás, esse tipo de afirmação é reforçada pela estatística. Segundo uma pesquisa da Bureau of Labor Statistics, o funcionário dos EUA trabalha cerca de 8,8 horas por dia, mas apenas três horas de forma produtiva.

Segundo a Fast Company, essa tendência também vai fortalecer os pequenos negócios. “Até 2040, o mercado de trabalho vai consistir em tarefas em meio período. Em outras palavras, trabalhadores poderão fazer essas tarefas em poucos dias ou até em anos“, comparando o trabalho do futuro ao freelancer.

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Outro impacto econômico do futuro do trabalho é a legislação. Para a Fast Company, o fim do trabalho tradicional implica no desaparecimento de alguns benefícios que os direitos trabalhistas traziam consigo. Isso significa que existirão mais plataformas e instituições alternativas para controlar despesas familiares. “Acredito que ainda estamos defasados em diversos sentidos e a legislação trabalhista precisará ser revista. É natural que isso aconteça porque estamos vivendo acelerados, novas profissões e formatos surgem em uma velocidade incrível e nem sempre conseguimos acompanhar”, comenta Flávia.

O futuro do trabalho depende mais do funcionário

O aumento do número de graduações, pós-graduações e diferentes cursos tem trazido muitos perfis diferentes de funcionários, o que contribui para a tendência. Flávia aconselha: “será preciso reinventar-se, permitir-se, mesclar conhecimentos. Daqui pra frente não importará tanto o que você estudou, mas o que é capaz de fazer com aquele conhecimento”.

Com essas mudanças, funcionários devem ficar atentos para essa possível revolução no trabalho nas próximas décadas. “O perfil profissional que vai se destacar daqui em diante será aquele flexível e atento à essas mudanças”, explica Flavia.

Algumas empresas já têm se adaptado nesse sentido: a Bosch e a Volvo tem horários alternativos e funcionários se organizando em redes colaborativas. “As configurações desses lugares vão mudar, porque se não existirem mais lugares fixos, os espaços serão rotativos”, comenta Flávia. Na Philips, 80% dos funcionários se dividem entre trabalho remoto e presencial, enquanto na Cisco dois terços fazem home office.

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