Como as mudanças na Ford ilustram o futuro da mobilidade
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Como as mudanças na Ford ilustram o futuro da mobilidade

Kaluan Bernardo em 22 de setembro de 2016

A Ford, uma das primeiras e maiores montadores de carros do mundo, já não enxerga o carro como seu único negócio. No início do ano ela lançou a Ford Smart Mobility LLC, sua nova unidade para investir em empresas de serviços de transporte e discutir como será o futuro da mobilidade – indo muito além das quatro rodas.

“Entendemos que a mobilidade, englobando tudo o que envolve as pessoas se locomovendo no dia a dia, será um dos grandes mercados do mundo. O carro continuará como importante modal, mas não o único”, disse Marcel Bueno Silva, gerente de marketing avançado da Ford, em entrevista ao Free The Essence.

A empresa já tem mostrado sinais de que caminha nessa direção. No início de setembro ela comprou a Chariot, uma startup de San Francisco, Califórnia, para que os passageiros possam compartilhar vans. No mesmo mês, ela ainda investiu na Motivate, uma das maiores empresas de compartilhamento de bicicletas também em San Francisco, nos Estados Unidos.

Em 2030, 60% das pessoas estarão morando em grandes cidades e surgirão novas megacidades, como São Paulo e Londres. Elas precisarão de diferentes formas para se locomover.

A ideia, segundo ele, é que os cidadãos tenham várias opções de transporte. Se a pessoa ia sair com uma bicicleta, mas a previsão do tempo é de chuva, o sistema da Ford poderá sugerir um sistema de carros compartilhados para aquele mesmo deslocamento.

A Ford testa tais ideias. Ela tem um programa chamado GoDrive, em Londres, para compartilhamento de veículos. Nele, os usuários podem pegar os carros e pagá-los por minutos ou horas.

Há plano parecido no Brasil, onde a empresa disponibiliza os carros de sua frota para seus funcionários utilizarem nos finais de semana. “Durante os sábados, domingos e feriados, a maioria desses veículos não eram usados. Então encontramos essa forma de mantê-los rodando. O programa começou no final de agosto e tem sido muito bem avaliado pelos funcionários”, diz Marcel.

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Essas parcerias e programas estão sendo usados como testes para a Ford entender o comportamento das pessoas e, só aí, expandir tais ideias para novos mercados. “O carro continuará a ser um modal forte, mas, obviamente, quanto mais você compartilha e tem soluções inteligentes, o carro tende a crescer menos. Por isso estamos olhando para essas alternativas”, diz.

Como a Ford vê carros elétricos, autônomos e cidades inteligentes

A empresa estadunidense já tem veículos elétricos, como o Focus Electric, em alguns lugares do mundo, mas não América do Sul. “Ainda é um pouco caro produzir aqui e há deficiência de infraestrutura para lançar esse tipo de carro no continente”, comenta Marcel.

Há veículos híbridos por aqui, mas, segundo o executivo, as deficiências estruturais fazem com que ainda seja muito cedo para falar de veículos completamente elétrico na região. “Países da América do Sul ainda estão em constante investimento de energia para conseguir atender a própria demanda interna, não há energia sobrando para postos de recarga para veículos”, conta.

carro Fusion branco autonomo

Testes com Fusion Autônomo. Foto: Divulgação

Se ainda é cedo para falar de carros elétricos na América do Sul, não é para falar em veículos autônomos no mundo. Marcel diz que, até 2021, a Ford deverá começar a comercializar seu primeiro carro que dispensa motoristas.

Os desafios são principalmente em relação às discussões que precisarão acontecer. “Temos muitos debates relacionados à infraestrutura e regulamentação para podermos ter o carro autônomo. Certamente precisamos caminhar nelas para colocar a novidade no mercado. Mas a tecnologia existe e está em teste”, diz.

Um grande dilema que passa pelos carros autônomos é de ordem ética. Se um carro tiver que escolher entre atropelar alguém na rua ou sacrificar quem está dentro do veículo, o que ele deverá fazer? Para Marcel, é essencial que tal tipo de discussão seja travada em parceria com a sociedade. Por isso, eles investem em participação em fóruns e em pesquisas para que a discussão aconteça abertamente.

Ele também acredita que mais conectividade e tecnologia poderão ajudar as pessoas a se moverem melhor e de forma mais segura. “Queremos oferecer conectividade entre o carro, o smartphone e a cidade”, diz citando os painéis da Ford, com o sistema Sync, conectado à nuvem. Um exemplo é que quando o motorista se acidenta com o carro, automaticamente o software aciona o socorro. E, segundo ele, quanto mais conectividade com as cidades inteligentes, maiores as possibilidades desse tipo de interação ir ainda mais longe.

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