Foxconn, fabricante da Apple, está substituindo trabalhadores por robôs
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Foxconn, fabricante da Apple, está substituindo trabalhadores por robôs

Kaluan Bernardo em 2 de janeiro de 2017

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Em breve, iPhones e outros smartphones poderão ser produzidos apenas por robôs. A Foxconn, empresa responsável pela fabricação dos produtos da Apple e de outras empresas de tecnologia, pretende automatizar todas as suas fábricas na China.

A transformação deverá acontecer em três fases. Na primeira, deverá substituir apenas o trabalho humano repetitivo ou que é perigoso. Na segunda, melhorará a eficiência de sua linha produção e retirará os robôs que estão em excesso. Na terceira e final, automatizará as fábricas inteiras, “com apenas o mínimo de trabalhadores designados para produção, logística, testes e processos de inspeção”, como explicou Dai Jia-peng, gerente geral do comitê de automação da Foxconn, ao site DigiTimes.

O movimento não é exatamente uma novidade, já que a Foxconn tem caminhado nesse sentido há um tempo. Hoje ela já é capaz de produzir 10 mil robôs, batizados de Foxbots, por ano — todos eles capazes de substituir trabalhadores humanos. Em março de 2016, a companhia disse que já havia automatizado ao menos 60 mil postos de trabalho.

As controvérsias dos trabalhos na Foxconn

Embora a empresa ainda não tenha automatizado sua linha de produção, muitos funcionários hoje trabalham como robôs, executando tarefas repetitivas e atuando em condições insalubres. A empresa acumula diversos casos de suicídios e acusações de maus tratos.

“Funcionários trabalham por tempo excessivo, em alguns casos, sete dias por semana, e vivem em dormitórios lotados. Eles dizem que ficam de pé por tanto tempo que suas pernas incham até quase não poderem andar. Trabalhadores menores de idade têm ajudado a fazer os produtos da Apple, e os fornecedores da empresa descartaram de forma inapropriada resíduos perigosos e registros falsificados, de acordo com relatórios da empresa e grupos de advogados que, dentro da China, normalmente são considerados fiscais confiáveis e independentes”, relata reportagem do jornal The New York Times.

Os índices de suicídios na empresa são tão altos que ela chegou a instalar redes para evitar que os funcionários se jogassem. Apesar disso, a Foxconn tem uma das maiores forças de trabalho no mundo. Segundo o site The Verge, só em 2016 foram 1,2 milhão de funcionários contratados — sendo 1 milhão na China.

Por que substituir humanos por robôs não é tão fácil

Em um contexto no qual os trabalhadores fazem tarefas simples e repetitivas, espera-se que seja fácil substitui-los por robôs, mas não é. Como a mão de obra na China é barata, os funcionários humanos ainda são menos custosos do que máquinas, ao menos no curto prazo. Estima-se que alguns trabalhadores ganhem 2.000 yenes chineses (aproximadamente R$ 937) por mês, em jornadas de trabalho que chegam a 100 horas por semana. No entanto, no longo prazo, as máquinas deverão ficar ainda mais baratas que os humanos. Portanto, é um investimento para o futuro, não para o presente.

Além disso, o governo chinês tem incentivado o emprego no país. Em regiões como Chengdu, Shenzhen e Zhengzhou, governos locais têm doado bilhões de dólares em bônus, contratos de energia e infraestrutura pública para ajudar empresas como a Foxconn a expandir.

Apesar de tudo isso, Zhengzhou, onde fica uma fábrica que produz 500 mil iPhones por dia e é conhecida como “cidade do iPhone”, já está na segunda fase de automação e pretende se tornar completamente automatizada em um ano.

A mudança, em certa medida, acompanha as tendências para o futuro do trabalho, que deve se tornar cada vez mais automatizado. Pesquisadores estimam que, nos próximos 20 anos, entre 47% e 49% dos empregos serão substituídos por robôs.

Nesse cenário, muitos perguntam se haverá, de fato, novos trabalhos para todos. Caso não exista, qual seria a solução? Uma das mais discutidas no momento, é a renda mínima universal — uma política de distribuir dinheiro a todos os cidadãos, independente de seu trabalho. A medida é amplamente discutida há alguns anos, mas está passando por grandes testes desde 2016.

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