França quer que trabalhadores fiquem offline em casa
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França quer que profissionais fiquem offline para o trabalho quando em casa

Camila Luz em 15 de junho de 2016

A França quer encorajar funcionários a ficarem offline para e-mails, mensagens e ligações de trabalho quando estão em casa. Se a nova lei for aprovada, empresas deverão criar políticas para que a equipe permaneça desconectada nos momentos de descanso.

A nova lei pretende alterar a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) do país. Empresas com mais de 50 pessoas vão ter que elaborar uma espécie de carta de boa conduta para estabelecer as horas em que funcionários não deverão acessar equipamentos eletrônicos para resolver problemas. Ou seja, isso não deverá ocorrer durante a noite e aos finais de semana.

O governo francês acredita que o problema da “conexão permanente” é universal e crescente. Por isso, a intervenção para manter pessoas offline é necessária. Benoit Hamon, membro da Assembléia Nacional Francesa, disse à revista da BBC que funcionários estão deixando os escritórios apenas fisicamente. “Eles continuam atrelados aos aparelhos eletrônicos. Os textos, mensagens e e-mails colonizam a vida dos indivíduos até que cheguem ao ponto de estafa”, opina.

Ficar offline pode reduzir os níveis de estresse

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Para Benoit, o uso da tecnologia para se manter conectado ao trabalho nos horários de descanso tem causado quadros de ansiedade nos funcionários. “Estudos mostram que há mais estresse relacionado ao trabalho hoje do que no passado, e esse estresse é constante”, afirma.

De acordo com artigo publicado pelo jornal britânico Huffington Post, o estresse causado pelo excesso de serviço tem sido preocupação constante do governo francês. A Ministra da Saúde, Marisol Touraine, formou um grupo para definir e tratar a exaustão causada por trabalho. De acordo com o periódico Les Échos, um em cada 10 funcionários franceses sofre risco de estafa.

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“O desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, se mal geridos ou regulados, podem ter impactos [negativos] na saúde dos trabalhadores”, diz o Artigo 25 da nova lei, de acordo com uma tradução feita pela revista New Yorker. O texto se refere principalmente a “carga de trabalho, sobrecarga informacional, indefinição das fronteiras entre vida privada e profissional e riscos associados ao uso da tecnologia digital”.

Críticas à nova lei trabalhista francesa

A medida faz parte da reforma trabalhista que tem sido alvo de críticas pela população francesa. Ela inclui ações que concederiam mais flexibilidade às empresas para contratar e demitir funcionários. Além disso, o pagamento de horas extras seria reduzido.

De acordo com o governo, liderado por François Hollande, do Partido Socialista, essa é uma forma de tentar contrabalancear a alta taxa de desemprego no país.

A medida que pretende manter o funcionário offline para a empresa fora do horário de trabalho é o único consenso entre a população francesa no que se trata da reforma. Segundo a BBC, poucos na França discordam de que estar conectado o tempo todo é um desdobramento negativo da revolução digital.

“Em casa o espaço de serviço pode ser cozinha, banheiro ou quarto. Nós vamos de e-mails de trabalho para mensagens no WhatsApp e textos profissionais no Facebook, usando a mesma ferramenta”, diz Linh Le, sócia da empresa parisiense Elia ao veículo de comunicação britânico.

Você está em casa, mas não está em casa, e isso se configura como uma verdadeira ameaça para relacionamentos.

O que rola no Brasil

Em 2012, uma nova lei alterou a CLT brasileira, permitindo que trabalhadores recebam hora extra quando precisam realizar tarefas do trabalho em casa. Caso sejam efetivamente acionados pelo empregador, ganham a hora extra completa.

A nova lei também se aplica ao cerceamento de liberdade do funcionário em casa. O trabalhador não deve checar e-mails ou atender ligações de serviço em horários de descanso. Quando isso acontece, deve receber ⅓ da hora normal. A medida prevê que usar celular ou e-mail para contato entre empresas e funcionários equivale às ordens dadas diretamente aos empregados.

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