Gênero e Número usa dados para abordar questões de gênero
Questões de gênero: desigualdade entre homens e mulheres
Foto: iStock
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Gênero e Número usa dados para abordar desigualdade entre homens e mulheres

Camila Luz em 19 de agosto de 2016

Usando o jornalismo de dados como ferramenta, o projeto “Gênero e Número” pretende aproximar mais pessoas de problemas relacionados à desiguldade entre homens e mulheres. A revista digital irá apresentar conteúdo em múltiplos formatos para expor e debater questões de gênero urgentes.

O “Gênero e Número” é o primeiro projeto de jornalismo de dados dedicado ao tema no Brasil. Foi idealizado pelas jornalistas Giulliana Bianconi, Maria Lutterbach e Natália Mazotte, as três atuais diretoras. “Juntas, fomos encontrando esse caminho, no qual a construção do conteúdo poderia atingir um nicho maior de pessoas”, conta Maria.

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Por que o jornalismo de dados?

A diretora explica que questões de gênero ainda são discutidas principalmente por feministas e estudiosos. Grande parte da população não se interessa pelo assunto, ainda que afete o cotidiano de cada cidadão. “Criamos a plataforma de conteúdo com o objetivo de conectar, abrir essa discussão para públicos mais amplos, para que mais pessoas se tornem sensíveis à discussão”, diz.

Para as três fundadoras, muitos não se identificam com o jargão feminista ou apresentam algum tipo de resistência ao tema. Maria explica que o jornalismo de dados é uma forma de aproximar o público, já que não revela apenas casos isolados, mas sim estatísticas que dizem respeito à toda a população.

Para tornar os dados mais atraentes para o público, elas os traduzem em forma de imagem. “Estamos nos propondo a trazer os dados de maneiras mais digeríveis, a partir de visualizações interativas. Fazemos gráficos animados para vídeos, conjuntos de dados específicos sobre um tema que podem ser compartilhados em redes sociais… tudo é apresentado de forma clara e simples”, explica.

Maria cita uma pesquisa que revela que menos de 5% dos altos cargos de poder nas federações esportivas são ocupados por mulheres. “Se você apresenta esses dados em uma planilha, eles não serão atraentes para todo mundo. Nossa função como jornalista é traduzir essa informação de forma clara e atrativa para chamar atenção para questões relevantes”, defende.

Questões de gênero quentes

Além de apresentar dados de forma atrativa, o Gênero e Número vai tratar de assuntos relevantes no momento. Para a estreia, que aconteceu em 10 de agosto, o tema escolhido foi mulheres nos esportes.

“Ao longo da produção da plataforma, entendemos que o formato ideal seria o de revista digital. Não vamos fazer hard news, e sim edições mensais aprofundadas em determinados temas. Vamos aproveitar o assunto enquanto ainda está quente”, explica Maria.

A diretora conta que irão abordar todo tipo de tema relevante dentro de assuntos como economia, saúde, política, espaço público e cultura.

Outras iniciativas possíveis

Por enquanto, o Gênero e Número está se desenvolvendo no universo online, mas o objetivo é trazer mais iniciativas que também vão transitar pelo offline.

Nos primeiros três meses de vida do projeto, a equipe está hospedada na Casa Pública, no Rio de Janeiro. A Agência Pública se ofereceu para incubá-la e acompanhar de perto suas primeiras edições, compartilhando sua expertise tanto na produção de conteúdo, quanto na construção de um modelo de negócio para a iniciativa.

Dentro da Casa Pública, o Gênero e Número pretende aproveitar o espaço para promover eventos dirigidos ao público que se interessa pelas questões de gênero.

Além dos eventos, as diretoras têm a intenção de produzir publicações impressas ou em formato digital, além de aplicativos de serviço que envolvam dados e questões de equidade de gênero.

Em seu piloto, Gênero e Número tem apoio da Fundação Ford. Além de aprimorar seu projeto editorial, assumiu o desafio de desenvolver um projeto de sustentabilidade para os próximos anos.

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