A globalização em xeque: por que economistas ainda a defendem?
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A globalização em xeque: por que economistas ainda a defendem?

Kaluan Bernardo em 14 de outubro de 2016

A globalização está dando certo? O que outrora parecia ser quase que uma unanimidade entre especialistas hoje é questionada intensamente ao passo em que candidatos como Donald Trump reclama das relações comerciais com a China e o Reino Unido resolve sair do bloco econômico europeu e se isolar.

Em um editorial da edição da primeira semana de outubro, a revista Economist defende a globalização. “Há mais — e mais variadas — oportunidades nas economias abertas do que nas fechadas. E, via de regra, melhores oportunidades fazem as pessoas melhores”, diz a publicação britânica.

A Economist sai em defesa da globalização

“Muito precisa ser feito para ajudar esses que perdem com as aberturas. Mas há um mundo de diferenças entre melhorar a globalização e revertê-la”, diz a Economist.

A revista segue argumentando que o número de exportações subiu de 8% do PIB mundial na década de 1950 para quase 20% nos anos 2000. “O crescimento em exportações e investimento estrangeiro tirou centenas de milhões da pobreza na China, e transformou economias da Irlanda a Coreia do Sul”, defende.

Ela ainda critica o protecionismo, dizendo que fere os consumidores e faz muito pouco pelos trabalhadores. “Desde 1840, defensores do comércio livre acreditam que economias fechadas favorecem os fortes e ferem as classes trabalhadoras. Eles estavam certos lá. E estão agora”, conclui.

Por que se defende a globalização, apesar das críticas

John O’Sullivan, famoso e conservador economista britânico, escreve sobre o tema na Economist. Ele também concorda que há críticas válidas à globalização, mas que a abertura econômica ainda é essencial.

“Na América, um em cada seis homens em idade de trabalhar, mas sem um diploma universitário, não fazem parte da força de trabalho”, diz citando uma análise do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca.

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Além disso, ele cita outra pesquisa, da McKinsey Global Institute, dizendo que o ganho real de dois terços das famílias nas 25 economias mais avançadas do mundo se mantiveram estáveis ou caíram entre 2005 e 2014.

Apesar disso, ele tira boa parte do peso da responsabilidade dos ombros da globalização ao citar fatores que também teriam contribuído para o cenário.

Um deles é a mudança promovida pela tecnologia. O novo paradigma tecnológico tende a valorizar profissionais com diplomas universitários. Além disso, independente da globalização, a automação e crescimento das máquinas tende a minar trabalhadores.

Além disso, há a crise financeira de 2008 “e a lenta recuperação que tipicamente segue os fracassos bancários”. Ele lembra que crises causadas por bancos existem há mais tempo que a globalização.

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Por fim, há o crescimento super acelerado da China como potência econômica. John diz que, apesar de ter saído do status de pobre para um país de classe média, o feito é único. “Essa conquista provavelmente não será repetida. Enquanto os preços de bens capitais continuarem a cair bruscamente, lugares com grandes mercados de trabalho barato, como a Índia e a África, continuarão a sofrer para entrar na rede global de fornecimento, como a China fez tão rapidamente e com sucesso”, diz.

O problema seria a hiperglobalização?

A Economist não foi a única publicação de peso a reforçar a importância da globalização para a democracia recentemente.  A edição dominical do jornal The New York Times cedeu espaço a Dani Rodrik, economista e professor da Escola John F. Kennedy de Governo, em Harvard. Ele reafirma as vantagens do modelo econômico, apesar de reconhecer suas falhas.

Dani Rodrik, embora defenda a globalização como paradigma, também não poupa críticas ao modelo. Ele chama de “hiperglobalização” o fenômeno de quando os limites são extrapolados e as prioridades se invertem, fazendo com que o fim das barreiras comerciais sejam um fim e não um meio para progressão social e econômica. Para mudar o cenário, ele propõe cinco pensamentos que deveriam nos orientar ao progresso da globalização. Nesse texto, repercutimos as soluções que ele propõe.

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