Como a globalização econômica pode trabalhar a favor da democracia
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Como a globalização econômica pode trabalhar a favor da democracia

Camila Luz em 9 de outubro de 2016

A globalização econômica não é igualmente vantajosa para todos os países. Mesmo dentro dos estados, alguns habitantes levam vantagem pela abertura econômica e estreitamento de relações, enquanto outros ficam à margem. Para o economista turco Dani Rodrik, a globalização precisa começar a trabalhar a favor da democracia.

Em artigo no jornal New York Times, Dani diz que a grande preocupação hoje é a globalização minar a democracia. Estados permanecem amarrados a políticas democráticas locais, enquanto quem realmente faz as regras do jogo (instituições financeiras globais) parecem muito distantes para grande parte do povo – principalmente para eleitores da classe baixa.

Dani também faz uma comparação entre China e México para explicar como a globalização favorece uns em detrimento de outros. “Um estudante chinês uma vez descreveu a estratégia de globalização de seu país para mim. A China, disse ele, abriu uma janela para a economia mundial, mas a separou com uma tela”, conta. O país realmente se beneficiou de investimentos estrangeiros e tirou mais de 700 milhões de pessoas da pobreza desde a década de 80. No entanto, tudo foi feito de forma estratégica para seu próprio benefício. Empurrou exportações para outros países, mas colocou barreiras nas importações para proteger empresas estatais.

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Enquanto isso, o México contava com a globalização como motor de crescimento, mas não conseguiu por em prática uma estratégia nacional que tornasse o sonho de avanço realidade. Ele tentou se integrar à economia mundial através do Nafta e de políticas financeiras. No entanto, o crescimento econômico do país nas últimas décadas tem sido lento, mesmo quando comparado aos modestos padrões da América Latina.

Para o economista, a globalização aprofundou as divisões econômicas e mundiais entre aqueles que podem tirar proveito da economia global e aqueles que não têm recursos e habilidades suficientes para fazê-lo. Para piorar o cenário, políticos como Donald Trump canalizaram seu descontentamento para hostilidade a estranhos: imigrantes mexicanos, exportadores chineses e outras minorias.

Hiperglobalização

Danni diz que chegamos a um estado de “hiperglobalização”, no qual limites foram extrapolados e prioridades se inverteram. A eliminação de barreiras no comércio e finanças se tornou um fim, e não um meio para atingir objetivos econômicos e sociais mais fundamentais.

Sociedades submeteram suas economias domésticas aos caprichos dos mercados financeiros globais, assinando tratados de investimento que criaram direitos especiais para empresas estrangeiras. A saída, diz Dani, é resgatar o equilíbrio entre autonomia nacional e globalização econômica.

Colocar a globalização econômica a serviço da democracia e de melhorias sociais

Para que mais pessoas e Estados se beneficiem da globalização econômica, Dani indica cinco princípios simples que podem orientar para a “direção certa”.

Em primeiro lugar, não há caminho único para a prosperidade. Cada país deve fazer suas próprias escolhas sobre as instituições que mais se encaixam em suas políticas. Empresas nacionais reclamam das diferenças de regras e regulamentos  entre fronteiras, mas Dani vê essa diversidade como positiva.

Em segundo, países têm o direito de proteger seus arranjos institucionais e a integridade de seus relacionamentos. Empresas e operações costumam se instalar em locais onde proteções trabalhistas são mais frágeis. É dever do Estado prevenir essas atitudes e impedir que tais companhias explorem os indivíduos dentro do seu território, assim como impede a entrada de brinquedos e produtos agrícolas que não cumpram padrões de saúde nacionais.

Em terceiro, o objetivo das negociações econômicas internacionais deve ser o aumento da autonomia política interna. Segundo o economista, falta de abertura não é mais uma restrição efetiva sobre a economia mundial. Mas a falta de legitimidade democrática sim.

Em quarto lugar, a governança global deve se concentrar em reforçar a democracia, e não a globalização. A governança não pode eliminar grandes problemas como desigualdade, exclusão social ou baixo crescimento econômico, mas pode ajudar através de normas que melhorem a formulação de políticas nacionais. Por exemplo, pode exigir transparência, debate público, ampla representação e prestação de contas.

Por fim, na opinião de Dani, Estados como Rússia, China e Arábia Saudita não devem ter os mesmos privilégios no sistema internacional. Nesses países menos democráticos, “o Estado de direito é constantemente violado e as liberdades civis não são protegidas”, afirma.

O economista diz que muitos acusam seus princípios de serem extremamente protecionistas. No entanto, ele acredita que deixar que a globalização aja sem limites pode trazer riscos mais graves com prejuízo para a democracia. Aponta, por exemplo, para a ascensão de governos populistas.

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