Movimento anti-café oferece alternativa aos coworkings
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Lemni em São Paulo. Foto: Divulgação
Nova Economia > Modelos Disruptivos

Pague pelo tempo, não pelo café: conheça Lemni e o movimento anti-café

Diana Assennato em 5 de julho de 2016

Uma mistura de coworking, espaço compartilhado, coffee shop e sala de casa. O Lemni Café, recém inaugurado no bairro de Pinheiros, em São Paulo, é bem mais do que um café fofo onde freelancers podem levar o seu laptop e trabalhar numa boa.

Lemni é um experimento que segue a tendência europeia dos anti-cafés, espaços acolhedores com cara de casa, poltronas confortáveis, boa internet, bom café e quitutes de pequenos produtores.

Nos anti-cafés você não paga pelo que consome, mas sim pelo tempo que passa no lugar. Em vários deles, como no Lemni, você pode até levar a sua própria comida e usar a cozinha quando precisar. Duas baristas garantem um bom espresso e um sistema colaborativo de limpeza torna o local prático e rápido para todos.

Uma foto publicada por Lemni (@lemnicafe) em

Como funciona um anti-café?

O tempo pago dá acesso a todas as comidas, bebidas e ao resto da infra que o espaço oferece por preços módicos. O valor pode ser calculado por hora ou por período, mas o Lemni também quer começar a testar formatos mensais em breve. Logo na entrada você recebe uma comanda, que marca apenas horário de chegada, como um cartão Zona Azul. Na hora de embora o cálculo é feito de acordo com o período da estadia.

Quanto custa?

  • 30 minutos = R$12
  • + 15 minutos = R$3
  • 1 hora = R$18
  • 1,5 hora = R$24
  • + de 6 horas = R$66

Espaço mutante

Em um sobrado simpático na Rua Simão Alvares, a casa também é sede de outras empresas e startups ligadas a ciclomobilidade e ocupação urbana, como o coletivo oGangorra. O anti-café ocupa o térreo, no mesmo espaço onde antes existia o Preto Café, negócio igualmente disruptivo no modelo: os custos eram abertos ao público e os clientes pagavam o quanto considerassem justo (mais ou menos como o Instituto Chão, do qual já falamos antes).

Com a saída do Preto, os demais integrantes da casa procuraram pessoas interessadas em tocar o café lá dentro, mas o conceito da casa era difícil de explicar e aparentemente pouco atrativo. Decidiram então assumir a gestão nesse modelo diferente. Só uma coisa não muda até hoje: Eva, a gata vira-lata, continua sendo “a dona da casa”.

interior do Lemni com escada e mesas com pessoas trabalhando no anti-café

Foto: Divulgação

Anti-café: de Moscou para o mundo

Uma das cidades pioneiras do movimento anti-café foi Moscou, capital com um dos custos de vida mais altos do mundo. Ivan Mitin, empreendedor criativo russo, precisava de um espaço para um projeto artístico que levaria meses para ficar pronto. Cansados de passar o dia gastando uma grana em cafés (e da pressão dos baristas para receber mais pedidos), Ivan e seus amigos alugaram um sótão  onde começaram a reunir a sua turma. “Lá eles podiam fazer o que quisessem: tocar o piano, escrever um livro, jogar conversa fora, preparar um café ou fazer um bolo no meio da tarde”, contou Ivan ao site FastcoExist.

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No início, o pagamento era voluntário: uma mala foi colocada logo na porta e os convidados deixavam o quanto achassem justo por aquela estadia. Com o tempo, Ivan e seu time aprimoraram tanto o sistema que o Ziferblat, nome de seu anti-café, abriu nove franquias pela cidade e já foi copiado por mais de 200 outros estabelecimentos que seguiram seus passos.

Ivan considera os anti-cafés experimentos sociais, e não exatamente um negócio. De fato: pagar pelo tempo e não pelo que se consome é uma forma de valorizar o comércio local, movimentar o giro de dinheiro, de público e de interesses de um bairro.

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  • Keli Araujo

    <3 Ideia maravilhosa!!! Economia colaborativa é um amor só!

  • Daniel Oak

    A ideia é muito boa. Mas a nomenclatura de anti-café não é amigável. Acho que rever o termo seria importante pá imagem do negócio

  • Lucas Durães

    O primeiro do Brasil foi inaugurado em fevereiro deste ano, o GUAJA Casa: http://www.guaja.cc 🙂

  • leeopereira

    Só que é uma bela falta de noção escrever que os preços são “módicos” sendo que você paga R$ 18 por hora num país onde o salário mínimo é de R$ 3,66/hora.

    • Lana

      Mas esse valor dá direito a consumir bebidas e comidas à vontade durante o período, não acha justo?

      • leeopereira

        Eu não estou reclamando do preço, acho até ok pelo que oferece; o que eu não acho justo é chamar de módico 🙂

      • Ingrid

        Justíssimo! Mas não seria legal e mais democrático cada um pagar pelo que quiser consumir (eu não sou muito de ficar comendo fora das refeições) e pagar um preço fechado menor apenas para o uso do espaço e do wifi?

        • Victor Almeida

          Uma boa lan-house = 3$/hrs . Anti-cafe = 3,66/hrs. Ai você me diz que por conforto e uma beliscadinha com cafe quentinho nao vale 66C ?

          • Ingrid

            Não são 18 por hora?

    • Victor Almeida

      Cara , alguém que vai la trabalhar nao ganha um salário mínimo … e nao venha com inclusão social .

  • Carlos Henrique

    66,00×10 dias = 660,00. Melhor juntar com mais duas pessoas e alugar uma sala.

    • Vedovato Andrei

      Se preferir uma casa sem moveis, infra e facilidades alem de talvez nao ser bem localizada, num compensa. Tirando a burocacria de alugar, devolver se não rolar, mudar, transferir … cansei :p

      • Carlos Henrique

        Se você está está num negócio para fazer dinheiro, quase 700,00 para um indivíduo ter um lugar para trabalhar por 10 dias na semana não parece ser muito inteligente quando você pode reduzir os custos e ter um espaço próprio pagando certamente menos para ter um espaço 24 horas por dia, 30 dias por semana à sua disposição e dos clientes. Digamos que tenha você e mais um sócio, faça as contas e veja se de fato não compensa trabalhar nesses espaço.
        Todos esses serviços que no exterior são realmente baratos e alternativas para economizar dinheiro, no Brasil se tornam mais caros que aquilo a que se quer ser alternativa. Esse tipo de espaço não é alternativa para ao aluguel de uma sala porque o custo é de fato maior.
        Em NY um acesso a 24/hs custa coisa na casa de 40 dólares.

  • E como tudo no Brasil custa o olho da cara. Não, obrigado!

  • Johnny Andrade

    Eu fui tão inspirado pelo trabalho de tradução do Phantasy Star, que decidi, com 12 anos +/-, lá por volta de 1997, aprender a hackear roms de emuladores, que é exatamente o mesmo processo feito pela TecToy e com pouco tempo já havia traduzido uns 3 jogos. Já traduzi o Valis 1, Valis 3, Beyond Oasys, Psicho Force e outros! Fui o primeiro tradutor de ROMS amador do Brasil lá na epoca do saudoso mIRC! Ouvir ele falar do processo de trocas de caracteres foi nostalgico! 😀

  • Bruno Da Silva Valenga

    O brasileiro tem que evoluir muito ainda pra começar a aceitar as boas ideias aqui, so prestam atenção no preço e esquecem do valor agregado.

    • Victor Almeida

      Isso é verdade , uma self la vale muito kkkk 😷

  • Cola aqui no meu bar tem cerveja especiais, nacionais e chopp e no melhor não paga pelo wifi 100mb fibra

    • Victor Almeida

      Aonde ? Bud por 5$ sz ? Kk

  • Paulo Neumann

    quem já dividiu apartamento com outros e não encontrou mais na geladeira aquele toddy que você deixou pra tomar de noite, sabe bem que não vai encontrar toda essa comida e bebida farta à disposição.. fake isso, hein…

  • Veronica Garcia

    Prefiro pagar por um café. Mais barato!

    • Victor Almeida

      Puts parsa .. toca aqui 👊

  • Caro em.. 66 prata por dia, vezes 20 dias, pra vc e mais um sócio, sai no total de 2.640 reais por mês… acho que rola para algo mais pontual, ser for com frequência é melhor alugar uma sala própria, e ainda da pra colocar internet, pagar luz etc…

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