Por que a licença-paternidade importa para equidade de gênero
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Por que a licença-paternidade é uma ferramenta para a equidade de gênero

Pedro Katchborian em 27 de junho de 2016

Em março de 2016, o governo brasileiro modificou a lei que dava apenas cinco dias de licença-paternidade para os pais, elevando o tempo para 20 dias. Aliada a uma verdadeira revolução no tema nos Estados Unidos, em que não é lei dar licença-paternidade, o assunto tem, além de fomentado a discussão sobre os direitos do pai, ampliado o debate sobre equidade de gênero.

Nos EUA mesmo, uma pesquisa evidenciou que mais de 70% dos pais tiram dez dias ou menos de licença, sendo que apenas 13% desses são pagos.

A licença-paternidade e a carreira

De acordo com um estudo que entrevistou 22 mil empresas, países com uma maior porcentagem de mulheres em cargo de liderança ofereciam onze vezes mais licenças-paternidade do que os outros. Os melhores países foram Noruega (que oferece 14 semanas para os pais), Itália (26 semanas) e França (26 semanas pagas). A conclusão dos pesquisadores foi de que, quando homens tiram a licença-paternidade, mulheres tem menos interferências em suas carreiras, gerando uma maior equidade e dando mais chances para chegarem ao topo também.

Dave Porter, desenvolvedor que mora na Califórnia, acredita que a sua licença-paternidade de seis semanas ajudou a desafiar padrões sexistas em sua vida. “Eu definitivamente me senti mais confortável com o meu filho depois de cinco semanas sozinho com ele. Ter aquelas habilidades e confiança me ajudou a dividir as responsabilidades com a minha esposa“, conta ao Mic.

Leia mais: Àpres, a rede social para mães que querem voltar ao mercado de trabalho

Perguntado se o tema era uma causa feminista, Dave não hesitou. “Não temos licença-paternidade por causa da sociedade misógina e patriarcal”, conta. “É provavelmente a coisa mais feminista que já fiz“, fala.

O medo da licença-paternidade

Parte dessa desigualdade é alimentada pela falta de interesse do homem em relação a licença-paternidade, já que há um medo que a carreira será prejudicada. O Washington Post registra a história contada por Michael Kimmel, fundador do Centro para Estudo dos Homens e Masculinidade.

Vinte anos atrás, Kimmel foi convidado pela Harvard Business Review para tentar descobrir por que os homens relutavam em aceitar a tirar a licença-paternidade, mesmo quando era paga pela empresa. Na época, apenas 1% das empresas oferecia o benefício. Segundo Kimmel, que entrevistou empresários em bancos e firmas de advocacia, ele ouviu a conversa de dois colegas: “Você sabia que temos licença-paternidade? Acho que vou tirar”, disse um. “Acho que você não é comprometido com a sua carreira, né?“, respondeu outro.

Em uma pesquisa feita pela Deloitte, 54% das pessoas afirmaram que achavam que os colegas julgariam mal se um pai tirasse o mesmo tempo de licença que uma mãe.

Revolução nas empresas americanas

Em novembro de 2015, Mark Zuckerberg anunciou que tiraria uma licença-paternidade de dois meses para o nascimento da filha. Em relação aos outros funcionários do Facebook, é dada uma licença de quatro meses para quem acabou de se tornar pai ou mãe.

A iniciativa de Zuckerberg e do Facebook vai no mesmo caminho de outras empresas de tecnologia: como mostra a Time, em 2015, a Netflix anunciou que, pelo período de um até ano, funcionários poderão tirar licença por tempo indeterminado logo após o nascimento dos filhos. Também em 2015, o Spotify anunciou que existe a licença por seis meses para pais e mães.

Como a regulamentação apenas prevê que as mães tenham 12 semanas de licença não remunerada, são as empresas privadas que flexibilizam ou não o período de tempo em que o funcionário se afasta para cuidar do filho. As companhias citadas, que costumam ser exemplo no mercado em inovação, podem a ajudar a mudar esse cenário.

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