Indústria da maconha movimenta US$ 1 bilhão no Colorado
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Indústria da maconha movimenta US$ 1 bilhão no Colorado

Kaluan Bernardo em 21 de setembro de 2016

Desde 2012, o estado do Colorado, nos Estados Unidos, legalizou a venda de maconha tanto para uso medicinal quanto recreativo. E isso gerou uma indústria que não para de crescer e, em 2015, movimentava quase US$ 1 bilhão de dólares.

Denver Post, um dos principais jornais da região, estima que, ao todo, as vendas de maconha no estado totalizaram US$ 996,2 milhões. O número é 42% maior do que 2014, quando foram vendidos US$ 699 milhões em cannabis.

Além disso, só no último ano, o Colorado coletou US$ 135 milhões em impostos e taxas relacionados à maconha — número 78% maior do que os US$ 76 milhões coletados no ano anterior. Desse dinheiro, US$ 35 milhões foram destinados a construções de escolas. O resto do fundo também pode ir para programas contra o abuso de drogas e ajuda a jovens, como relata a revista Fortune.

Legalização inspira outros estados norte-americanos

Além do Colorado, outros três estados norte-americanos permitem o uso recreativo da maconha. São eles: Alaska, Oregon e Washington. Ao todo, 24 estados no país aprovam o uso medicinal da cannabis.

Hoje, a maioria (55%) dos estadunidenses acreditam que a maconha deve ser legalizada. Segundo análise do site Quartz, os principais motivos para o crescimento dos defensores no país são a maior conscientização dos efeitos negativos da “guerra às drogas”; os casos de pacientes que sofreram por não terem acesso à cannabis medicinal; e o reconhecimento do quão benéficos podem ser os impostos que acompanham a indústria da maconha recreacional.

Outros estados, como Vermont, Maine, Massachussetts, Nevada e Califórnia (onde já há várias empresas vendendo maconha medicinal) deverão legalizar a maconha recreativa ainda em 2016.

Eles ainda estudam quais são as melhores formas de legalizar. “A simples escolha entre proibição e legalização não extingue o espaço para políticas”, diz Mark Kleiman, que ajudou Washington a criar suas leis, em entrevista ao Quartz. “Variedades de legalização podem ser mais ou menos efetivas ao se livrar dos problemas da proibição e mais ou menos cuidadosas ao respeitar os possíveis problemas relacionados ao crescimento do acesso”, diz.

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Ao passo em que a indústria da maconha legal se mostra poderosa e grande, alguns temem que ela possa pressionar as políticas públicas a não levarem em consideração todos os aspectos ligados à legalização. “Os impostos e políticas industriais a nível federal e estadual determinam o quão grande a cannabis será ou não”, comenta Miles Light, que ajudou nas regulações ao colorado, também ao Quartz.

As controvérsias sobre a legalização da maconha no Colorado

No entanto, há quem diga que os números relacionados à legalização não são todos positivos. Um estudo feito por consórcio federal controlado por agências anti-drogas dos EUA afirma que 20% das fatalidades de trânsito envolviam motoristas que haviam consumido cannabis. Além disso, eles destacam que o número de internações relacionadas à maconha aumentou em 38% em 2014.

Ambos dados são questionados por um colunista da revista Forbes. Jacob Sullum, que escreve sobre diversos temas relacionados a drogas, afirma que os dados são controversos. Ele defende, por exemplo, que os acidentes mostravam níveis tão baixos de cannabis, que é impossível dizer se eles tiveram impacto na direção. Além disso, sobre o número de internações, ele destaca que o estudo, apesar de mostrar que os pacientes haviam consumido maconha, não consegue provar se há uma relação entre a droga e a hospitalização.

casa verde e branco

Greenwood Springs, Colorado. Foto: Istock/Getty Images

Outro estudo, conduzido pela polícia local, traz notícias boas e ruins sobre a legalização da maconha no Colorado. Eles afirmam que o número de acidentes de trânsito relacionado à droga caiu 1% entre 2014 e 2015. O índice de hospitalizações relacionados ao uso de maconha foi de 803 a cada 100 mil, entre 2001 e 2009, para 2.413 a cada 100 mil, entre 2014 e 2015.

Enquanto o uso entre adolescentes permaneceu estável, o de adultos jovens (entre 18 e 25 anos) foi de 21% a 35% da população entre 2006 (antes da legalização) e 2014 (após a legalização). Entre adultos o índice subiu de 5% a 12%.

O número de prisões relacionadas à maconha caiu 46% entre 2012 e 2014, indo de 2.894 a 7.004. No entanto, a queda de prisões foi muito maior para brancos (51%) do que para latinos (33%) e afro-americanos (25%).

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