Make Love Not Porn quer que você compartilhe o sexo real
amora_sexo-real
Foto: Projeto Amor(A) por Vitor Barão
Nova Economia > Modelos Disruptivos

Make Love Not Porn convida você a compartilhar o sexo real

Emily Canto Nunes em 7 de julho de 2016

E se o mundo começasse a consumir o ~fazer amor~ como consome pornografia? Se em vez de ficarmos excitados com corpos esculturais em uma performance quase atlética sentíssemos tesão também pelo sexo real, aquele que eu, você, o vizinho, o vovô e a titia praticamos? Talvez o sexo fosse menos tabu em nossa sociedade, não? Talvez a cultura do estupro fosse menos presente? É o que acredita Cindy Gallop, consultora na área de publicidade e propaganda e principal nome por trás do Make Love Not Porn.TV, um site de compartilhamento de vídeo projetado “para fazer #realworldsex socialmente aceitável e socialmente compartilhável“.

Além de uma plataforma de vídeos feito em casa por pessoas reais que podem ser alugados por US$ 5 e ficam disponíveis por três semanas para serem assistidos, o Make Love Not Porn (MLNP como também é chamado) é um verdadeiro manifesto pró-sexo, mas não aquele sexo praticado nos filmes pornográficos. Embora não tenha nada contra esse tipo de obra, o MLNP quer promover o sexo real e provar que ele pode ser tão excitante quanto essas super produções. Além de não querer ser confundido com pornografia, o Make Love Not Porn rejeita o rótulo de amador na apresentação do site:

Nós não somos ‘amadores’: um rótulo que implica que as únicas pessoas fazendo a coisa certa são os profissionais e o resto de nós somos uns trapalhões idiotas.

Outro pilar do Make Love Not Porn é o compartilhamento: a ideia da plataforma é não apenas popularizar o sexo cotidiano, mas também permitir que as pessoas ganhem com isso. Além de alugar vídeos de sexo real, o usuário pode submeter no site sua própria obra e lucrar. A divisão é justa: 50% para os donos do filme, 50% para o site. Em conversa com o Free the Essence, Cindy contou que embora seja uma plataforma global, o Make Love Not Porn é bastante próximo de seus usuários e, especialmente, daqueles que também se transformaram em “estrelas”.

Leia mais:
O impacto da tecnologia no sexo para as mulheres
Qual a diferença entre os principais aplicativos de relacionamento

O fato de que só vídeos autorizados por todos os envolvidos, inclusive a pessoa responsável por filmar o ato sexual (se houver, é claro) podem ser inscritos na plataforma aproxima a pessoa da equipe do Make Love Not Porn. “Um usuário não consegue publicar um vídeo em que o sexo não seja 100% consensual porque temos uma curadoria humana dos filmes para saber se é real e também para começar uma relação com as pessoas. Nós estamos preocupados com aquilo que aflige as nossas estrelas, como a relação com o empregador, por exemplo. Por isso, aceitamos vídeos com máscaras ou borramos o rosto das pessoas. E se algo mudar na relação que teve o sexo gravado nós vamos estar por perto para ajudar”, conta Cindy. Segundo ela, a equipe do Make Love Not Porn trabalha atualmente para conhecer alguns usuários ao vivo e se aproximar ainda mais da comunidade que criou ao redor do sexo real.

Compartilhar o sexo é algo tão transformador como outras formas de compartilhamento. Quando você decide filmar o sexo, precisa falar a respeito com o outro e então a conversa sobre sexo ganha um espaço que não tinha antes.

Segundo ela, muitas estrelas do Make Love Not Porn contam que achavam que tinha um relacionamento saudável até terem que conversar sobre o sexo. “O relacionamento chega a outro nível e faz as pessoas até se amarem mais”, diz. “A missão do sexo social, compartilhado, é a autoexpressão. Não é fazer uma performance na frente da câmera; é como em várias outras redes sociais: capturar o que está acontecendo naquele momento, do jeito engraçado, bobo, atrapalhado, bonito e humano que é”, explica a consultora.

A indústria do sexo real

À frente do Make Love Not Porn há quase dez anos, Cindy Gallop conta que não imaginava que teria que ganhar uma batalha por dia. “Conseguir dinheiro, abrir uma conta, hospedar um site, desenvolver a criptografia dos dados, criar os termos de serviço… sempre temos que explicar para as empresas com as quais trabalhamos o que fazemos. Por isso desenhamos a nossa própria plataforma, por exemplo”. Segundo ela, todos esses desafios fizeram o negócio menor do que ela esperava.

“Quando você cria algo que realmente acredita e que é realmente inovador você precisa transformar o mundo para que ele faça sentido, e não o contrário. Estou criando as condições para o meu sucesso”, aposta. Ela acredita que a próxima disrupção na tecnologia dirá respeito ao sexo. “Se eu disser isso alto o suficiente, com frequência e em vários lugares as pessoas vão começar a acreditar. Eu acredito ser capaz de abrir a mente do mundo dos negócios”, diz.

via GIPHY

Para ela, não é só a tecnologia que precisa abrir os olhos para a indústria do sexo real, mas também outros setores como o de carros, que até hoje não criou um design próprio para a prática, muito embora as pessoas continuem transando dentro dos carros. Ou mesmo a de móveis para cozinhas ou ainda a indústria de colchões. “Todos eles estão interessados em ajudar as pessoas a dormir melhor, mas que tal nos ajudar a viver melhor quando estamos acordados?”, brinca a empresária.

Enquanto a indústria do sexo real não evolui, o principal desafio da plataforma é encontrar investidores capazes de superar um comportamento que Cindy acredita ser um dos grandes obstáculos do mundo dos negócios hoje: o medo do que as outras pessoas vão pensar. Segundo ela, muitos investidores se interessam pelo Make Love Not Porn e compartilham dos mesmos valores, mas por vezes esbarram nesse pensamento. “Você nunca vai ser dono do futuro se tiver medo do que as outras pessoas vão falar”.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 25 [12] => 157 [13] => 66 [14] => 67 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 175 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence