Mapa do Acolhimento dá apoio psicológico a vítimas de violência sexual
Vítima de violência sexual recebendo auxílio
Foto: iStock
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Mapa do Acolhimento conecta vítimas de violência sexual a quem pode ajudá-las

Camila Luz em 19 de agosto de 2016

Vítimas de violência sexual nem sempre sabem onde conseguir auxílio psicológico para lidar com o abuso que sofreram. Para ajudar essas mulheres, a organização Nossas Cidades e o coletivo #AgoraÉQueSãoElas criaram o Mapa do Acolhimento, uma plataforma que mapeia serviços públicos e terapeutas voluntárias pelo Brasil.

Segundo Maria Julia Wotzik, coordenadora de comunicação do Nossas Cidades, a ideia de criar o Mapa do Acolhimento surgiu a partir do “horror e angústia da bárbarie do estupro coletivo no Rio de Janeiro”. Em maio deste ano, uma jovem de 16 anos foi violentada por pelo menos 30 homens em uma comunidade na Zona Oeste. O crime chocou o Brasil, mas não é um acontecimento isolado.

Mulheres estupradas no Brasil segundo Mapa do Acolhimento

Foto: Divulgação

“A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil! São cerca de 527 mil estupros por ano, sendo que 89% das vítimas são mulheres”, conta Maria Julia. “É um quadro muito absurdo, precisávamos fazer alguma coisa. Resolvemos então usar nossas plataformas e técnicas de mobilização para criar uma rede de acolhimento a essas mulheres, redes de #MulheresMobilizadas dispostas a lutar contra a cultura do estupro de maneira colaborativa, empática e acolhedora”, completa.

Nasce o Mapa do Acolhimento

Para possibilitar a criação do Mapa, o Nossas Cidades e o #AgoraÉQueSãoElas trabalharam com sete redes de mobilização locais da Rede Nossas Cidades, em Campinas, Blumenau, Garopaba, Recife, Rio de Janeiro, Ouro Preto e Porto Alegre.

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O primeiro passo consistiu em convidar terapeutas que pudessem oferecer seus serviços de forma gratuita, assim como voluntárias que avaliassem instituições públicas especializadas no atendimento a vítimas de violência sexual. A primeira fase aconteceu entre seis de junho e 20 de julho deste ano. “Deste modo, tentamos impactar o âmbito público para que melhore seus serviços e usar a colaboração no âmbito privado para suprir os déficits públicos”, explica Maria Julia.

Nesse período, mais de 450 terapeutas se inscreveram no Mapa do Acolhimento para apoiar vítimas de violência sexual. Mais de 30 serviços públicos foram avaliados em 18 estados brasileiros por cerca de 2.500 voluntárias.

Mulheres unidas no Mapa do Acolhimento

Foto: Divulgação

Hoje, o Mapa do Acolhimento já recebe inscrições de vítimas. Elas devem preencher um formulário simples e acessar a rede de acolhimento. Ao se inscreverem, recebem uma lista com todas as terapeutas disponíveis, para que possam encontrar a mais próxima de casa e marcar uma primeira consulta grátis.

O Mapa construído a partir das avaliações das voluntárias também está disponível na plataforma. Seu objetivo é orientar vítimas para que não escolham centros de atendimento sem a estrutura necessária. “Elas devem evitar serviços que não têm atendimento humanizado, e que poderiam gerar um segundo trauma em um momento tão delicado”, defende Maria Julia.

O Mapa do Acolhimento garante que todas os dados compartilhados por terapeutas e vítimas são confidenciais.

Mulheres unidas contra a violência sexual

Antes do atendimento, a vítima de violência sexual recebe uma cartilha com instruções. A primeira consulta serve para que terapeuta e paciente se conheçam e comecem a criar um vínculo. Caso a pessoa não se sinta confortável na companhia da profissional, será preciso buscar outra opção.

No entanto, falar sobre situações traumáticas sempre é difícil no começo. Por isso, o Mapa do Acolhimento recomenda que a vítima tenha isso em mente e faça o que for preciso para se sentir o mais confortável possível. Levar uma amiga que aguarde na sala de espera enquanto a sessão acontece pode ser forma de torna a experiência mais acolhedora.

É terapeuta e está disposta a apoiar vítimas de violência sexual? Ainda dá para oferecer seus serviços preenchendo o formulário no site oficial. Sua amiga passou por uma situação como essa e ainda não procurou atendimento? Apresente o Mapa do Acolhimento para ela. Como reforça Maria Julia, “juntas, somos mais fortes”.

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