Por que serviços como 99Táxis e Uber precisam de motoristas mulheres
Portrait Of A Successful Businesswoman In A Taxi
Foto: iStock/GettyImages
Nova Economia > Modelos Disruptivos

Por que serviços como 99Táxis e Uber precisam de motoristas mulheres

Kaluan Bernardo em 6 de novembro de 2016

A 99Taxis fez uma pesquisa com 1,8 milhão de passageiras e descobriu que 56,5% gostariam de ter a opção de serem conduzidas por mulheres. Outras 23% acham importante que o motorista não tenha acesso aos dados pessoais e 20% disseram preferir compartilhar o trajeto com algum amigo. As mulheres não se sentem seguras nos carros de desconhecidos.

Frente a esses resultados, a empresa resolveu fazer algo. Chamou lideranças feministas e mais passageiras para discutir o assunto. Foi daí que nasceu o “99 Motorista Mulher”, uma opção para as passageiras lidarem apenas com taxistas mulheres. Basta a passageira (sozinha ou acompanhada de criança) selecionar a opção que virá uma condutora. “Vimos que a pauta era importante e uma necessidade real”, comenta Carla Barone, diretora de Recursos Humanos da empresa ao Free The Essence.

Há diversos casos, no Brasil e no mundo, de passageiras que denunciaram assédio sexual em serviços como Uber ou em táxis. Em junho deste ano, um taxista foi preso acusado de estuprar uma passageira. A 99Taxis, que intermediou o serviço, bloqueou o motorista e afirmou cooperar com as investigações.

Agora, com a possibilidade de mulheres levarem mulheres, o cenário muda inclusive para as condutoras que, se desejarem, podem aceitar apenas passageiras. Se algum homem usar o serviço fingindo ser passageira ou motorista mulher, basta denunciá-lo e a 99Taxis garante que irá atrás.

“É uma questão de garantir o direito de ir e vir para a mulher. É uma questão de escolha e isso não tem preço. Estamos fomentando o debate e mostrando que existe uma questão de segurança feminina que precisa ser resolvida por todas as partes. Fazemos a nossa enquanto empresas de tecnologia, mas queremos que outras instituições também façam”, diz.

Para quem optar pelo serviço, a espera ainda é um pouco maior porque há menos motoristas mulheres. Em São Paulo, segundo a revista Veja São Paulo, existem 8.200 condutoras de táxi — 10% do total da categoria —, não necessariamente usando o aplicativo. A 99Taxis garante que está estudando forma de atrair as condutoras. “Estamos pedindo para nossa base feminina trazer outras motoristas, temos grupos de WhatsApp dedicados a isso e nas ruas estamos priorizando mulheres para se cadastrarem na plataforma”, garante Carla.

Ela diz que a empresa ainda estuda outras formas de garantir a segurança às mulheres e que, de tempos em tempos, revisam denúncias e excluem motoristas com más avaliações.

A discussão por mais motoristas mulheres

Foto: iStock/GettyImages

Foto: iStock/GettyImages

A proposta do 99Taxis é essencial, mas não é inédita. Há falta de mulheres em diversos serviços do tipo. Por isso, em várias partes do mundo, iniciativas semelhantes vêm surgindo.

Além da segurança, a procura de empresas por motoristas tem razões econômicas. Condutoras são consideradas mais prudentes no trânsito e custam menos com despesas de seguradoras. Com mais motoristas mulheres, mais passageiras se sentem a vontade para usar os serviços e, consequentemente, consomem mais os serviços.

Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas 14% dos motoristas da Uber são mulheres. Os baixos índices foram suficientes para que a Uber assinasse um compromisso com a ONU Mulheres se comprometendo a criar 1 milhão de vagas para motoristas até 2020. Poucas semanas depois, porém, a organização cancelou sua parceria com a empresa — acusada de precarizar os motoristas e não se preocupar o suficiente com as mulheres.

Há tempos a empresa é acusada de não tomar providências frente a acusações de assédio. Segundo o BuzzFeed News, a Uber tem um banco onde são armazenadas informações sobre motoristas — nela, há mais de 6.160 resultados com as palavras “assédio sexual” e mais 5.827 com “estupro”.

De olho nessa oportunidade de mercado que a Uber não conseguiu aproveitar, já surgiram serviços como o Chariot for Women, também nos EUA, e que funciona como um “Uber para mulheres”. O criador, Michael Pelletz, diz que era motorista do Uber e sentiu a necessidade quando foi ameaçado por um passageiro. Conseguiu contatar a polícia e resolveu a situação, mas ficou imaginando como seria se fosse sua mulher ou filha conduzindo o carro. Hoje a empresa se chama Safr e conta apenas com motoristas mulheres que buscam apenas passageiras mulheres ou crianças abaixo de 13 anos.

Outra empresa com proposta semelhante é a SheTaxis, que funciona na mesma lógica, mas focando em taxistas mulheres de Nova York. Ambas enfrentam desafios legais. Em algumas cidades dos Estados Unidos, contratar apenas motoristas de um gênero é considerado discriminação. No entanto, ambas empresas estão se expandindo e lidando com a lei de cada local.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 25 [12] => 66 [13] => 67 [14] => 157 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 175 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence