O que é o movimento maker e quais são os seus valores
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O que é o movimento maker e quais são os seus valores

Pedro Katchborian em 26 de abril de 2017

Em tempos conectados, que misturam criação e compartilhamento, o movimento maker tem se consolidado como uma cultura para os entusiastas de tecnologia e da inovação.

Mas, afinal, o que é movimento maker?

Em resumo, o movimento maker consiste na ideia de que pessoas podem criar, consertar e alterar objetos e produtos com suas próprias mãos. O grande intuito do movimento é, ao invés de comprar um produto, produzi-lo por conta própria. O movimento se assemelha — e às vezes é até considerado igual — ao faça-você-mesmo. No entanto, o movimento maker normalmente é atrelado a projetos de eletrônica e robótica, enquanto o faça você mesmo engloba qualquer tipo de produto.

Em um texto de 2013, Brit Morin, do Huffington Post, define a posição dos makers: “makers continuarão atuando em campos que vão de alimentos a artesanato e tecnologia. Juntos, eles vão se empurrar para frente para inventar e construir coisas novas e inovadoras. Muitas tecnologias que irão impulsionar esta crescente população ainda não foram construídas”, diz.

Quando surgiu o movimento maker?

O movimento maker nasceu na década de 70, com a revolução do computador pessoal. No entanto, somente no começo da década de 2000 com o surgimento da revista Make e o lançamento da Maker Faire é que o movimento começou a ganhar força. Outro fator que ajudou na ascensão da cultura foi a RepRep, impressora 3D lançada por Adrian Bowyer no início dos anos 2000. Com ela, interessados puderam fabricar protótipos, o que diminui o custo de produção.

Quais são os valores do movimento maker?

No livro The Maker Movement Manifesto, o autor Mark Hatch elenca alguns pontos do que é ser um maker. Afinal, a cultura vai muito além do fazer. Ele separa o manifesto em nove categorias. São elas:

Fazer

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“Fazer é fundamental do que significa ser humano”, diz. Para ele, precisamos fazer, criar e nos expressar para nos sentirmos completos.

Compartilhar

“Você não pode fazer e não compartilhar”, diz Mark. Ele explica que compartilhar o que você fez é a maneira de completar o significado do que é ser um maker.

Dar

Mais do que compartilhar, Mark sugere dar o que você fez. “Poucas coisas são mais altruístas e satisfatórias do que dar algo que você fez. “O ato de fazer coloca uma pequena parte sua no objeto. Dar o objeto para alguém é como dar um pedaço de você mesmo”, completa.

Aprender

“Você deve aprender a fazer. Você sempre deve buscar aprender mais sobre como fazer”, diz. Ele sugere que o interessado aprenda sobre novas técnicas, materiais e processos.

Ter as ferramentas certas

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Ter as ferramentas corretas para um projeto é essencial para que o projeto dê certo. “As ferramentas nunca estiveram tão baratas e fáceis de usar”, afirma.

Brincar ou experimentar

Ao brincar ou experimentar com o que você está fazendo, será possível se surpreender, empolgar-se e se orgulhar de suas descobertas.

Participar

Integrar o movimento maker ao comparecer em seminários, festas, eventos e espaços traz conexões importantes.

Apoiar

Como todo movimento, a cultura maker também precisa de apoio — seja ele financeiro, político, emocional ou intelectual.

Mudar

“Abrace a mudança que irá ocorrer naturalmente na sua jornada maker”, diz. Até por isso, Mark sugere que qualquer um mude o manifesto inteiro, caso queira. “Esse é o ponto do movimento maker”, afirma.

O movimento maker no Brasil

O movimento maker no Brasil vem crescendo e teve alguns pioneiros nessa trajetória. O site LabdeGaragem foi um dos principais destaques no início do movimento, já que deu o pontapé inicial no compartilhamento de informações de projetos. Entre os hackerspaces um dos mais conhecidos é o Garoa Hacker Club, de São Paulo.

O que são makerspaces?

O crescimento da cultura maker proporcionou a criação de espaços que são dedicados exclusivamente a auxiliar os makers em suas novas criações. Espaços como os makerspaces são laboratórios, garagens ou ateliês compartilhados que oferecem ferramentas para que os interessados possam fazer as suas criações. Esses laboratórios normalmente reúnem empreendedores ou simplesmente entusiastas do movimento.

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Os makerspaces também estão muito atrelados a outros termos: hackerspace, fablabs e techshops. Apesar da semelhança, há alguns elementos que definem o que é cada um deles. Em texto na revista Make, Gui Cavalcanti explica as diferenças entre cada um. Embora hackerspace e makerspace sejam sinônimos para muitos, o hackerspace reunia, em sua origem, programadores dispostos a compartilhar conhecimento. Portanto, o hackerspace costuma ser mais nichado do que o seu semelhante makerspace.

Já em relação aos techshops e aos fablabs, Cavalcanti define: “para mim, ambos são franquias de makerspaces. Eles focam na criação do zero, com diferentes tipos de mídia. Ironicamente, os dois chegaram antes do termo makerspace”, explica.

O blog Fazedores afirma que fablabs são makerspaces com algumas regras específicas. “Todo fabab precisa ter no mínimo 5 tipos de máquinas: impressoras 3D, cortadora à laser, cortadora de vinil, CNC de precisão de pequeno porte e CNC de grande porte. É necessário também ter um dia aberto ao público, para que todos possam usar as máquinas”, define.

Quais são os equipamentos considerados parte da cultura maker?

O movimento maker pode usar qualquer ferramenta eletrônica para consertar, criar ou alterar objetos, mas a impressora 3D é o equipamento que mais remete ao movimento nos últimos tempos. Placas eletrônicas como de arduíno e a Raspberry Pi também são ferramentas usadas constantemente pelos makers. Os entusiastas dos drones também acabam atuando como makers, já que constantemente fazem modificações nos equipamentos.

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