O Airbnb se diz parte da solução para a classe média, mas é mesmo?
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Foto: divulgação
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O Airbnb se diz parte da solução para a classe média, mas é mesmo?

Kaluan Bernardo em 18 de dezembro de 2016

Um dos principais motes da campanha do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, foi a desigualdade da crescente classe média. Para Chris Lehane, chefe de políticas globais do Airbnb, a empresa é parte da solução para esse problema.

Em conferência em Sydney, na Austrália, Lehane disse que o modelo de economia compartilhada do Airbnb poderia resolver feridas de crises financeiras, como a de 2008. “Nós certamente acreditamos — e os dados mostram isso — que a plataforma do Airbnb é uma plataforma para a classe média. Para o dia a dia das famílias, estamos gerando renda suplementar”, disse.

Segundo ele, a maioria dos locatários do Airbnb são famílias de classe média alugando quartos em sua residência de forma amadora para criar uma renda adicional. Segundo ele, uma pessoa comum no Airbnb ganhava, em média, US$ 8.350 de renda por ano.

“Quando encontro em particular políticos eleitos… eu pergunto genuinamente ‘há algum programa aqui gerando esse tipo de economia que esse programa está gerando para a classe média?'”, questiona. “Quero ser claro aqui, eu não acho que somos a solução para a desigualdade econômica, certamente não somos. Mas somos parte da solução? Sim”, afirma.

Por que o Airbnb precisa se provar

O Airbnb é constantemente acusado de gerar gentrificação. Isso porque muitos moradores passaram a disponibilizar suas casas para turistas, fazendo com que o preço da moradia subisse e pessoas mais pobres ficassem sem condições de conseguir um teto. É por isso que a plataforma tem enfrentado desafios de regulação também em cidades como San Francisco, Los Angeles, Miami, Portland, Toronto, Barcelona e Berlim.

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Em março de 2015, o estudo da Laane, um grupo organizado em Los Angeles, acusava o Airbnb de colocar “os dólares de turistas contra os dólares de inquilinos” ao criar uma plataforma na qual “donos de terra podem ganhar significativamente mais dinheiro ao transformar aluguel tradicional em unidades de Airbnb”, como muitos parecem ter feito.

Parte dos adversários do Airbnb se tornaram os hotéis. “Os lugares onde os desafios acontecem são o epicentro dos cartéis de hotéis”, comentou Lehane ao site Quartz. “Sabemos que a indústria hoteleira está tocando uma campanha pesada”, declarou.

Brian Chesky, CEO do Airbnb. (Foto: Wikimecia/Creative Commons)

Brian Chesky, CEO do Airbnb. (Foto: Wikimecia/Creative Commons)

Por isso, as afirmações recentes do executivo são uma resposta aos legisladores. Segundo Lehane, o maior desafio do Airbnb hoje é convencê-los dos potenciais benefícios da plataforma.

Um acordo recente que o Airbnb fechou, por exemplo, foi em New Orleans, nos Estados Unidos, no qual a empresa precisa passar uma porção de suas taxas para a construção de casas populares.

Em Londres há um limite: as casas no Airbnb só podem ser alugadas por, no máximo, 90 dias (não necessariamente consecutivos). Em Amsterdã o limite é de 60 dias.

Recentemente a plataforma lançou o baú de ferramentas de políticas, um conjunto de dados e argumentos para convencer governos a aprovarem a startup e poderem chegar a acordos interessantes com ela. O caminho para a sobrevivência do Airbnb será em encontrar meios-termos com os legisladores e população.

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