Pesquisa mostra mitos e verdades sobre Gig Economy
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Pesquisa mostra mitos e verdades sobre Gig Economy

Kaluan Bernardo em 29 de março de 2017

Enquanto no Brasil avança o debate sobre a terceirização do trabalho, uma outra discussão corre paralela no mundo todo: a dos efeitos da chamada Gig Economy. A Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD), uma ONG de desenvolvimento humano no Reino Unido, fez uma pesquisa com cinco mil adultos para definir os impactos dessa economia na região.

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O órgão define Gig Economy como “uma forma de trabalho baseada em pessoas que têm trabalhos temporários ou que fazem peças separadas de trabalho, cada uma paga separadamente, em vez de trabalhar para um empregador”. Motoristas do Uber, freelancers de plataformas como Task Rabbit e entregadores da Amazon são trabalhadores da Gig Economy.

Enquanto entusiastas e empresas envolvidas nesses modelos bradam que esse seria o futuro do mercado de trabalho, permitindo flexibilidade e autonomia para os trabalhadores, a pesquisa mostra que os impactos econômicos ainda são superestimados.

Qual o estado atual da Gig Economy?

Pelo menos no Reino Unido, a Gig Economy é relativamente pequena. Apenas 4% (1,3 milhão) dos adultos entre 18 e 70 anos que trabalham o fazem nesse modelo. Desses, apenas 25% tiram a maioria das suas receitas de plataformas do tipo.

A maioria (58%) utiliza tais serviços como complemento de renda. Apenas 14% estavam exercendo tais trabalhos porque não conseguiam um emprego. Embora os pagamentos sejam considerados baixos, apenas 20% dos trabalhadores disseram que estavam descontentes com seus ganhos. E 17% disseram que estavam muito felizes com isso.

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A maioria, cerca de 60%, acha que não consegue trabalhos suficientes dentro da Gig Economy. A situação é pior para mulheres. Enquanto 30% dos homens acreditam que conseguem trabalho suficiente, entre elas a proporção é de 23%.

Ao todo, 46% dos trabalhadores da Gig Economy se mostraram satisfeitos com seus trabalhos. Entre os empregados formalmente a proporção é de 48%. A maior preocupação, no entanto, foi sobre a falta de proteção em relação a direitos trabalhistas – um debate recorrente quando o assunto é Gig Economy.

Por que a Gig Economy é questionada por órgãos de trabalho

Embora o discurso seja de autonomia e de flexibilidade para o trabalhador, apenas 38% dos operários envolvidos na Gig Economy disseram se sentir como seus próprios chefes.

Ao mesmo tempo, 63% afirmam que o governo deveria intervir para garantir direitos básicos de trabalho. “Muitas pessoas [que trabalham na Gig Economy] já estão aptas para ter direitos básicos de trabalho, mas estão confusas sobre seus níveis empregatícios. É crucial que o governo lide com a questão do status empregatício antes de tentar promover mudanças”, comenta Petert Cheese, chefe executivo da CIPD, ao jornal Guardian.

A pesquisa diz que, embora os funcionários tenham mais poder e controle sobre suas vidas, a insegurança e falta de direitos pode ser maléfica não só para suas carreiras, mas também para a dos trabalhadores com empregos formais. A realidade é que mesmo os
empregados formais sofrem com a falta de segurança no trabalho, com a falta de evolução na carreira e, por vezes, também estão insatisfeitos ou até mais que os trabalhadores da Gig Economy.

O estudo diz ainda que, quando for se discutir a Gig Economy, é necessário levar em consideração que, para a maioria, ela é apenas renda complementar. É necessário ainda considerar que a maioria dessas pessoas gostaria de receber mais trabalho e que elas disputam com pessoas do mundo inteiro. Além disso, ainda que se sintam fragilizados, a maioria dos trabalhadores vê tais opções como positivas e não apenas como últimos recursos.

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