Maior experimento de renda mínima universal será realizado no Quênia
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Nairobi, capital do Quênia. Foto: Istock/Getty Images
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Maior experimento de renda mínima universal será realizado no Quênia

Camila Luz em 1 de outubro de 2016

A partir de outubro de 2016, o Quênia, na África, será o primeiro país do mundo a participar de um experimento social inovador envolvendo a renda mínima universal. A instituição GiveDirectly irá distribuir quantias de dinheiro para moradores de 200 aldeias.

A renda mínima universal é uma espécie de assistência financeira que, em teoria, deveria ser atribuída a todos os cidadãos do planeta. Assegurar salário básico para todos seria forma de erradicar a pobreza.

A ideia começou a ser mais discutida na década de 60, principalmente nos Estados Unidos. Alguns países, como a Suíça, já estudaram a sua implementação. No entanto, nenhum projeto saiu do papel.

A ONG GiveDirectly arrecadou US$ 21 milhões para aplicar o projeto na área rural do Quênia. Parte do dinheiro foi utilizado para construir a equipe de pesquisa que irá conduzir o experimento. Ela inclui o conselheiro econômico do governo Obama e professor da Universidade de Princeton Alan Krueger, e o professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) Abhijit Banerjee.

A renda mínima no Quênia

Três grupos experimentais farão parte do projeto, totalizando 26 mil participantes. O primeiro irá receber uma quantia mensal que sai por US$ 0,75 por dia (R$ 2,42 na cotação atual) durante 12 anos.

O segundo irá ganhar a mesma quantia,US$ 0,75 por dia (R$ 2,42 na cotação atual), por apenas dois anos.

Já o terceiro irá receber o valor relativo a dois anos de uma vez só, cerca de US$ 547,50 (aproximadamente R$ 1.766). Em todos os casos, as pessoas irão receber o dinheiro independente do que aconteça.

De acordo com matéria sobre o assunto feita pelo site Business Insider, a segurança em saber que o dinheiro está garantido a longo prazo incentiva pessoas a assumirem mais riscos. Elas tendem a começar mais negócios e a fazer investimentos maiores. Se acreditam que a renda será apertada nos próximos tempos, tendem a não concretizar seus planos.

Oferecer o dinheiro de três maneiras diferentes é forma de medir como os três grupos vão tomar decisões e mudar suas vidas a partir dessa quantia recebida.

“Comparar o primeiro e o segundo grupo vai nos trazer uma luz sobre como é importante ter garantias futuras para alcançar resultados”, diz a página do projeto. “Comparar o segundo e o terceiro vai nos permitir entender qual é o efeito de receber determina quantia de dinheiro”.

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A escolha pelo Quênia

A GiveDirectly, que é estadunidense, escolheu o Quênia pela presença de parte de sua equipe e infraestrutura no país. Além disso, segundo a instituição, o governo queniano tem sido um líder regional no uso de transferências financeiras para proteção social.

A estabilidade política no país também conta a favor dele. Por fim, pesquisas feitas pela instituição mostram que os habitantes estarão abertos a receber o dinheiro. “Enquanto quenianos recusam o dinheiro de caridade (por desconfiarem da legitimidade do programa), a GiveDirectly espera ter boa aceitação”, diz o site.

Baseada em testes menores, a ONG acredita que dar dinheiro para apenas alguns moradores fará que com que as vilas progridam como um todo.

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