Renda mínima universal: a solução para o mundo pós-trabalho?
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Renda mínima universal: a solução para o mundo pós-trabalho?

Kaluan Bernardo em 9 de maio de 2016

Ao passo em que a tecnologia ameaça acabar com a maioria dos empregos, cientistas das mais diversas áreas pensam em modelos que podem salvar a sociedade capitalista de um possível colapso. Renda mínima universal parece ser a bola da vez.

Pense na ideia como uma espécie de assistência financeira para todos. Isso é: cada cidadão de um país, independente de trabalhar, recebe todos os meses, uma renda mínima do governo.

Se a ideia parece distante aqui no Brasil, saiba que em vários países, principalmente na Europa, estão discutindo intensamente o tema.

Em junho, a Suíça votará se deve dar aos cidadãos uma renda mínima de 2.500 francos suíços (o equivalente a R$ 9,3 mil na cotação atual). A cidade de Utrecht na Holanda,  também conduz um teste do tipo. Ontario, no Canadá, fará um experimento ainda esse ano. A Finlândia pretende começar, em 2017, um programa de renda mínima de dois anos para ver o que acontece. A discussão também circula no parlamento inglês. E, agora em maio, uma ONG irá dar dinheiro todos os meses para 6 mil quenianos durante uma década, enquanto acompanhará os resultados.

Segundo o site da Bloomberg, nos EUA os conservadores tendem a defender mais a receita mínima universal do que os liberais. Para os liberais, simplesmente distribuir a renda em forma de dinheiro é uma forma de reduzir o Estado, que se livraria de vários custos administrativos.

Para os liberais, no entanto, a medida é ruim porque incentivaria o Estado a deixar de investir em várias responsabilidades sociais, como saúde e educação — forçando os mais pobres a gastarem sua renda em coisas que eles já deveriam ter gratuitamente.

Renda mínima universal pode ser questão de sobrevivência

Especula-se que, nos próximos 20 anos, os robôs irão acabar com 49% dos empregos que conhecemos hoje. Há uma enorme discussão em torno de como seria o mundo pós-trabalho e o que se faria para não ampliar as desigualdades sociais.

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Uma das soluções seria, justamente, apostar em uma renda mínima universal. Yanis Varoufakis, que já foi ministro das finanças da Grécia, é um que aposta nessa tese como solução para o desemprego causado por robôs;

Em entrevista ao Tages Anzeiger, um jornal suíço, Varoufakis disse:

Progresso técnico significa que mais e mais empregos bem pagos vão desaparecer e isso vai encolher a classe média. Isso, por outro lado, causará uma concentração de renda e riqueza para as classes mais altas. É por isso que eu luto por renda básica com reformas político-sociais.

Ele entende que é até uma forma de manter a economia rodando e conseguir trazer um mínimo de estabilidade em tempos de desigualdades. “Robôs não compram produtos”, diz.

Mas com uma renda mínima garantida, não há o risco das pessoas ficarem em casa, trabalharem menos? Evelyn L. Forget, uma economista que estudou a questão em 1970 no Canadá acredita que não. Ela descobriu que a tendência é que os adultos mantenham as mesmas horas de trabalho. Há apenas uma exceção: as mulheres, quando têm filhos, passam a tirar licenças maternidades mais longas.

Varoufakis pensa semelhante. Segundo ele, com a receita mínima universal, as pessoas fariam como os ricos: não trabalhariam mais para sobreviver, mas sim para se realizar. Elas passam a atuar mais em ONGs, em projetos que acreditam ou estudariam mais tempo. “Por que hoje as crianças dos menos privilegiados não têm uma fração dessas oportunidades? Menos competição faria as pessoas menos ansiosas, mais criativas e ainda geraria novas riquezas”.

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