Na Amazon, robôs não estão roubando empregos; estão criando
amazon robos
Foto: Istock/Getty Images
Nova Economia > Modelos Disruptivos

Na Amazon, robôs não estão roubando empregos; estão criando

Kaluan Bernardo em 27 de fevereiro de 2017

Há uma crescente preocupação com a automação e a possibilidade de robôs tomarem empregos das pessoas, criando assim uma sociedade na qual não existam postos de trabalhos para todos. No entanto, no meio de tanto temor, e indo na contramão de muitas pesquisas, a Amazon mostrou que, em determinadas situações, os robôs podem ajudar a criar mais empregos.

Em 2016, a quantidade de robôs trabalhando na Amazon cresceu 50% e foi de 30 mil para 45 mil. A automação na companhia é uma tendência desde 2012, quando a Kiva Systems, uma empresa de robôs, foi adquirida por US$ 775 milhões.

Curiosamente, a empresa não perdeu 15 mil funcionários: pelo contrário, aumentou sua força de trabalho em 54% e agora conta com 341 mil colaboradores. Além disso, ela anunciou que pretende criar 100 mil novos postos de trabalho só nos Estados Unidos entre janeiro de 2017 e junho de 2018.

No gráfico abaixo é possível quanto cada um cresceu: a barra roxa representa o crescimento de contratações de humanos (54%), enquanto o azul representa o crescimento do uso de robôs (50%) desde o terceiro trimestre de 2015 na Amazon.

Amazon

Foto: Reprodução/Amazon

Mas os robôs não deveriam roubar nossos empregos?

Talvez não. Há diversos estudos, como um recente da consultoria McKinsey, que indicam que os robôs começarão pelos empregos mais manuais e em alguns setores específicos, como manufatura, agricultura, logística e varejo. E que isso não acontecerá do dia para a noite. Nesse meio tempo, a ideia de alguns é que a tecnologia movimente a economia o bastante para criar novas demandas de trabalho, empregos que não existiam antes.

É o que aconteceu na Amazon. Ao empregar robôs, a empresa conseguiu reduzir o preço das entregas, o que aumentou o número de pedidos e, consequentemente, fez a empresa como um todo precisar de mais funcionários.

LEIA MAIS
Por que a automação dos empregos poderá ser pior para as mulheres
LEIA MAIS
O problema da automação: como as máquinas podem nos destruir

É o que aconteceu nos bancos dos Estados Unidos, como mostra o Washington Post. Os caixas eletrônicos não reduziram o número de bancários, pelo contrário. Eles facilitaram os serviços, permitiram que os bancos crescessem ainda mais e contratassem mais funcionários para lidar com funções que as máquinas ainda não conseguem, como relações com os clientes e um atendimento especial.

Foi também o que aconteceu com o setor têxtil nos EUA durante o século 19. Embora ludistas tenham destruído máquinas e protestado contra elas, alegando que roubariam seus empregos, após alguns anos eles estavam ganhando mais do que o dobro que antes. Isso porque a tecnologia criou demanda por novos trabalhos, mais sofisticados, que os permitia cobrar mais pelos serviços.

Resta saber se em um cenário de crescimento exponencial, no qual a tecnologia deverá se aprimorar em velocidade cada vez mais intensa, a lógica continuará sendo essa, ou se, pouco a pouco, a balança se desequilibrará e mais postos de trabalhos desaparecerão do que surgirão. O exemplo da Amazon, por enquanto, pesa para o lado bom.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 205 [1] => 76 [2] => 157 [3] => 12 [4] => 237 [5] => 97 [6] => 249 [7] => 222 [8] => 62 [9] => 276 [10] => 259 [11] => 86 [12] => 267 [13] => 94 [14] => 68 [15] => 16 [16] => 167 [17] => 115 [18] => 186 [19] => 17 [20] => 102 [21] => 135 [22] => 173 [23] => 238 [24] => 175 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence