Andy Stern: o futuro do trabalho depende da renda mínima universal
renda mínima
Foto: Istock/Getty Images
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O que fazer após o fim do trabalho?

Kaluan Bernardo em 27 de outubro de 2016

O futuro do trabalho é um mistério. Ao passo em que a tecnologia avança e as máquinas conseguem fazer tarefas cada vez mais complexas, haverá empregos para todos? Talvez não. Estima-se que, nos próximos 20 anos, os robôs irão pôr fim em 49% dos empregos que conhecemos hoje. É o que o editor da revista Atlantic, Derek Thompson, chamou de uma era de desemprego tecnológico”. A resposta? Renda mínima universal.

É claro que haverá novas demandas e necessidades mais complexas, que também só poderão serem feitas por humanos. Assim, por mais que alguns empregos de colarinho branco desapareçam, também surgirão novos para resolver problemas que nem imaginamos hoje.

Ainda assim há quem acredite que não serão suficientes para atender as demandas de toda a população. Nesse sentido, alguns cientistas políticos, economistas e empreendedores tecnológicos apontam para uma solução: a renda mínima universal, uma assistência financeira garantida a todos. Dessa forma, qualquer pessoa, independente de ter emprego ou não, terá sua sobrevivência garantida.

Se o cenário parece distante, saiba que em vários países o tema está sendo intensamente debatido. No Vale do Silício, principal polo tecnológico, o debate também é intenso.

Na Quênia será feito o maior experimento do mundo em relação ao tema. Uma organização distribuirá renda a 26 mil pessoas e acompanhará como as pessoas continuarão ou não a trabalhar e que tipo de coisas elas produzirão.

O argumento a favor da renda mínima universal para um mundo sem trabalho

Recentemente, o site Vox trouxe o debate para Andy Stern, ex-presidente do sindicato dos trabalhadores nos Estados Unidos. Ele largou o cargo e foi estudar na Columbia University.

Quando questionado por que mudou de carreira, Andy disse: “Considero o movimento sindical o melhor programa de criação de empregos, antipobreza e de garantia de saúde que tivemos no século 20. Mas não estava funcionando bem no século 21”. Para ele, a solução ao novo século é justamente a renda mínima universal. Em seu mais recente livro “Raising the floor” (“Elevando o piso”, em tradução livre), ele explora o conceito.

“O motivo pela qual [a renda mínima universal] é necessária é que estamos aprendendo, por pesquisas sérias, que a mudança tecnológicas está acelerando, e esse processo continuará a desempregar trabalhadores e encerrar carreiras”, comenta.

Andy continua: “Eu acredito que a renda mínima universal é uma forma de facilitar a transição e garantir um piso para as pessoas – não necessariamente um substituto ao trabalho, mas um suplemento que dá sensação de segurança e poder de consumo. Queremos que as pessoas sejam empreendedoras, assumam riscos e criem crianças sem precisar transformar o mundo nos Jogos Vorazes”.

Ele vê que há problemas na renda mínima universal. “Certamente nosso conceito de trabalho é problemático”, diz. Andy afirma que as pessoas não perceberam o que podem fazer se não tiverem que trabalhar por dinheiro. E, nos Estados Unidos, a visão protestante de trabalho é muito enraizada, fazendo com que estranhem ganhar dinheiro “por nada”.

Muitos liberais econômicos defendem a renda mínima universal. Ao dar dinheiro para as pessoas, é possível reduzir o tamanho do Estado, que não precisaria gerenciar programas sociais, ou mesmo de saúde e educação. Andy concorda que a política pode reduzir o tamanho do Estado, mas não necessariamente precisa acabar com grandes programas. Eles podem coexistir.

Para o pesquisador, mais do que um debate entre esquerda e direita, é uma questão de as pessoas não aceitarem mais a economia como é hoje. E o que acontece com o mundo se a renda mínima universal não passar? Jogos Vorazes:

Se o capital atropelar o trabalho, as pessoas que o controlam ficarão mais ricas e as pessoas que oferecem trabalho serão menos necessárias. E isso é exatamente o que a inteligência artificial está fazendo: substituindo o capital pelo trabalho.

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