Renda mínima universal: por que o Vale do Silício defende?
Homem olha para relógio
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Por que o Vale do Silício defende a renda mínima universal

Kaluan Bernardo em 26 de maio de 2016

Em breve a tecnologia poderá acabar com a maioria dos empregos. Estima-se que, nos próximos 20 anos, os robôs irão pôr fim em 49% dos empregos que conhecemos hoje. E não sabemos exatamente como lidaremos com isso. Uma das situações que mais se discute para esse possível cenário é a “renda mínima universal” — assistência financeira garantida para todos.

Nesse cenário, todos os cidadãos receberiam auxílio do governo. Se o cenário parece distante para você, saiba que em vários países o tema está sendo intensamente debatido. E o Vale do Silício, na Califórnia (EUA), um dos maiores pólos de tecnologia do mundo, é um dos lugares que mais estão interessados no assunto.

Marc Andreesen, criador do Netscape e um dos maiores investidores em tecnologia, disse à New York Magazine que considera a ideia “muito interessante”. Sam Altmam, da aceleradora Y Combinator, uma das principais da região, acredita que a necessidade da renda mínima universal será uma “conclusão óbvia” da sociedade. Eles inclusive estão conduzindo um estudo, por cinco anos, com pessoas recebendo a renda.

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Alber Wenger, um investidor do fundo Union Square Ventures, escreve sobre o assunto desde 2013 e considera o recurso importante, principalmente quando várias das tecnologias que ele investe estão, aos poucos, tomando empregos de outras pessoas.

Frederico Pistono, empreendedor italiano e autor do livro “Robots Will Steal Your Job, but That’s OK” (“Os robôs vão roubar seu emprego, mas tudo bem”, em tradução livre) também defende que a renda mínima universal irá garantir tempo livre às pessoas e gerar uma sociedade com muito mais empreendedores procurando inovar.

Diferente do que alguns pensam, a renda mínima universal não necessariamente é uma pauta de esquerda. Segundo o site da Bloomberg, nos EUA, conservadores se interessam mais pelo tema do que os liberais. Para os conservadores distribuir renda pura e simples é uma forma de reduzir o Estado, que deixaria de precisar arcar com vários custos administrativos e programas de saúde e educação.

Para os liberais, no entanto, a medida é ruim porque incentivaria o Estado a deixar de investir em várias responsabilidades sociais, como saúde e educação — forçando os mais pobres a gastarem sua renda em coisas que eles já deveriam ter gratuitamente.

A renda mínima universal no mundo

Vale do Silício visto de cima.

Vale do Silício visto de cima. Foto: Patrick Nouhailler/ Creative Commons

A Suíça votará, ainda em 2016, se deve dar aos cidadãos uma renda mínima de 2.500 francos suíços (o equivalente a R$ 9,3 mil na cotação atual). A cidade de Utrecht na Holanda fez testes para ver a aceitação desse tipo de política. Ontário, no Canadá, fará um experimento também em 2016. A Finlândia pretende começar testar, entre 2017 e 2019, oferecer a renda mínima para seus cidadãos.

Yanis Varoufakis, que já foi ministro das finanças da Grécia, também aposta na renda mínima universal como solução para o desemprego causado por robôs. “Progresso técnico significa que mais e mais empregos bem pagos vão desaparecer e isso vai encolher a classe média. Isso, por outro lado, causará uma concentração de renda e riqueza para as classes mais altas. É por isso que eu luto por renda básica com reformas político-sociais”, diz em entrevista ao Tages Anzeiger, um jornal suíço.

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