Bastidores do Festival Path: Rafael Vettori quer um evento para todos
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Foto: Mari Caldas
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Bastidores do Festival Path: Rafael Vettori quer um evento para todos

Pedro Katchborian em 25 de abril de 2017
Rafael Vettori

Rafael Vettori Foto: Arquivo Pessoal

Rafael Vettori morava nos Estados Unidos quando o atentado de 11 de setembro assombrou o mundo. Jovem e prestes a fazer o vestibular, Rafael precisou voltar ao Brasil e escolheu cursar direito. Formou-se, perambulou entre empregos e, insatisfeito com a profissão, tirou um ano sabático. Nesse período, fez cursos de artes cênicas e descobriu uma paixão pela comunicação. Pulou de cargo em cargo na área: foi produtor e diretor de empresas como a Pródigo Films e a Box. A inquietação profissional de Rafael pode ser explicada por sua personalidade: “sou um cara de tentativa e erro”, diz. A tortuosa trajetória de Rafael o levou a ser, junto de Fábio Seixas, uma das mentes por trás do Festival Path, um dos maiores eventos de inovação e criatividade do Brasil e que acontece nos próximos dias 6 e 7 de maio em São Paulo.

Da advocacia para a comunicação foram “vários passos para trás”, admite, lembrando que teve que diminuir o salário e até usar a formação em direito para conseguir empregos na área de comunicação. Rafael conta que foi na produtora Box que entendeu o que era dar tração para uma empresa. “Eu tinha que prospectar trabalho, então foi uma escola”, diz.

A criação do Path e as pedras no caminho

A ida ao South by Southwest, um dos maiores festivais de inovação, tecnologia e entretenimento do mundo, em 2013, foi crucial para a criação do Path. No evento, Rafael encontrou o seu atual sócio na O Panda CriativoFábio Seixas. Inspirado pelo o que viu no SXSW, Rafael propôs a Fábio fazer algo parecido em São Paulo. Seis meses depois, em novembro, acontecia o primeiro Festival Path, com cerca de 500 pessoas.

Tanto Fábio quanto Rafael não tinham tanta experiência em eventos. “Tivemos que aprender tudo. O que tínhamos era uma boa ideia e vontade de executá-la”, diz. As dificuldades foram várias: “demos muito murro em ponta de faca”, afirma. Alguns desafios continuam até hoje: “é difícil comunicar o que é o festival, por que tomamos um cuidado de fazer um Path para todos”, explica. Ele detalha como essa comunicação da identidade poderia trazer mais benefícios para o evento:

É democrático, barato. É para qualquer tipo de pessoa interessada em mudança e conhecimento. A hora que esse valor ficar claro ficaremos do tamanho de um Rock in Rio ou um South by Southwest. Nosso público alvo é todo mundo.

Para mudar a situação, ele usa uma palavra: estrada. “O festival é um projeto de médio prazo. Demora para ganhar credibilidade”. E estrada é o que eles irão construir mais um pouco neste ano com a quinta edição. O Path promete agitar Pinheiros nos próximos dias 6 e 7 de maio em um evento que acontece no Instituto Tomie Ohtake, na Praça dos Omaguás, no Teatro Cultura Inglesa, no Centro Cultural Rio Verde, na FNAC e nos arredores.

Sobre o festival de 2017, Rafael cita a consistência como um dos destaques. “Acho que as coisas nesse ano estão mais amarradas. Além de estar mais claro qual é o nosso propósito e o porquê de organizarmos tudo isso, estamos muito mais donos da experiências que o festival oferece”, afirma. A feira de games, startups e rodadas de negócio focadas em audiovisual são alguns dos momentos que ele cita como mais estruturados. “O domínio dos processos vai evoluindo”, afirma.

Segundo ele, nomes como Sri Prem Baba (Awaken Love), Caio, do Ana Maria Brogui, e Juli Baldi, do Bananas Music mostram a diversidade do rol de palestrantes, que farão parte de mais de 162 painéis. Shows de LaBaq, Nuven e Terno Rei agitam a parte musical do festival, enquanto feiras de games, startups e uma mostra de documentários devem mexer com diferentes tipos de público. As mesas que Rafael chama a atenção são as de conteúdo, estratégias e possibilidades para YouTubers e o palco dedicado ao capitalismo consciente. Veja aqui mais informações sobre o evento.

Os quatro festivais anteriores serviram de aprendizado para que o Path chegasse no patamar que está, atraindo mais de 10 mil pessoas: “Aprendemos a fazer muito com pouco. Nos primeiros três havia pouco recurso”, lembra, dizendo que a equação do festival vai muito além dos dias de evento. “Precisamos ter um escritório vivo o ano todo”, afirma. Em julho, Rafael e Fábio já começam a se dedicar totalmente ao próximo festival. “A pesquisa para o ano seguinte já começou. Temos 20 ou 30 nomes mapeados”, diz.

Rafael também citou o preço como um fator que necessitou de aprendizado de vários festivais. O primeiro preço do Path foi de R$700. “Não vendemos nada”, brinca. O valor foi para R$400, mas só quando chegou em R$ 100 é que os convites começaram a ser vendidos. Atualmente, 40% do conteúdo é gratuito e o tíquete foi vendido a R$50 no primeiro lote.

O objetivo e o futuro do Festival

Afinal, qual é o objetivo do Path? Aquecendo a economia criativa da cidade de São Paulo, o evento se consolida a cada ano como um dos principais do país. “Queremos inspirar as pessoas a se arriscarem e fazerem coisas diferentes. Queremos divertir as pessoas, gerar conexões e negócios novos”, define.

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Em um futuro próximo, a intenção do festival é se consolidar ainda mais e ser “talvez um pouquinho maior”. Trazer palestrantes internacionais e aumentar os dias de evento também são vontades de Fábio e Rafael. O mais importante, segundo Rafael, é continuar democratizando o conteúdo.

Para continuar a melhorar a cada edição, Rafael explica a necessidade de, durante o hiato entre o fim do evento deste ano e o começo da organização do próximo, “dar uma desligada”. “É muita coisa”, comenta. “A produção do nosso festival é muito detalhada, são 162 painéis, com cerca de três pessoas em cada. Então eu tomo café com muita gente, faço nosso pitch de vendas para muitas pessoas. Eu vivo o festival”, afirma.

Portanto, para Rafael, a vida conectada deve dar lugar ao “pé na terra” no mês de julho. “Estou me ligando em permacultura e tenho uma fazenda no interior de São Paulo. Quero voltar um pouco para a minha família. É importante para mim e para o projeto que eu não esteja drenado com ele”, completa.

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