Tradr, o "Tinder do desapego" para comprar e vender usados
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foto: iStock, Getty Images
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Tradr, o “Tinder do desapego” para comprar e vender usados

Kaluan Bernardo em 17 de maio de 2016

Imagine poder comprar e vender objetos usados da mesma forma que você conhece alguém no Tinder. Essa é a proposta do Tradr, um aplicativo brasileiro que incentiva o desapego e a economia colaborativa local.

Você entra na rede social e monta sua lojinha: coloca uma foto do que está disposto a se desapegar, o preço, e se topa trocar por algo. No mesmo esquema do Tinder, começam a aparecer vários outros objetos para você comprar ou trocar. Se você deslizar para direita, ficará salvo entre seus “favoritos”. Se deslizar esquerda, quer dizer que você não está interessado.

Tudo isso funciona com geolocalização. Ou seja: você só vê os objetos de quem está em algum local próximo. Se quiser comprar, vender ou trocar, basta conversar com a pessoa e acertar como será o pagamento e a entrega.

O aplicativo ainda tem uma inteligência artificial por trás. Ele vai entendendo seus gostos e apresentando objetos que têm relação com o que já te interessa. Além disso, ele puxa as informações de seu Facebook e mostra o que seus amigos também estão comprando e vendendo.

screenshots do aplicativo Tradr

foto: divulgação

Como surgiu o Tradr e seu desapego

A ideia do aplicativo veio de Jéssica Behrens, 24 anos. Formada em comunicação na UnB e já tendo estudado empreendedorismo na Nova Zelândia, Jéssica estava querendo se reencontrar no Brasil. Resolveu que faria um desafio a si mesma: todos os dias do ano praticaria o desapego de algum objeto.

No entanto, percebeu que seria mais difícil do que pensava. “Sentia dificuldade de conectar minhas coisas às pessoas”, conta ao Free The Essence. Foi então que teve a ideia de criar uma startup que fosse um “Tinder de economia colaborativa”. “O Tinder é engajador, as pessoas acham legal, esse mecanismo binário de dizer se gosta ou não de algo funciona. Achei que poderia reproduzir”, diz.

Logo que teve a ideia, contou para uma série de amigos, até que um deles, Lucas Freitas, apresentou Jéssica para Zaki Djemal e Edward Lee, que estudavam economia comportamental e estatística em Harvard. Os três conversaram pela internet e resolveram inscrever a ideia no i-lab, laboratório de inovação da universidade estadunidense.

Jéssica foi para lá e, em seis meses, o quarteto passou a desenvolver o aplicativo. Tempo depois, Lucas saiu. Zaki e Edward continuaram tocando o negócio em Harvard, enquanto Jéssica veio para o Brasil e encontrou um novo sócio, Caio Rhian, que logo entrou para o programa de aceleração da Startup Farm. Do início até aqui, já levantaram mais de US$ 50 mil em investimento e, no momento, estão procurando mais.

A economia compartilhada no Tradr

Jéssica já havia empreendido antes. Ela havia criado o Tap Soup, um app que falava quais baladas tocam o tipo de música que você gosta em sua cidade. Não deu certo, mas o aprendizado foi um propulsor para a nova ideia. Fora apenas oito meses entre um negócio e outro

“O que me fez querer ter startups de novo foi o fato de eu ter me apaixonado pela ideia de desapego do Tradr e seu potencial de transformação para incentivar a economia compartilhada”, conta. Seus sócios são experts em inteligência artificial e big data. Ela aposta nesse know how para diferenciar o produto.

Ao entender o que as pessoas querem e como são seus hábitos de consumo eles conseguem entender melhor quem são os usuários e se diferenciam de concorrentes como OLX e Enjoei. “Focamos nas características sociais. Você se conecta com seus amigos, explora itens novos sem estar procurando por algo específico e conversa direto com as pessoas. Somos mais descentralizados”, defende.

Mas, segundo ela, o mais importante mesmo é incentivar a economia compartilhada e fazer que as pessoas desperdicem menos e valorizem mais seus itens. Ela defende:

Não é só uma ideiazinha divertida. Há propósito por trás. É necessário repensar nossos padrões de consumo. O capitalismo só é assim porque há quem consome sem se preocupar com a cadeia de produção e o impacto ambiental. Acredito que iremos mudar à partir de nossas escolhas de consumo.

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