A China está em guerra contra a poluição, mas e os resultados?
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Xangai, China Foto: Istock/Getty Images
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A China está em guerra contra a poluição, mas e os resultados?

Kaluan Bernardo em 12 de janeiro de 2017

O Ano Novo Chinês, em primeiro de outubro, marca o início do “outono dourado”, deixando o céu azul e um sentimento de renovação para os chineses. Em 2016, novamente, tudo o que os moradores de Beijing viram foi neblina. Isso porque o país segue sofrendo com a poluição.

“Você realmente pode cheirar a poluição. Seus olhos coçam, você tosse. É como uma sopa densa, muito rica, quando os níveis de poluição são muito altos: milhares de químicos, gases que são irritantes, cancerígenos”, descreve Jim Zhang, professor de saúde ambiental global na Duke University, à BBC.

Os níveis de contaminação do ar lá são tão altos que, diversas vezes, o governo declarou “guerra à poluição”. Só no início de 2017, 24 cidades receberam o “alerta vermelho” por conta de seus níveis de poluição. O sinal é o mais grave possível e, nesses situações, o governo chinês toma medidas drásticas, como banir qualquer carro muito poluente das ruas.

O que o governo chinês tem feito em sua guerra contra a poluição

O governo tem sido severo e esforçado na luta contra a poluição, avalia Changhua Wu, empreendedora de energias limpas e participante do Fórum Econômico Mundial. “Para ser justa, algum progresso tem sido feito, o número de dias em que há neblina têm diminuído, a concentração de poluentes medidos pelo Air Pollution Index (API) têm caído, e as pessoas vivendo em Beijing tem visto mais céus limpos”, escreve.

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Foto: Istock/Getty Images

Parte dos esforços do governo chinês para lutar contra a poluição tem sido adotar o rigor na fiscalização. O Ministério da Proteção Ambiental afirmou à CNN que puniu mais de 500 empresas, cerca de 10 mil donos de carros e 2.682 funcionários públicos por não respeitarem a legislação. Ao todo, foram arrecadados US$ 35 milhões em multas ambientais.

“Os custos de violar a lei são muito altos para ignorar”, diz Changhua. Ela cita a Lei de Proteção Ambiental, uma Emenda publicada em 2014, como um dos pilares para garantir a qualidade de vida lá.

Mas, mais do que leis, o governo e a iniciativa privada têm investido muito em tecnologia limpa, principalmente em relação à geração de energia. Em 2015, o investimento chinês em energia limpa foi de US$ 101,2 bilhões — 2,5 vezes mais do que a União Europeia, que investiu US$ 39,9 bilhões.

No mesmo ano, o país adicionou 15 GW de energia solar, acumulando capacidade de geração de 43,2 GW. Tornou-se líder no segmento, ficando à frente da Alemanha (38,4 GW) e Estados Unidos (27,9 GW).

O crescimento, no entanto, ainda não é suficiente para reduzir a dependência do carvão. A energia solar representa 3% da geração de energia no país.

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Em 2015, no entanto, a China tinha capacidade de geração de 924 GW de energia proveniente do carvão — conhecido como uma das fontes mais tradicionais, baratas e poluentes do mundo. De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde, de 2008, a produção de energia oriunda do carvão é responsável por encurtar mais de 1 milhão de vidas ao ano.

O país vive num paradoxo: ao mesmo tempo que tenta reduzir a dependência do combustível, ainda existem pressões e investimentos para criar novas usinas de carvão e atender as demandas energéticas.

“A extrema poluição de Beijing e o ‘alerta vermelho’ estão conectados ao vício da China em queimar carvão, e esse é um jeito muito intenso de geração de energia para o crescimento industrial. A queima de carvão tem sido a maior fonte de poluição de ar da China”, comenta Li Yan, representante do Greenpeace na China, em entrevista à BBC. “Novas usinas de carvão ainda estão sendo propostas e investidas por governos locais e empresas estatais como se estivéssemos nos bons velhos tempos. Mas eu duvido que haverá demanda suficiente para apoiá-los e elas se tornarão usinas ociosas”, conclui.

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