Bioconcreto que se regenera pode mudar construções
bioconcreto
Foto: Reprodução
Sustentabilidade > Na Rua

Bioconcreto que se regenera pode mudar construções

Kaluan Bernardo em 22 de setembro de 2016

Pesquisadores holandeses desenvolveram um novo tipo de concreto, capaz de se regenerar. A novidade foi desenvolvida na Universidade Técnica de Delft e utiliza bactérias.

O bioconcreto, como é conhecido, é um material literalmente vivo. Ele é uma mistura de concreto tradicional com bactérias conhecidas como Bacillus pseudofirmus e Sporosarcina pasteurii. Elas são super-resistentes, capazes de sobreviverem em ambientes hostis (como vulcões ativos). Suas colônias vivem por mais de 200 anos desde que existam partículas para se alimentarem.

Na maior parte do tempo, as bactérias ficam inativas. No entanto, quando surge uma fissura, a umidade das chuvas as “acorda” e faz com que procurem alimento, produzindo uma espécie de calcário capaz de fechar rachaduras em até três semanas.

A inovação pode ser usada de três formas: um spray que pode ser jogado em pequenas rachaduras de concreto; uma argamassa para ser aplicada em grandes estruturas e ser misturada na quantia necessária; ou na utilização direta do bioconcreto. Enquanto o spray já é comercialmente viável, os outros dois ainda estão em fases de teste.

O mercado para o bioconcreto

A inovação tem seus limites. O primeiro é o preço, que ainda é consideravelmente proibitivo. Enquanto o concreto normal custa aproximadamente R$ 300 por metro cúbico, o bioconcreto pode chegar a R$ 428 por metro cúbico.

Além disso, enquanto as bactérias podem cobrir rachaduras de qualquer extensão, as fissuras devem ter largura de, no máximo, 0,8 milímetros.

Leia também:
Urban3D, a empresa que quer imprimir casas populares
Construção sustentável na suíça será autossuficiente em energia

A principal aposta dos pesquisadores está em regiões frágeis, como costeiras e tropicais, que enfrentam muitas tempestades e lidam diariamente com o prejuízo de concreto rachado.

Hendrik Jonkers, criador da invenção, diz ao jornal britânico The Guardian que eles fizeram, por exemplo, um teste em um canal de irrigação no Equador, onde há muitos abalos sísmicos, e a novidade foi bem recebida.

Nós estamos fazendo testes no mundo todo, principalmente em países em desenvolvimento, onde isso [o bioconcreto] é mais caro que a tecnologia atual, e eles veem o lucro porque podem evitar os custos de reparo.

De fato, há um mercado enorme pela frente, uma vez que o material mais consumido e produzido no mundo, após a água, é o concreto. Até 2030, o crescimento urbano em países como China e Índia nos levarão a produzir 5 bilhões de toneladas de concreto por ano. Hoje, a produção do material é responsável por 8% da emissão de gases poluentes segundo a WWF.

A HealCon, uma organização que pretende utilizar o material, estima que, apenas na União Europeia, se gaste mais de € 6 bilhões em concreto. Se apenas uma parcela adotar o bioconcreto, os cientistas terão muito a comemorar. Veja um pouco mais no vídeo abaixo, em inglês:

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
  • Ronin

    Já testaram os possíveis problemas que essas bactérias possam trazer para os futuros moradores dos prédios construídos com esse material?
    Às vezes tentam enfiar na cabeça da gente que isso é modernização, mas nem sempre visam o nosso bem estar, senão a grana que vai entrar o bolso de que produz isso.
    Hoje a vida humana tem menos valor que papel moeda ou níqueis com ou sem bronze. Pensem nisso…

    • Jorge Neves

      A inovação não pensa nisso. Senão, a gente não teria inovação, pesquisa etc.

      • Helder

        Ronin, se a norma ISO-9000 existisse antes dos carros, estes não poderiam ser inventados pois o tanque de combustível ficava sobre o motor e poderia explodir (não existia o carburador). Depois disseram que os carros não poderiam passar de 60 km por hora senão as pessoas morreriam. Até pouco tempo atrás não existiam os “air bags” nem freio ABS. A evolução se dá por etapas, resolvendo problemas pouco a pouco. A reportagem informa que eles acabaram de desenvolver e estão avaliando a viabilidade industrial. Ainda bem que os cientistas não dão ouvido a críticas enquanto resolvem os problemas daqueles que os criticam.

      • Helder

        Ronin, se a norma ISO-9000 e a “técnica” de FMEA existisse antes dos carros, estes não poderiam ser inventados pois o tanque de combustível ficava sobre o motor e poderia explodir (não existia o carburador). Depois disseram que os carros não poderiam passar de 60 km por hora senão as pessoas morreriam. Na década de 60/70 não se utilizavam cintos de segurança. Até pouco tempo atrás não existiam os “air bags” nem freio ABS. A evolução se dá por etapas, resolvendo problemas pouco a pouco. A reportagem informa que eles acabaram de desenvolver e estão avaliando a viabilidade industrial. Ainda bem que os cientistas não dão ouvido a críticas enquanto resolvem os problemas daqueles que os criticam.

  • Helder

    Ronin, se a ISO9000 existisse antes dos carros, estes não poderiam ser inventados pois o tanque de combustível ficava sobre o motor e poderia explodir. Depois disseram que os carros não poderiam passar de 60 km por hora senão as pessoas morreriam. A evolução se dá por etapas, resolvendo problemas pouco a pouco. A reportagem informa que eles acabaram de desenvolver e estão avaliando a viabilidade industrial. Ainda bem que os cientistas não dão ouvido a críticas enquanto resolvem os problemas daqueles que os criticam.

  • Paulo

    Necessariamente não precisa ser usado em casas, mas seria uma ótima opção para estruturas maiores como pontes,viadutos, túneis para metrô, torres, sapatas, fundações… As aplicações são ilimitadas…. é o futuro,,, vale a pena ser estudado

Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 25 [12] => 157 [13] => 66 [14] => 67 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 175 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence