Alimentação orgânica: vantagens e onde consumir
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Alimentação orgânica: vantagens e onde consumir

Camila Luz em 6 de abril de 2017

Manter uma alimentação orgânica vai além de consumir produtos sem agrotóxicos e adubos químicos. Outras substâncias como drogas veterinárias, hormônios, antibióticos, nitratos e metais pesados também devem ser evitadas por pessoas que desejam comer de forma mais saudável.

A alimentação orgânica pode trazer muitos benefícios para a sua saúde e para o meio ambiente. Mas mantê-la pode ser mais difícil do que parece. Orgânicos não são vendidos em qualquer mercado e, além disso, o ideal é conhecer a origem do que você está comprando.

Alimentos orgânicos também podem custar mais caro do que os tradicionais nos grandes mercados. Mas há formas de comprar produtos mais baratos adquirindo direto do produtor e se manter fiel ao seu propósito.

O que são alimentos orgânicos?

São todos os produtos provenientes de um sistema agrícola que evita o uso de fertilizantes artificiais, pesticidas, reguladores de crescimento, aditivos, hormônios, drogas veterinárias e organismos geneticamente modificados.

Os alimentos orgânicos são isentos de qualquer tipo de substância que ponha em risco a saúde do consumidor, produtor ou do ambiente onde é cultivado. Portanto, para ser considerado orgânico, deve ser produzido sob os princípios da agricultura orgânica. Essa abordagem que trabalha em prol da produção sustentável baseada em três tripés: ambiental, social e econômico.

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A agricultura orgânica contempla o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais. Além disso, não explora a mão de obra e respeita relações sociais e culturais. Ela depende de sistemas como a rotação de culturas, controle biológico de pragas, adubação verde, desmate manual e uso de adubos de origem animal e vegetal.

O desenvolvimento agrícola sustentável tem como objetivo ampliar os benefícios sociais e econômicos para agricultores, minimizar a dependência de energias não renováveis, melhorar a saúde do solo e ofertar produtos saudáveis e de alto valor nutricional.

Geralmente, os métodos empregados na agricultura orgânica são regulados por normas estabelecidas pela Federação Internacional dos Movimentos da Agricultura Orgânica (IFOAM). A organização reúne agricultores de 88 países, incluindo o Brasil.

Alimentos orgânicos: quais são eles

Segundo a legislação brasileira, o alimento considerado orgânico deve ter no máximo 5% de ingredientes não-orgânicos em sua composição. Os produtos que têm uma porcentagem maior são “produtos com substâncias orgânicas”.

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Quando se fala de orgânicos, os primeiros alimentos que vêm à cabeça são verduras, frutas e legumes como rúcula, alface, agrião, abobrinha, pimentão, tomate, banana e uva. Mas é possível cultivar outros produtos nessas condições, como a soja (um dos principais alimentos orgânicos exportados pelo Brasil), cana-de-açúcar e até carnes.

Segundo a WWF (World Wide Fund for Nature), uma organização não-governamental com foco em conservação do meio ambiente, a carne orgânica é produzida a partir de um “sistema ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável”.

Na aparência, ela assemelha-se às carnes convencionais, mas têm qualidade muito superior. Afinal, é totalmente isenta de resíduos químicos. Os animais são tratados da maneira mais natural possível, utilizando apenas medicamentos fitoterápicos e homeopáticos. São vacinados e alimentados com pasto sem agrotóxicos. A WWF considera que seu consumo é mais seguro e saudável.

Além de proibir o uso de substâncias químicas, o cultivo de carne orgânica conserva e protege nascentes, rios e lagos e proíbe a utilização do fogo no manejo das pastagens.

Vantagens da alimentação orgânica

A alimentação orgânica tem sido mais procurada por pessoas preocupadas em manter um estilo de vida saudável. Isso também inclui evitar alimentos processados, industrializados ou cheios de substâncias químicas.

Resíduos encontrados em alimentos podem causar distúrbios como reações alérgicas, respiratórias ou hormonais. Além disso, os alimentos orgânicos são mais saborosos, com sabor e aroma mais intensos, além de mais nutritivos, pois são cultivados em solos ricos em adubos naturais.

Quem opta por uma alimentação orgânica também deixa de contribuir com uma série de impactos ambientais negativos. Adotar esse estilo de vida faz parte de uma tomada de consciência sobre como nossas ações influenciam as mudanças climáticas, a erosão do solo e a extinção de animais, por exemplo.

Por fim, o produto orgânico é certificado. Sua qualidade é assegurada por Selos de Certificação fornecidos por associações de agricultura orgânica, como a latino-americana IBD Certificações.

Vantagens da produção de orgânicos

Para os agricultores, as vantagens de produzir orgânicos são grandes. O cultivo não causa prejuízos para o solo e, portanto, o mantém saudável para novas plantações. O produtor está de acordo com as legislações ambientais e não coloca sua saúde em risco.

Muitos produtores utilizam produtos químicos e agrotóxicos de forma inadequada, pois não recebem assistência técnica ou qualificação. Acabam contaminando o meio ambiente e a si próprios.

A longo prazo, a produção de orgânicos também pode trazer autonomia para o agricultor, já que ele consegue manter sua propriedade sem se endividar pela compra de produtos químicos caros. Suas terras ficam mais férteis e a capacidade de produção aumenta.

Desafios da produção de orgânicos

Produzir orgânicos traz benefícios imediatos para o meio ambiente e a longo prazo para os agricultores. Por quê, então, o mundo todo não trabalha com esse tipo de cultivo?

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A curto prazo, o cultivo tradicional permite a produção de alimentos em maior escala. Mas a longo prazo, degrada o solo e o inutiliza para novas plantações. Hoje, a agricultura ainda é muito focada na monocultura, produzindo grãos como soja e milho para fazer combustível. Além disso, há o monopólio de grandes empresas que produzem agrotóxicos.

A maioria dos produtores brasileiros ainda aposta em alimentos convencionais. Quando produtos químicos são utilizados, o solo fica pobre em nutrientes. Em regiões onde as chuvas são fortes, pior ainda: o chão fica lavado e pouco fértil. Quem deseja começar a cultivar orgânicos precisa tornar a terra saudável – o que pode ser um processo difícil e lento.

A conversão do solo pode ser feita a partir de várias técnicas. Uma delas é a adubação verde: o agricultor planta variedades de leguminosas e gramíneas que produzem bastante matéria orgânica e ajudam a fixar nitrogênio no solo.

Outra técnica é a cobertura morta, na qual o produtor junta folhas e galhos para criar uma camada vegetal na terra, sem deixá-la exposta. A proliferação de bactérias e minhocas aumenta e o solo fica nutrido e protegido da erosão.

A rotação de culturas é uma técnica mais popular e muito importante para repor os nutrientes e conservar o espaço agrícola. Ela consiste em plantar várias espécies de forma alternada, pois o cultivo de apenas um alimento empobrece a terra. A monocultura é um dos motivos que aumenta a demanda pelo uso de fertilizantes.

Onde comprar alimentos orgânicos

Muitos supermercados já disponibilizam alimentos orgânicos para seus consumidores, assim como feiras e armazéns. Mas é preciso ficar atento ao preço. Um dos principais entraves para a popularização dos produtos conscientes é a ideia de que custam mais caro do que os convencionais.

Mas uma pesquisa feita pelo Instituto Kairós em 2015 mostrou que é possível comprar orgânicos por preços até mais baixos. Em supermercados eles realmente custam mais caro, já que o estabelecimento os revende como algo diferenciado e raro. Segundo o estudo, quem aumento o valor é o próprio mercado, e não o fornecedor.

O Instituto Kairós sugere que o ideal é comprar orgânicos direto do produtor em feiras ou grupos de consumo responsável. Metade dos orgânicos vendidos nesses grupos são mais baratos do que os convencionais repassados por supermercados.

Para conhecer as feiras e grupos de consumos responsáveis que vendem orgânicos no Brasil, veja o mapa de alimentos naturais feito pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

O mercado de orgânicos no Brasil

Segundo o SEBRAE, o Brasil está se consolidando como um grande produtor e exportador de alimentos orgânicos, como mais de 15 mil propriedades certificadas ou em processo de transição. Setenta e cinco por cento dessas propriedades pertence à agricultura familiar. Infelizmente, o Brasil também é o líder mundial no consumo de agrotóxicos segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Hoje, a Dinamarca é o país que mais consome orgânicos no mundo. Desde 2007, a procura por produtos sem substâncias químicas aumentou 200%. Em 2015, o governo anunciou que pretende dobrar a área de cultivo desses alimentos.

O Brasil ainda está longe do nível da Dinamarca, mas a procura por orgânicos está crescendo, o que incentiva pequenos produtores. No entanto, também é preciso que mais investimento governamental seja feito para capacitar agricultores e garantir que consigam se sustentar sem comprar agrotóxicos.

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  • Leandro Oliveira

    Matéria muito boa !! Gostei, parabéns !

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