Beleza consciente: cosméticos naturais, marcas livres de crueldade e mais
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Beleza consciente: cosméticos naturais, marcas livres de crueldade e mais

Camila Luz em 21 de abril de 2017

Adotar uma rotina de beleza consciente significa investir em cosméticos naturais, orgânicos ou veganos. Se você está em dúvida sobre quão importante é mudar seus hábitos diários de consumo, comece pela informação. O primeiro passo é entender quais são os males causados por produtos artificiais.

O mercado de cosméticos, um dos maiores do planeta, é dominado por empresas gigantes que faturam bilhões todos os anos. Avon, L’Oréal, Olay, Neutrogena, Nivea, Lancôme e Dove estão entre as mais rentáveis do mundo segundo a revista Forbes.

As chances de que você tenha em casa produtos de alguma das empresas acima são grandes. É costume comprar na farmácia produtos de marcas confiáveis divulgados pela publicidade. Muita gente não sabe, mas existem alternativas. Produtores locais e empresas estrangeiras investem na fabricação de cosméticos com menos substâncias artificiais há algum tempo. Muitas vezes, o preço é mais caro, mas mesmo quando isso acontece, o custo-benefício compensa. E sua consciência agradece.

Perigos de usar cosméticos artificiais

Em entrevista ao Free the Essence, Nyle Ferrari, jornalista e dona do blog Lookaholic, explica quais são os riscos de usar cosméticos que contêm substâncias como parabenos, formol e ftalatos. Tais ingredientes podem causar efeitos diversos, como alergias identificadas a partir de coceira, vermelhidão na pele e outras reações menos imediatas.

Outro problema mais preocupante está relacionado ao efeito cancerígeno que cosméticos podem ter. Alguns ingredientes desequilibram o sistema hormonal e fazem com que o corpo passe a produzir células de forma desordenada, formando tumores. Parabenos, por exemplo, são capazes de imitar o estrogênio no organismo e causar esses desequilíbrios.

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Cosméticos artificiais também podem não ser tão eficientes quanto aparentam. Produtos para o cabelo, como shampoo, condicionador e hidratante podem conter substâncias derivadas do petróleo, como parafina líquida, vaselina, óleo mineral e petrolatum. Esses ingredientes produzem uma película nos fios que dá brilho e uma aparência saudável. No entanto, não tratam as madeixas: o efeito é superficial e ainda impede que vitaminas e nutrientes sejam absorvidos com mais eficácia.

Além disso, cosméticos artificiais prejudicam o meio ambiente dependendo de como são produzidos e descartados. Esfoliantes e certas marcas de pasta de dente que contêm microesferas de plástico são capazes de contaminar o oceano, os seres humanos e outros animais.

Os microplásticos medem menos de 1mm e são feitos do polipropileno. Inseridos em produtos de beleza e de higiene diária, são bolinhas aparentemente inocentes que removem impurezas e causam uma sensação agradável em contato com o corpo. Mas quando descem pelo ralo da pia ou do chuveiro, entram no sistema de água e contaminam rios e oceanos. São engolidos por peixes que, por sua vez, chegam até o prato e são consumidos por nós, seres humanos.

Há, ainda, marcas que testam seus produtos em animais, o que é repudiado principalmente por veganos.

Testes em animais

Há inúmeras formas de testar cosméticos em animais, mas algumas delas são especialmente cruéis pois o bicho está consciente e sente dor.

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O teste de irritação dos olhos, por exemplo, consiste em aplicar os produtos diretamente nos olhos de coelhos conscientes e observar se apresentam irritação.

Outro teste, chamado “Draize de Irritação Dermal”, consiste em mobilizar o animal enquanto substâncias são aplicadas em peles raspadas e feridas. Observa-se sinais de enrijecimento cutâneo, úlceras, edemas e outros problemas.

A PEA (Projeto Esperança Animais) divulgou em seu site uma lista de marcas nacionais que não testam em animais. Entre as que não realizam os testes estão Abelha Rainha, Mahogany, Beleza do Bem, Natura, Nazca, OX, O Boticário, Davene, Farmaervas, Vitturia e Granado. Veja a lista completa.

A PEA não divulga a lista de marcas nacionais que testam em animais, mas repassa a lista internacional da PETA (People for Ethical Treatment of Animals). Entre as empresas citadas, estão a Clinique, Close-up, Givenchy, Giorgio Armani, Johnson e Johnson, Kerastase e L’Ocitane. Veja a relação completa.

O que são cosméticos naturais

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Os cosméticos naturais prometem menos agressões à saúde e à natureza, além de resultados mais eficazes. Mas como identificá-los? Muitas lojas vendem produtos lotados de substâncias químicas como se fossem naturais porque contêm uma pequena porcentagem de ingredientes diferenciados.

Os cosméticos naturais devem conter 95% de ingredientes naturais e apenas 5% de substâncias artificiais. No entanto, a lei brasileira não determina um valor exato, o que dá espaço para enganações. Fique atento ao rótulo do produto para fazer boas escolhas. Também procure por certificados de órgãos independentes, como a Ecocert.

Chá verde, camomila, vitamina E, glicerina, camomila, açaí e lavanda são alguns dos ingredientes encontrados em cosméticos naturais.

O que são cosméticos orgânicos

Os produtos orgânicos sempre são naturais, mas nem todo natural é orgânico. Em poucas palavras, o cosmético orgânico é feito de ingredientes naturais livres de agrotóxicos e substâncias químicas. Eles devem ser certificados por órgãos independentes, como a Ecocert ou a IBD, que exigem o mínimo de 95% de ingredientes orgânicos sobre o total de ingredientes vegetais.

Fragrâncias, corantes sintéticos e ingredientes similares não estão presentes nos cosméticos orgânicos. Sua fabricação não agride o meio ambiente e nem os animais, além de apresentar menos riscos à saúde.

O que são cosméticos veganos

Já os cosméticos veganos são livres de qualquer insumo de origem animal e não fazem testes em animais. A União Europeia já proibiu a comercialização de produtos que tenham sido testados nos seres vivos. No Brasil, no entanto, a venda ainda é liberada.

A indústria de beleza pode usar inúmeros ingredientes de origem animal na composição dos produtos de beleza, como colágeno, aminoácidos isolados, lanolinas puras e ésteres derivados do sebo animal.

Os principais selos que indicam que o cosmético é vegano são o Cruelty Free, da PETA, e o Certified Vegan, da Vegan Action.

Como adotar uma rotina de beleza natural?

Adotar uma rotina de beleza natural pode ser mais simples do que você imagina e uma das melhores formas de não agredir o meio ambiente ou prejudicar os animais. Mas atenção: nada de jogar fora todos os cosméticos que já tem em casa e substituir por produtos novos. Vá substituindo gradativamente para não gerar desperdiço e lixo ambiental à toa.

Um dos preceitos da beleza natural é reduzir as agressões também ao meio ambiente. O acúmulo de embalagens e o descarte incorreto dos líquidos poderá gerar impactos negativos, assim como o desperdício de produtos que já consumiram matéria-prima da natureza.

Além de procurar por grandes marcas que vendem produtos naturais, orgânicos ou veganos, busque por fabricantes na sua região. Amigos ou pequenas lojinhas da sua cidade podem produzir cosméticos de qualidade usando substâncias naturais.

Outra opção é fabricar seus próprios produtos de beleza natural. Você pode fazer um hidratante para o cabelo usando banana amassada e azeite de oliva. Ou um esfoliante para os lábios usando mel e açúcar cristal.

Para adotar uma rotina de beleza natural, uma boa dica é evitar produtos em spray, optando pela versão cremosa, além dos hipoalergênicos, que costumam ter menos ingredientes nocivos na fórmula.

Veja receitas de produtos de beleza no vídeo abaixo:

No Poo e Low Poo

No Poo e Low Poo são técnicas de cuidados capilares que evitam shampoos que contêm sulfatos, petrolatos e outras substâncias prejudiciais aos fios. Quem deseja adotar uma rotina de beleza natural deve ficar por dentro dessas técnicas, pois elas podem se encaixar no seu novo estilo de cuidar do corpo.

O Low Poo consiste em deixar produtos nocivos de lado, substituindo-os por shampoos com caráter de limpeza leve, que não agridem a fibra capilar. Esses cosméticos geralmente são naturais ou orgânicos, mas também podem ser convencionais.

Já o No Poo sugere a total abolição do shampoo. Nesse caso, todos os produtos derivados do petróleo são deixados de lado, como cremes e finalizadores. A lavagem é feita pelo co-wash, um único produto que não contém silicone e substitui vários cosméticos: shampoo, condicionador, creme para pentear, hidratante e finalizador. Já pensou na economia de dinheiro?

Cuidados essenciais da beleza consciente

Ainda que cosméticos naturais sejam considerados menos prejudiciais à saúde, eles podem sim gerar problemas de saúde ou resultados ineficazes. O ideal é consultar um dermatologista antes de escolher produtos para o rosto ou cabelo, por exemplo.

Em primeiro lugar, leia os rótulos. Se encontrar substâncias que desconhece ou duvida da eficácia, pesquise ou pergunte para um especialista. Além disso, nunca escolha pelo preço. O ideal é analisar a qualidade dos ativos presentes. O hidratante para o cabelo de banana com azeite que você fez em casa pode funcionar melhor do que o condicionador importado caríssimo que a vendedora da farmácia prometeu que faria maravilhas.

Também fique atento ao seu tipo de pele e cabelo. As técnicas Low Poo e No Poo, por exemplo, funcionam muito bem para quem tem cabelo cacheado e seco. Já quem é dono de madeixas escorridas e oleosas pode sofrer para se adaptar à nova rotina.

Pessoas que sofrem com problemas dermatológicos podem precisar de cosméticos especiais, recomendados pelo médico. Quem tem pele sensível também: certos produtos, naturais ou não, podem causar descamação e vermelhidão na cútis.

Não se esqueça dos bons hábitos. Adotar uma rotina de beleza natural não significa apenas comprar cosméticos sem substâncias químicas. Beber bastante água, alimentar-se de forma saudável, praticar exercícios físicos e tratar o estresse são essenciais para evitar queda de cabelo, acne, envelhecimento precoce e outros problemas.

Por fim, entoe as duas regras de ouro como uma mantra: não saia de casa sem protetor solar e nunca esqueça de tirar a maquiagem.

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