Melhores dicas para construir e adaptar uma casa sustentável no Brasil
casa sustentável
Foto: Istock/Getty Images
Sustentabilidade > Em Casa

Melhores dicas para construir e adaptar uma casa sustentável no Brasil

Camila Luz em 8 de dezembro de 2016

Ter uma casa sustentável não é um conceito futurista e inviável no Brasil de hoje. Há diversas formas de reduzir os impactos negativos da sua residência no ambiente, controlando o gasto de água, de energia e o descarte incorreto de lixo. Tudo isso prezando pelo uso de materiais conscientes, por exemplo.

O conceito de construção sustentável vem se delineando desde os anos 1960. Na década seguinte, a crise do petróleo alavancou a busca por sistemas prediais mais eficientes e menos impactantes, reduzindo o consumo de energia. No Brasil, o esse conceito se desenvolveu a partir de 1992, quando foi realizado no Rio de Janeiro o “Encontro Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Humano”.

LEIA MAIS
Energia solar: qual a diferença entre placas fotovoltaicas e fototérmicas
LEIA MAIS
Renova Green oferece energia solar em casa por R$ 19,90 por mês

A engenheira ambiental e consultora de sustentabilidade Thais Firmino explica que para construir uma casa sustentável é preciso pensar em todo o ciclo de vida do empreendimento. Desde o projeto até a desconstrução, é possível tomar medidas que reduzem impactos negativos.

Se você vai construir sua casa sustentável em breve, o primeiro passo é dar atenção ao projeto: “A primeira coisa para a qual você tem que se atentar é a arquitetura da casa, é a coisa mais importante”, diz. “Normalmente, é nisso que as pessoas querem economizar. Mas um projeto bem elaborado vai prezar pela ventilação natural, iluminação natural, e vai trazer mais economia no futuro”, conta.

Se você já tem sua casa construída, ou mesmo se mora em apartamento, é possível adaptar os sistemas e tomar medidas para reduzir os impactos negativos.

Dicas para uma casa sustentável

Construa varandas, telhados verdes e jardins verticais

casa sustentável

Foto: Istock/Getty Images

“Varandas são muito boas para o nosso clima, pois sombreiam a casa”, explica. Com a varanda, você pode deixar tudo aberto e ainda assim evitar que bata sol de forma direta ou que a água da chuva invada o interior. Portanto, investir em varandas é uma forma de manter a casa ventilada e de utilizar iluminação natural.

Telhados verdes e jardins verticais podem ser montados em casas que já estão construídas. Plantar no telhado funciona como isolante térmico: protege contra as altas temperaturas no verão e ajuda a manter a temperatura interna no inverno.

Os jardins verticais também ajudam na manutenção da temperatura e a manter a casa sustentável sempre ventilada. Além disso, certas plantas purificam o ar, realizando o sequestro de carbono para fazer fotossíntese.

Como economizar água

O “arejador” de torneira é uma peça simples, facilmente instalável e que pode reduzir o gasto de água. Ele tem a função de diminuir o fluxo, mas mantendo a sensação de volume e direcionando o jato. Quanto maior a pressão, maior a economia. Alguns chuveiros vêm com a peça e são as melhores escolhas.

Foto: Istock/Getty Images

Foto: Istock/Getty Images

A descarga é um problema sério, pois toda vez que você aperta o botão, seis litros de água vão para o ralo. Hoje, há as descargas de duplo acionamento: o botão menor gasta apenas três litros, enquanto o maior gasta seis. Eles devem ser acionados de acordo com a necessidade. Outra opção, bastante válida para empresas, é instalar mictórios, que gastam apenas 1,5 litros.

A água residual da máquina de lavar e a água de condensação do ar condicionado podem ser utilizadas para fins não nobres: regar plantas, lavar pisos ou dar descarga. “Na minha casa, a água de condensação do ar condicionado, que fica ligado a noite toda, enche um balde de água por noite. Nós a utilizamos para regar as plantas”, conta Thais.

A água da chuva também pode ser usada para esses fins. A captação começa no telhado, com a instalação de calhas (que praticamente todas as casas já têm) e canos. Antes de cair no reservatório, a água deve passar por um filtro para retirar impurezas, como folhas. Depois, é armazenada em uma cisterna ou é bombeada para uma caixa d’água separada no telhado.

Como a água da chuva não é potável, é preciso sinalizar. Canos verdes, por exemplo, indicam que é destinada a usos não nobres.

Como economizar energia e usar fontes limpas e renováveis

“Para usar energia solar, não é preciso fazer muitas alterações na casa”, explica Thais. “Você precisa instalar as placas fotovoltaicas no telhado e o inversor, aparelho que pode ser colocado em qualquer lugar. Ele é necessário, pois a placa produz corrente contínua e nossas tomadas corrente alternada, então ele só vai fazer essa conversão”, completa.

As placas fotovoltaicas produzem energia elétrica que será utilizada para ligar fogões, geladeiras, computadores, chuveiros elétricos, televisores e outros dispositivos. Para aquecer a água do chuveiro, também é possível usar coletores solares. Esses dispositivos usam a radiação solar para aquecer o fluido, gerando energia térmica.

“O coletor solar é importante pois o chuveiro é responsável pelo horário de pico de energia do Brasil. Todo mundo chega em casa e vai tomar banho”, afirma.

Aí o que acontece: esse pico de energia faz a concessionário ter que produzir muito mais energia do que se o gasto fosse mais estável. Quando você usa o coletor solar, não gasta energia. Então contribui para diminuir esse pico.

Para economizar ainda mais energia ao usar painéis fotovoltaicos, é possível usar o sistema on-grid. Nesse caso, os inversores têm outra função além de transformar corrente contínua em corrente alternada: sincronizam o sistema com a rede pública de energia.

Dessa forma, a energia produzida em excesso é direcionada para a rede e você pode utilizá-la em outra propriedade sua, que seja abastecida pela mesma concessionária de energia e esteja registrada no mesmo CPF.

Caso não tenha outra propriedade para abastecer, é possível reutilizar essa energia no futuro, pois ela fica garantida pela concessionária em forma de crédito. Se comprar um ar condicionado, por exemplo, será possível abastecê-lo dessa forma sem precisar produzir energia extra.

Usar lâmpadas de LED, que são mais econômicas, também é importante. Mas atenção: não troque todas de uma vez. Espere que as lâmpadas de maior gasto queimem para depois trocá-las, evitando o desperdício.

O mesmo vale para eletrodomésticos. Ao trocar os que você já tem por aparelhos mais econômicos, não se esqueça de doá-los ou de descartá-los da forma correta, para evitar o desperdício.

Para comprar eletrodomésticos econômicos, fique atento ao selo Procel, que mostra o quão eficiente é o produto. O selo A é o melhor em eficiência, mas ainda assim os gastos são relativos: aparelhos maiores irão gastar mais, então só os adquira se realmente for necessário.

Materiais conscientes

Ao construir uma casa sustentável ou realizar reformas na sua residência, procure usar madeira certificada, caso opte por esse material. “Se não é certificada, a madeira provavelmente vem da Amazônia e você vai estar compactuando com o desmatamento”, afirma a engenheira ambiental.

A madeira certificada é a de reflorestamento, feito pelo manejo sustentável. Nesse caso, as árvores são cortadas em locais estratégicas, para que toda uma área não seja desmatada de uma vez. “Você não corta todas as árvores uma do lado da outra, corta uma em cada lugar e vai replantando para a floresta se manter”, explica. “Se cortar todas, vai acabar com o solo e nada mais vai crescer ali”, explica.

No manejo sustentável, para cada árvore cortada, várias outras são plantadas. No caso da Mata Atlântica, extremamente devastada, é preciso plantar 10 novas para cada árvore retirada da natureza.

Outra opção é adquirir madeira plastificada, que usa restos do material e plástico moído. “Fica parecido com a madeira, mas é um produto reciclado”, diz. Os outros materiais também precisam ser adquiridos com consciência. Procure comprar de produtores locais, para valorizar o comércio da região e evitar impactos causados pelo transporte. Também é fundamental verificar a responsabilidade social do fornecedor, para evitar a exploração de mão-de-obra e o trabalho escravo, por exemplo.

Reciclagem

Atitudes conscientes também constróem uma casa sustentável. Para reduzir impactos, faça a coleta seletiva e encaminhe para a reciclagem os produtos que podem ser reciclados. Além disso, faça a sua própria composteira caseira para reutilizar os compostos orgânicos que restam, em vez de descartá-los no lixo.

Evite comprar produtos novos e, quando for possível, reutilize o que já tem em casa. Se a compra for necessária, dê preferência para produtos e marcas que valorizem a reutilização de recursos, como a Drinkfinity, por exemplo.

Drinkfinity é um sistema de bebidas portátil e personalizável, que ajuda pessoas a repensar a sua rotina de hidratação ao longo do dia. O sistema é composto por uma garrafa reutilizável de design exclusivo, livre de BPA, onde se coloca a água filtrada, chamada de Vessel, e cápsulas que dão sabores diferentes à água, os Pods.

A sustentabilidade é feita de um conjunto de ações diárias. Basta ter mais consciência e saber escolher.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
ESCOLHA DO EDITOR
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 205 [1] => 76 [2] => 12 [3] => 237 [4] => 97 [5] => 249 [6] => 222 [7] => 62 [8] => 157 [9] => 276 [10] => 259 [11] => 86 [12] => 267 [13] => 94 [14] => 68 [15] => 16 [16] => 167 [17] => 115 [18] => 186 [19] => 17 [20] => 102 [21] => 173 [22] => 238 [23] => 175 [24] => 92 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence