O que é coleta seletiva e quais seus desafios no Brasil
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Quais os desafios para a coletiva seletiva no Brasil?

Rafael Nardini em 18 de dezembro de 2017

Para onde vai o seu lixo? Você tem ideia de onde do que é lixo orgânico e lixo reciclagem? O que você poderia fazer para auxiliar na reciclagem? Você despeja seu lixo adequadamente? Os dados não são dos melhores, você vai acompanhar abaixo, mas já adiantamos de antemão. Nem em São Paulo, estado mais potente economicamente no Brasil, a coleta seletiva consegue avançar de forma convincente.

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Quais os desafios, os problemas, mas também algumas novas alternativas que começam a brotar no país. Um resumo do que aconteceu em 2017 – de bom e de ruim – você acompanha logo abaixo.

O que é coleta seletiva?

É chamado de coleta seletiva a separação dos resíduos de acordo com sua composição, de acordo com definição do Ministério do Meio Ambiente. Resíduos com características similares são selecionados pelo cidadão que gera o lixo e disponibilizada de maneira separada. Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a implantação da coleta seletiva deve ser feita pelos municípios.

De maneira geral, os municípios têm adotado a separação dos resíduos em três frações: recicláveis secos, resíduos orgânicos e rejeitos. Os resíduos recicláveis secos são compostos por metais (aço e alumínio), papel, papelão, tetrapak e tipos de plásticos e vidro. Os rejeitos, por sua vez, são os resíduos não recicláveis, normalmente resíduos de banheiros (fraldas, absorventes, cotonetes) e de limpeza. Já os resíduos orgânicos consistem em restos de alimentos e resíduos de jardim (folhas secas, podas, por exemplo).

Como funciona a coleta seletiva?

As coletas seletivas mais comuns no Brasil são a coleta porta a porta (caminhão ou outro veículo passa em frente às residências) e por Pontos de Entrega Voluntária (cidadãos levam os resíduos para pontos estratégicos disponibilizados pelos municípios). As coletas podem ser feitas por prestadores públicos e privados do serviço de limpeza e manejo dos resíduos sólidos. Associações ou cooperativas de catadores de materiais recicláveis também podem trabalhar na coleta seletiva.

Em São Paulo, reciclagem ainda com muitos problemas

Fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo feita em 212 das 645 cidades do estado constatou que 91 municípios paulistas não fazem coleta seletiva de lixo. De acordo com o levantamento, apenas 58,49% dos 212 municípios têm aterros preparados para recebimento do lixo. Menos de 5% deles têm unidades de compostagem para reciclagem de matéria orgânica, e cerca de 70% não dispõem de locais próprios para resíduos produzidos pelos serviços de saúde.

Segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, porém, o Brasil possui 800 mil profissionais do setor em atividade. Esse enorme número de trabalhadores é essencial para a coleta seletiva no País. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)os catadores são os responsáveis por cerca de 90% do lixo reciclado no Brasil.

Com a crise, os lixões voltam

A geração de lixo no Brasil caiu 2,04% em 2016 na comparação com 2015, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) em julho deste ano. Os brasileiros geraram 78,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos no ano passado.

Com a recessão econômica, o que se vê é um aumento no uso lixões (são 2.976 em todo o país), com 81 mil toneladas de lixo com destinação inadequada durante o ano. Os lixões a céu aberto também cresceram, de 17,2% em 2015 para 17,4% no ano passado. Na outra ponta, claro, o tratamento em aterro sanitário caiu de 58,7% para 58,4%.

Um mar de lixo e de desperdício na América Latina

Todos os dias, 145 mil toneladas de resíduos orgânicos são jogadas em lixões e aterros controlados na América Latina e no Caribe. O maior problema é que essa imensa montanha de lixo produzida todos os dias coloca em risco a saúde de 170 milhões de pessoas da região. As informações alarmantes são do Atlas de Resíduos da América Latina, relatório da ONU Meio Ambiente, divulgado em novembro.

As coisas tendem a piorar se nada mudar. Esse volume de lixo na região vai subir para 671 mil toneladas em 2050, deixando as já enormes 540 mil toneladas anuais de agora bem para trás. A coleta do lixo urbano na região hoje está em 90%, mas o processamento do que é recolhido não passa dos 70%. E pior: os dejetos orgânicos acabam sendo dispensados em locais impróprios, produzindo poluição da água, do solo e do ar, afetando diretamente a saúde dos latino-americanos.

O lixo doméstico produzido na região ainda também levanta muitas dúvidas. Resíduos secos, como papéis, papelão, plásticos, vidro e têxteis têm reciclagem abaixo dos 20%.

Iniciativas para inspirar a coleta seletiva

A Seja Digital, responsável por operacionalizar a migração do sinal analógico para digital, decidiu ajudar aqueles que não sabem o que fazer com os televisores velhos, as chamadas TVs de tubo. São 235 pontos distribuídos por São Paulo e 19 são cooperativas que retiram os aparelhos velhos em casa. Outros aparelhos velhos e antigos também podem ser dispensadas e recolhidas: antenas comuns e parabólicas, mas também televisores de LCD, LED e de plasma.

No Rio de Janeiro, o Projeto De Olho no Lixo resolveu arregaçar as mangas da comunidade da Rocinha, a maior favela do Brasil, para a reciclagem. São cerca de 30 integrantes do programa com quase 600 toneladas de resíduos sólidos retirados da Rocinha. Parte do que é recolhido é reaproveitado na construção de instrumentos musicais e peças de roupas.

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