Litro de Luz leva iluminação sustentável para comunidades sem energia
Bruna Arcangelo - LitroDeLuz Amazônia 2017-250
Foto: Bruna Arcangelo
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Litro de Luz leva iluminação para comunidades sem energia

Camila Luz em 27 de março de 2017

Há comunidades espalhadas pelo mundo que não têm acesso à energia elétrica. Quando a noite chega, ficam no escuro. Para mudar essa realidade, a ONG Litro de Luz apresenta o conceito de iluminação sustentável para essas pessoas em mais de 20 países, incluindo o Brasil.

A organização desenvolveu soluções para iluminar casas e ruas públicas em comunidades que não têm energia. Sua história começa justamente no Brasil, quando o mecânico brasileiro Alfredo Moser instalou uma lâmpada artesanal no telhado de sua casa em 2002. Era a época do “apagão” e sua ideia foi adotada por todos os vizinhos.

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A lâmpada artesanal desenvolvida por Moser consiste em uma garrafa PET com água e alvejante. Metade da garrafa fica para fora da telha e metade fica para dentro. Quando o sol passa por ela, ilumina os cômodos. “A ideia se espalhou pelo mundo todo e chegou nas Filipinas”, conta Laís Higashi, presidente da Litro de Luz Brasil.

Foi o filipino Illac Diaz, criador da My Shelter Foundation — que promove projetos sustentáveis de baixo-custo –, quem viu na solução criada por Moser a oportunidade de ajudar famílias carentes em seu país. Milhares de garrafas começaram a ser instaladas no país asiático, onde nasceu a Liter of Light, em 2012.

A partir da ideia de Moser, outras soluções foram desenvolvidas para iluminar ruas públicas e cômodos também durante a noite. A ONG cresceu para mais de 20 países e em 2014 chegou ao Brasil, com o nome de Litro de Luz.

Energia solar em postes e lampiões

Quem trouxe a organização para o país foi o brasileiro Vitor Belota Gomes. Ele entrou em contato com as ações da Liter of Light em Naióbi, no Quênia. Hoje, a Litro de Luz já chegou até comunidades em Florianópolis (SC), Duque de Caxias (RJ), São Bernardo do Campo (SP), Sol Nascente (Brasília), Caapiranga (Amazônia) e na Comunidade de Dominguinhos, também na Amazônia.

Litro de Luz

Foto: Bruna Arcangelo

No Brasil, a ONG trabalha principalmente com duas soluções: postes de luz e lampiões. Os postes feitos de PVC são acoplados a uma placa fotovoltaica que capta luz do sol e carrega uma bateria. “A energia é armazenada na bateria durante o dia e a noite o poste acende automaticamente. Dentro há uma lâmpada de LED que dura a noite toda”, explica Laís.

Iluminar as ruas é uma grande necessidade no Brasil. Muitas comunidades sofrem com a falta de iluminação pública, o que impede os moradores de transitar com segurança durante a noite.

Já o lampião é uma solução portátil desenvolvida no Brasil. Ele é construído a partir de um painel solar, bateria, garrafa PET, lâmpadas de LED e um cano PVC. Funciona como o poste: o painel solar carrega a bateria, que gera energia para acender a lâmpada durante a noite.

Foto: Bruna Arcangelo

“O lampião tem um botão, um plug para ligar e desligar. No plug você consegue desconectar a placa solar e levar só o lampião, que é portátil e perfeito para regiões de comunidades ribeirinhas”, explica a presidente. Para moradores dessas comunidades, o lampião portátil tem duas funções: iluminar o interior de suas casas e a rua pública, para que possam fazer trilhas e se movimentar com segurança.

Litro de Luz na Amazônia e o empoderamento das comunidades

As comunidades ribeirinhas localizadas na região de Caapiranga, na Amazônia, só têm energia entre 18h e 21h. Há um gerador que funciona a diesel e é suficiente para iluminar o local apenas por esse período. Passam o resto da noite no escuro.

Chegar até essas comunidades era um objetivo da Litro de Luz, finalmente alcançado com ajuda de um prêmio de US$ 100 mil oferecido pela University of St. Andrews, na Escócia. “A logística era muito difícil. Levamos 18 horas de barco saindo de Manaus para chegar até as comunidades ribeirinhas”, conta Laís. “Só com esse dinheiro conseguimos chegar lá. Por ser na Amazônia, temos um carinho muito especial”, completa.

Mais de 60 voluntários se deslocaram até as comunidades para iluminar a vida de mais de 800 pessoas em março deste ano. “A região norte é a que mais precisa. Eles só têm o gerador que funciona das 18h às 21h e depois ficam sem iluminação, precisando recorrer a velas. Além disso, usam o dinheiro deles para colocar diesel no gerador. Com a nova solução, conseguem se tornar independentes nesse aspecto”, declara a presidente.

Além de levar iluminação até as comunidades, a Litro de Luz tem outro objetivo: empoderar os moradores para que multipliquem as soluções, atingindo o maior número de pessoas possível. Os voluntários ensinam os habitantes a construir os postes e lampiões, para que se tornem independentes no futuro.

A ONG trabalha com três pilares: impacto econômico, social e ambiental. Ao utilizar energia solar, uma fonte renovável e limpa, reduz os impactos negativos causados pela emissão de gases poluentes. “O impacto ambiental é interessante pois levamos iluminação solar, o que geralmente é acessível só para quem tem dinheiro”, afirma Laís. “Trazemos a questão da sustentabilidade para comunidades de baixa renda”, conta.

Hoje, a Litro de Luz está em busca de novos parceiros que tenham interesse em levar iluminação para comunidades que precisam. Cerca de 150 voluntários se dividem em funções administrativas, jurídicas, financeiras, tecnológicas e assim por diante. Além de realizar as ações, ministram workshops em empresas e convidam seus funcionários para participar da execução dos planos.

“Queremos ensinar para alcançar o máximo de pessoas possível com menos recursos. Usamos material de baixo custo e capacitação para chegar mais longe com menos dinheiro”, diz Laís. “Queremos causar impacto com qualidade e não levar só iluminação, mas também novas visões de mundo”, finaliza.

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