Luli Fedrizzi deixou o consumismo para criar os próprios cosméticos
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Luli Fedrizzi deixou o consumismo para criar cosméticos em casa

Kaluan Bernardo em 22 de julho de 2017

Luísa Fredrizzi, a Luli, tem 30 anos, é gaúcha, mas mora em São Paulo. Ela é formada em jornalismo e trabalha em um grupo de comunicação e tecnologia. Mas dependendo de quando você topou com ela por aí, acabou conhecendo duas pessoas muito distintas. A Luli de 2017 é muito diferente da de 2011. A antiga era consumista, despreocupada com seu estilo de vida e abraçava a ideia de “patricinha da moda”, como ela mesma relata. A Luli de hoje se preocupa muito com o lixo que produz, cria seus próprios cosméticos, é vegetariana e está em fase de transição para o veganismo.

Uma transformação desse tamanho, claro, não aconteceu do dia para a noite. Foi – e tem sido – um longo processo de tomada de consciência e percepção das consequências que seus atos tinham sobre o mundo e quais são suas responsabilidades.

Do consumismo à consciência

“Sempre quis trabalhar com moda. Desde pequena. Fiz jornalismo pensando em fazer jornalismo de moda. E acabei entrando nesse mercado de formas diferentes ao longo dos anos em uma época em que era sempre a tendência do momento e todo mundo tinha de usar”, comenta.  Por trabalhar com esse mercado, Luli acredita que acabava tentada a consumir mais. “Como gosto e me interesso muito em pensar como as roupas são feitas, no design, etc… isso me fez uma pessoa consumista por muito tempo”, justifica.

O consumismo vinha também do berço. “Minha mãe sempre gostou muito de comprar e sempre tivemos esses momentos nós duas de comprar um monte de coisa que não usávamos”, lembra. Em momentos de dificuldades, a resposta era ir ao shopping e gastar dinheiro.

Tudo começou a mudar em 2012, quando, após se endividar seriamente com bancos, Luísa resolveu mudar.  Juntos, ambos os fatores a impulsionaram a uma série de mudanças sobre encarava a vida. No meio do caminho, aderiu ao vegetarianismo.

Um ano depois saiu da casa da mãe, começou a fazer a própria comida e percebeu que as mudanças viriam juntas.  “O mais difícil no vegetarianismo são as relações sociais. São mais difíceis que qualquer coisa. É claro que exige mudança da hábito e aprendizado constante, mas o mais complicado é lidar com hábitos culturais enraizados e que todo mundo acha que é o jeito certo de comer e viver”, conta.

Mesmo com tudo isso, já vivendo em São Paulo, conseguiu tocar o novo estilo de vida. Passou a produzir a própria comida e abriu os olhos para um problema cotidiano que passa quase sempre batido: a separação do lixo. Ao entender como a cidade é carente em coleta seletiva -, e preocupando-se cada vez mais com seus impactos, passou ainda a consumir mais informações sobre sustentabilidade.

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Logo foi morar com o namorado, que mostrou-se aberto ao estilo de vida. Daí veio mais um salto: passou a fazer cosméticos caseiros, criar o próprio sabão, usar vinagre no lugar do amaciante, montou uma composteira e foi adaptando tudo o que podia ao novo estilo.

Criar os próprios cosméticos, inclusive, tornou-se uma grande bandeira para Luli. “Descobri o mundo da cosmética natural, que além de ser mais saudável em alguma medida, você ainda pode brincar de químico e é mega divertido. Faço várias coisas pra mim. Uso pouquíssimos produtos industrializados de beleza. Uso só o que não sei fazer”, conta.

Luli FedrizziMais do que cuidar do planeta, Luísa reconhece que está cuidando de si. “Uma coisa se relaciona com a outra. Só pensar que a pele é o maior órgão. Deveríamos tomar mais cuidado com o que colocamos em contato com ela. Se é algo que você não ingeriria, talvez você não devesse colocar em contato com o corpo”, comenta,

Ela ainda comenta sobre pequenos hábitos no dia a dia e que fazem a diferença, como evitar o uso de copos descartáveis para tomar o café no escritório; dispensar canudos plásticos e levar sua marmita para o trabalho. Essas coisas que todos nós fazemos sem nem dar conta.

Luísa está no processo de se tornar vegana, mas ainda enfrenta diversas dificuldades. “Tem sido legal entender que é um processo, me respeitar, buscar as alternativas corretas, não querer fazer as coisas que podem ser piores pra minha saúde. Preciso respeitar e ir aprendendo”, ensina.

De processo em processo, Luli se vê mudando, melhorando a saúde e aprofundando novas formas de viver, tentado tatear no escuro até encontrar a própria essência. Ela sabe que as coisas já caminharam bem, mas a busca sempre continua.

“Acho que encontrei minha essência porque encontrei um jeito de viver que é bem meu”, diz. “Ainda tenho um caminho pra trilhar e me aprofundar mais nessa essência. Me aprofundar, mergulhar nisso. De sentir o que faz sentido pra mim”, continua.

Mas isso não inclui deixar o passado para trás. “Já fui a ‘patricinha das modas’, Sim, eu sou a gaúcha e fazia churrasco todo domingo. Mas hoje sinto que essas coisas construíram minha história para eu ser quem eu sou agora. É um passado que nunca vou ignorar”, defende. “Me encontrei respeitando minha história, não jogando essas coisas fora”, finaliza. A busca continua.

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