Por que a comida saudável é mais cara? Talvez a culpa seja nossa
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Por que a comida saudável é mais cara? Talvez a culpa seja nossa

Kaluan Bernardo em 20 de janeiro de 2017

Você já deve ter percebido nas prateleiras dos mercados que “comidas saudáveis” tendem a custar mais. O motivo para o preço elevado não necessariamente tem a ver com uma produção mais elaborada. Pode simplesmente ser em razão do fato de as pessoas estarem dispostas a pagar caro por esse tipo de produto, como indicam três pesquisadores de marketing no site The Conversation.

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Kelly L. Haws (Vanderbilt University), Kevin L. Sample (University of Georgia) e Rebecca Walker Reczek (The Ohio State University) argumentam que, muitas vezes, o preço de um alimento “saudável” chega a ser 50% maior do que seus concorrentes, porque os consumidores já esperam que eles sejam mais caros.

As pessoas tendem a acreditar não só que as comidas saudáveis são mais caras, como também que seu sabor é pior.

Embora alimentos orgânicos realmente custem mais para serem produzidos, nem todo tipo de comida tem essa relação de que quanto mais caro for, mais saudável é. Apesar disso, uma série de estudos publicados no Journal of Consumer Research indicam que os consumidores sempre tendem a fazer a associação entre preço e qualidade.

“Em cinco estudos mostramos que mesmo em categorias de comida nas quais não há relação entre preço e saúde, a ideia de que saudável = caro afeta a intuição sobre como consumidores decidem sobre comida”, dizem os pesquisadores.

Como o preço afeta a percepção da comida saudável

Mas o que será que afeta o quê? Alimentos caros parecem mais saudáveis ou alimentos saudáveis parecem mais caros? A resposta, segundo os pesquisadores, é que ambas as alternativas estão corretas.

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Em um estudo, eles perceberam que quanto mais cara fosse a cesta de café da manhã, mais as pessoas pensariam que ela era saudável. As mais caras tinham nota “A-” na percepção de saúde das pessoas, enquanto as mais baratas tinham nota “C”.

Em outro estudo, quando pediram para pessoas opinarem se achavam mais saudável um wrap de frango assado que custava US$ 8,95 ou um wrap de frango balsâmico por US$ 6,95, novamente escolheram o primeiro. Quando inverteram os preços, as opiniões também inverteram.

Em terceiro estudo, perceberam que, quando um produto dizia ser saudável, mas custava menos do que a média, as pessoas suspeitavam e procuravam mais informações. Quando foram apresentadas a uma barra de proteínas que custava US$ 0,99 (o preço médio era de US$2), estudantes procuraram informações na internet. Mas quando o preço da mesma barra era de US$ 4, menos alunos procuraram pelos dados.

“Simplesmente é mais convincente do que quando o preço parece bom de mais para ser verdade ou do que seus anúncios dizem”, escreveram os pesquisadores. É curioso ainda que os estudiosos dizem que se a pessoa estiver com pouco dinheiro, o preconceito dela tende a ser menor, enquanto quando a pessoa tem mais grana disponível, ela tende a acreditar que os mais caros são mais saudáveis.

“Então da próxima vez que você estiver preocupado em pagar demais por comidas saudáveis, pense melhor quando ver os valores em vez de simplesmente confiar em seus instintos. Uma solução simples para sair da influência da intuição é procurar por mais informações antes de comprar”, recomendam.

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