Roupa Livre ensina a ter estilo e comprar menos
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Roupa Livre ensina a ter estilo e comprar menos

Camila Luz em 30 de maio de 2016

Para ter estilo próprio não é preciso adquirir peças novas. O Roupa Livre acredita que reutilizar o que já está no armário é uma forma de se vestir bem sem prejudicar o planeta. O projeto quer mudar a forma como pessoas se relacionam com moda, incentivando-as a comprar menos. Por isso, promove iniciativas que buscam relações conscientes, como bazares de troca e oficinas de costura.

mariana pellini fundadora do roupa livre

Mari Pelli, fundadora do Roupa Livre. Foto: Reprodução/Site maripelli

Mariana Pelliciari, fundadora do Roupa Livre, revelou dados alarmantes sobre a indústria têxtil em palestra no Festival Path. Segundo ela, 24% das vendas de inseticida é destinada à produção de algodão. O cultivo desta mesma planta na Ásia Central transformou o Mar de Aral em deserto. A água do que devia ser um dos maiores lagos do mundo foi usada para irrigar plantações. Entre 65% e 70% da produção de plástico PET vai para a indústria têxtil, muito mais do que para as garrafas PET. Para fabricar uma calça jeans, gasta-se 10 mil litros de água. Isso equivale a uma pessoa que bebe dois litros de água por dia durante 15 anos.

Essas informações mostram que continuar a produzir roupas em larga escala pode destruir o planeta. Por isso, comprar menos é urgente.

O Roupa Livre criou seis passos para fugir das cadeias de fast fashion (marcas que incentivam produção e consumo desenfreados).

Como comprar menos

1 – Reaproveitar

Uma foto publicada por @roupalivre em

“O produto mais verde é aquele que já existe”, disse Mariana no Festival Path, citando a marca chilena de roupas sustentáveis Patagônia. Todo mundo tem roupas no armário que nunca são usadas. Basta reutilizá-las para obter peças novas.

A marca Re-Roupa, por exemplo, usa o conceito do upcycling, técnica de reaproveitar o que já está pronto. A estilista Gabriela Mazepa cria novas peças a partir de fins de rolo de tecido, roupas com defeito ou que estão fora de moda.

Outra opção é contribuir com o Banco de Tecido, onde pessoas podem depositar seus tecidos velhos para serem revendidos e usados em novas criações.

2 –  Tornar fáceis e divertidas as alternativas à compra

O Roupa Livre está desenvolvendo um aplicativo que vai funcionar como um Tinder para troca de roupas. O projeto promoveu um crowdfunding para financiá-lo e 315 pessoas contribuíram com apoios.

O Roupa Livre também incentiva encontros de trocas e a compra de peças em armários compartilhados, como a Roupateca, em São Paulo.

3 – Fazer você mesmo

O Roupa Livre incentiva e promove ateliês e eventos de costura. Um dos seus parceiros, o Ateliê Vivo, é uma biblioteca de modelagens. Lá, estão disponíveis máquinas e materiais para quem deseja fabricar as próprias roupas, além de orientação técnica.

 4 – Valorizar o que está perto

Para evitar comprar das marcas de fast fashion, o Roupa Livre acredita no incentivo a produtores locais. Consumidores devem buscar roupas feitas por negócios menores e de produção artesanal.

 5 – Promover igualdade de gênero e liberdade de prisões estéticas

Fast fashion e mídia incentivam modelos de beleza baseados no corpo magro. Lojas de departamento e marcas famosas costumam, por exemplo, não vender peças de tamanhos maiores. O Roupa Livre é contra essas ações e pretende estimular pessoas a se aceitarem como são.

6 – Estabelecer relações que valorizem o florescimento pessoal

A L’afrikana é uma marca de roupas e itens de decoração feitos de tecidos africanos. Os produtores são refugiados que vivem no Quênia. O projeto pretende empoderá-los através da inclusão social, geração de renda e trabalho criativo.

A marca é uma parceria entre uma brasileira e três congolesas. Os produtos estarão disponíveis para venda online em breve.

Comprar de marcas como esse á uma forma de investir no trabalho de quem realmente precisa de apoio.

Como o Roupa Livre atua

O Roupa Livre acredita que promover os seis passos com eficiência depende da forma como o trabalho acontece. Segundo Mariana, o projeto age de forma transparente, expondo todas as suas contas. Assim, parceiros ou usuários que desejem contratar alguns dos serviços, como as consultorias prestadas por Mariana, terá acesso a todos os gastos.

Também é preciso agir de forma coletiva, já que problemas e soluções dizem respeito a todos nós. O aplicativo para trocar roupas é exemplo disso. O Roupa Livre disponibilizou o código de desenvolvimento para quem quiser criar seu próprio programa, pois acredita que tudo deve ser feito de forma aberta.

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Por fim, Mariana afirma que as discussões devem acontecer de forma horizontal. O Roupa Livre alimenta um grupo público no Facebook, onde qualquer interessado pode tirar dúvidas ou dar sugestões.

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