Michael Pollan quer que você volte a cozinhar em casa
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Foto: Divulgação
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Michael Pollan convida você a cozinhar em casa

Diana Assennato em 20 de abril de 2016

Michael Pollan tem um desejo: que as pessoas voltem a cozinhar a sua própria comida em casa. Autor de sete livros, o escritor, professor, ativista e filósofo questiona a atual cultura gastronômica.

Para ele, a indústria alimentícia moderna obscurece os caminhos entre o campo, a terra e o prato. Em suas obras, ele defende que saber a origem do que comemos é vital para a nossa existência. Assim, dominar a maior parte possível do processo de preparo pode garantir uma alimentação mais saudável. O argumento principal é, na verdade, bem simples: faça você mesmo e você irá comer melhor sem perceber.

ilustração de supermercado

Ilustração do livro de Michael “Food Rules”. Imagem: reprodução

Para entender melhor esse processo, o pesquisador visitou vários locais de cultivo, como uma fazenda de galinhas orgânicas na Califórnia. Lá, ficou decepcionado com o que viu, principalmente, por se tratar de um alimento orgânico, teoricamente mais saudável e produzido de maneira consciente. Instalações automatizadas transformavam “uma ave cacarejante em um pacote plastificado contendo suas partes devidamente separadas”, conta na obra “O Dilema do Onívoro” (2006).

Como ter tempo para cozinhar em casa

Mas como arrumar tempo para cozinhar em casa? Para Pollan, isso depende de um processo de conscientização.

O estudioso afirma que a realidade de preparar a própria comida e saber de onde ela vem é uma rotina de luxo para a maioria das pessoas. Ele concorda que o tempo nos é cada vez mais escasso, mas acredita que é preciso entender que a alimentação é uma prioridade. Não se trata de cozinhar absolutamente todos os dias, e sim tentar ir adquirindo o hábito aos poucos. Comece cozinhando duas vezes por semana. Depois, encontre disposição para preparar a comida mais uma noite e assim por diante.

A indústria alimentar vende a ideia de que cozinhar é difícil e trabalhoso. Mas existem opções facilitadoras, como verduras pré-lavadas e legumes que já vem cortados. Adquirir esses produtos pode funcionar como um empurrãozinho para que o hábito seja construído.

Cooked

Em 2016, Michael ganhou uma nova função: apresentador da série documental “Cooked”. Lançada em 19 de fevereiro, pela Netflix, é baseada no livro “Cozinhar, Uma História Natural da Transformação” (2014).

A obra une experiências do autor ao explorar vários métodos de cozinha e a sua relação com a humanidade. A partir dessas experiências, ensina receitas e usa da antropologia, gastronomia e ciência para contar a história da culinária e mostrar como essa atividade é o que nos faz humanos.

Veja o trailer da série:

Dividida em quatro capítulos, a série mostra imagens lindas de locais exóticos, onde famílias se reúnem para preparar suas refeições e, é claro, conversar sobre comida. As técnicas utilizadas se relacionam aos elementos básicos naturais: fogo, água, ar e terra. Pollan explica que cada um deles é um método de cozinhar: churrasco, caldo-base, panificação e fermentação, respectivamente.

Cada um dos capítulos fala sobre uma das técnicas. Para falar sobre fogo, por exemplo, Pollan vai até o oeste da Austrália.

“O açúcar nos fez fracos”

Na Austrália, ele nos mostra integrantes do povo Martu. Quando se afastaram de seus costumes tradicionais, da cultura aborígene, adotaram uma dieta mais ocidentalizada. A partir desse momento, houve aumento na incidência de problemas cardíacos, colesterol e obesidade. “O açúcar nos deixou mais fracos”, diz uma das mulheres perfiladas no episódio.

O especialista acredita que nos rendemos ao controle das grandes corporações, gastando mais tempo trabalhando fora de casa ou usando a internet. Desde 1965, segundo o estudioso, a quantidade de tempo gasta no preparo dos alimentos caiu pela metade, de 112 para 65 minutos por dia.

A indústria está tentando minar a culinária como uma prática cotidiana.

Em substituição aos alimentos preparados em casa, consome-se mais fast food e comida industrializada, como bolachas recheadas, pratos congelados e outras não-comidas ricas em açúcar.

Michael chama a atenção para o que diz a cultura americana ocidental: é preciso trabalhar muito para ganhar dinheiro e, então, comprar tempo. Ele questiona: não seria mais sensato se estivéssemos simplesmente lutando por mais tempo?

E você, tem tempo para cozinhar em casa?

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