Leguminosas são importantes no combate à desnutrição segundo a ONU
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Leguminosas são importantes no combate à desnutrição segundo a ONU

Camila Luz em 29 de abril de 2016

A ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que 2016 é o Ano Internacional das Leguminosas. O objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância desses alimentos para promover saúde, nutrição, segurança alimentar e sustentabilidade ambiental.

“Sementes nutritivas para um futuro sustentável”: com esse lema, a ONU pretende fomentar a produção, o comércio e o consumo de leguminosas, como feijão, soja e ervilhas. Pequenos produtores devem se dedicar ao plantio desses alimentos, pois são muito nutritivos, possuem alto teor de proteínas e aminoácidos essenciais. São, também, fontes de carboidratos, vitaminas e minerais.

O principal foco da campanha são países subdesenvolvidos da América Latina, Ásia e África. Tais regiões apresentam quadros mais graves de desnutrição.

A agência responsável pela celebração do ano será a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura na tradução para o português). Ela atuará em parceria com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e ONGs locais.

Leguminosas e sua importância

Leguminosas são plantas cujo fruto é uma vagem, como feijão, grão-de-bico, fava e lentilha. Conforme amadurecem, as vagens secam e as sementes, que são as partes comestíveis, nascem. Maduras, armazenam alimento para que outra planta germine. Por isso, os frutos secos têm mais nutrientes do que quando estão frescos e verdes.

O nome pode soar estranho, mas leguminosas são consumidas em todo o mundo – principalmente nos países pobres. Junto com os cereais, constituem um dos alimentos básicos da população desde o período Neolítico, quando o homem começou a cultivar a terra e a investir na agricultura.

De acordo com o site da FAO, 2016 é o ano das leguminosas por uma série de motivos. O primeiro deles é o fato desses alimentos serem altamente nutritivos. Eles contêm o dobro das proteínas encontradas no trigo e três vezes mais do que no arroz, por exemplo.

Também são economicamente acessíveis, contribuindo para a segurança alimentar das populações, combatendo quadros de fome.

As organizações responsáveis por essa promoção devem, ainda, incentivar pequenos produtores, que podem encontrar fonte de renda no cultivo de leguminosas.

Leguminosas e o meio ambiente

De acordo com o documento norteador produzido pela Unesco, as leguminosas têm vários papéis importantes na sustentabilidade. Requerem menos fertilizantes do que outras plantações e são importantes na rotação de culturas. Essa técnica consiste em cultivar diferentes espécies em uma mesma área agrícola, para aumentar a diversidade, evitar pragas e manter o solo fértil.

As leguminosas trazem outros benefícios ao solo. Ajudam a alimentar micróbios que aprimoram a saúde da terra e produzem aminoácidos que ficam no ambiente após a colheita dos legumes. Assim, o campo se mantém fértil para receber plantações de outras espécies.

A ONU também pretende incentivar uma dieta baseada em leguminosas, substituindo o consumo excessivo de carne, cuja produção gasta muita água.

De acordo com o documento da Unesco, para produzir um quilo de carne vermelha ou frango, é necessário utilizar, respectivamente, 18  e 11 vezes mais água do que para produzir um quilo de leguminosas.

Desnutrição e obesidade na América Latina e no Caribe

Incentivar o cultivo de leguminosas por pequenos produtores ajuda a combater a fome e a desnutrição em todos os países subdesenvolvidos. Mas a FAO, em sua campanha, destaca América Latina e Caribe.

Os países da região são a fonte originária do feijão e de outras leguminosas. Além disso, têm conseguido grandes avanços na luta contra a desnutrição. O Plano de Segurança Alimentar, Nutricional e Erradicação da Fome da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos prevê a erradicação da fome até 2025.  

Promover 2016 como o ano das leguminosas pode ajudar a alcançar essa meta.

No entanto, segundo a FAO, erradicar a fome não deve ser a única preocupação desses países. Em 2016, a organização declarou que 22% da população da região está obesa. O sobrepeso traz consigo distúrbios como diabetes e doenças cardíacas.

Deve-se estimular uma alimentação menos baseada na carne vermelha, que leva muito sal. Seu consumo em excesso pode desencadear doenças do coração. Alimentos industrializados também devem ser evitados.

Leia mais: Aprenda a comprar, cozinhar e conservar suas hortaliças

Leguminosas, por outro lado, proporcionam uma alimentação mais saudável. Combatem a obesidade e nutrem a população de forma adequada.

Erosão do solo é vilã no combate à desnutrição

América Latina e Caribe têm grande potencial de produzir leguminosas, mas também enfrentam quadros graves de erosão do solo. Na América do Sul,  por exemplo, 100 milhões de hectares foram degradados pelo desmatamento, enquanto 70 milhões foram transformados em pasto, diz o site da Inter Press Service.

Para a ONU, reduzir esses efeitos é urgente. Em junho de 2016, aconteceu em Beijing, na China, um evento para falar sobre estratégias de combate à desertificação e à seca. Na ocasião, discutiu-se a importância de deter a degradação do solo para acelerar o desenvolvimento inclusivo, que deve abraçar populações carentes da América Latina.

Para saber mais sobre a relação entre erosão, leguminosas e desnutrição, leia o artigo que o fizemos sobre o assunto.

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