Animais ameaçados de extinção: quais são e como salvá-los
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Animais ameaçados de extinção: quais são e como salvá-los

Pedro Katchborian em 31 de março de 2017

Quando o assunto é sustentabilidade, as espécies ameaçadas de extinção costumam figurar no topo do debate. Afinal, os milhares de animais que lutam pela sobrevivência chegaram nessa situação, em boa parte, pela caça predatória e pela devastação de seu habitat natural pelo homem.

Quantas espécies estão ameaçadas de extinção ao redor do mundo?

É difícil saber com precisão, mas há algumas instituições que procuram reunir esses números. A mais famosa delas é a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). Desde 1996, a IUCN faz anualmente a lista vermelha, em que reúne os animais que correm o risco de extinção e os que estão em situação menos preocupante.

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A lista dos ameaçados é dividida em três categorias: vulnerável, em perigo e criticamente em perigo. As outras categorias são: extinto, extinto na natureza (quando só há animais em zoológicos), quase ameaçada e pouco preocupante. Em 2016, a lista tinha 85.604 espécies entre plantas, mamíferos, aves, peixes etc. Dessas 85 mil, cerca de 25 mil são de animais e plantas ameaçados de extinção.

O site da instituição deixa claro que “nem toda a taxonomia foi completamente analisada”. Mesmo assim, o relatório dá um bom recorte do status das espécies ao redor do mundo, mesmo que não possa ser encarado como um estudo completo da biodiversidade global. As principais lacunas a serem preenchidas pela lista vermelha são plantas, invertebrados e espécies marinhas e de água doce.

Considerando apenas o reino animal, sem as plantas, há 63.303 espécies na lista. Dessas, cerca de 12,630 estão ameaçadas de extinção, sendo 2.695 criticamente em perigo, 4.078 em perigo e 5,856 em perigo. Os principais destaques negativos são a classe dos anfíbios, com 2.058 espécies ameaçadas e a dos peixes, com 2.153 espécies. Outros números que valem o destaque: aves (1.460), répteis (1.079), mamíferos (1.194), insetos (1.268) moluscos (1.794). Aqui você pode ver a lista completa e navegar por taxonomia, nível de ameaça e outros.

Como um animal entra para a lista de ameaçados de extinção?

Para o animal ser colocado na lista vermelha ou em outros relatórios de espécies que estão ameaçadas de extinção, vários fatores devem ser considerados. Fernando Mayer Pelicice, professor da Universidade Federal do Tocantins e coordenador do mestrado em biodiversidade, ecologia e conservação, detalha esse processo. “Eles fazem estudos minuciosos de cada espécie para coletar toda a informação”, diz. “A lista costuma reunir diferentes especialistas que fazem uma análise em conjunto sobre determinada espécie”, afirma.

Fernando destrincha um pouco quais aspectos são observados na hora de classificar os animais e como uma espécie acaba sendo colocada em “vulnerável”, “em perigo” ou “criticamente em perigo”. “Os especialistas estabelecem metodologias bem rigorosas, de modo que o procedimento seja pouco subjetivo”, diz. Os principais pontos considerados são:

distribuição espacial da espécie (quanto menor o espaço que ela ocupa no planeta, maior a chance de extinção);
número de indivíduos (quanto menos, maior a chance de extinção).
nível de ameaça por ação humana (quanto mais, maior a chance de extinção).

O quão crítica é a situação das espécies globalmente?

Muito crítica. Fernando explica que o processo de extinção é algo natural. “Eventualmente, as espécies chegam à extinção, desde os primórdios da vida no planeta Terra”, afirma. No entanto, essa taxa de extinção natural costumavam ser muito baixa. “Essas taxas têm aumentado em uma escala de 100 vezes”, completa. O número de espécies que estão ameaçadas e as que já foram extintas está próximo do período de extinção em massa, quando milhares de animais acabaram desaparecendo em razão de desastres naturais. Ou seja, podemos estar vivendo uma 6ª extinção em massa — mas a primeira pela ação de uma outra espécie, o homem.

Quais animais estão ameaçados de extinção ao redor do mundo?

Como mostra o relatório, há milhares de espécies que estão ameaçadas de extinção. Apesar disso, algumas mais famosas se tornaram símbolo da luta pela conservação das espécies. Entre elas está o tigre: considerado “em perigo”, este mamífero da família dos felídeos teve uma queda drástica em sua população nas últimas décadas. Sua população era estimada em mais de 100 mil animais no início do século 20. Atualmente, imagine-se que exista menos de 5 mil desses animais na natureza.

Outra espécie que virou símbolo da luta pela sobrevivência da biodiversidade é o panda-gigante. Mesmo com muitos esforços sendo feitos para a sua conservação, o panda ainda está ameaçado, mas na lista aparece somente como “vulnerável”. O número estimado de pandas no mundo é de 2.200, com mais de 400 deles vivendo em zoológicos.

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No bioma marinho, duas espécies chamam a atenção: a tartaruga-marinha e a baleia azul, ambas “em perigo” Assim como o tigre, a baleia-azul tinha uma população que ultrapassava as 100 mil. Atualmente, estima-se que esse número seja muito menor — de 5 a 12 mil baleias.

Outras espécies que costumam ser lembradas quando o assunto é extinção: elefante asiático (em perigo), orangotango-de-sumatra (criticamente em perigo), diabo da tasmânia (em perigo), urso polar (vulnerável) e o rinoceronte-de-java (criticamente em perigo).

E no Brasil, como está a situação?

A situação no Brasil também não é boa. O último grande estudo envolvendo espécies brasileiras foi finalizado em dezembro de 2014 e feito pelo ICMBIo (Instituto Chico Mendes). De 2010 a 2014, foram avaliadas 12.256 espécies, incluindo todos os vertebrados do país.

Das mais de 12 mil espécies, 1.173 foram classificadas como ameaçadas no Brasil: 475 são peixes e invertebrados aquáticos (lista completa aqui) e 698 são espécies terrestres e mamíferos aquáticos (lista completa aqui). Dos 1.173 animais correndo risco de extinção, 110 são mamíferos, 234 são aves, 80 são répteis, 41 são anfíbios, 353 são peixes ósseos, 55 peixes cartilaginosos, 1 peixe-bruxa e 299 invertebrados.

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A categoria “vulnerável” é a que mais tem animais ameaçados: 448. Outras 406 são consideradas “em perigo” e outras 318 estão na pior situação, “criticamente em perigo”. Uma das espécies foi considerada extinta da natureza.

Comparando com 2003, houve um aumento de 75% de espécies ameaçadas. No entanto, Isabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente na época, atribuiu o aumento ao maior número de espécies analisadas. Segundo o Ministério, as mais de 12 mil espécies analisadas representaram um acréscimo de mais de 800% na lista de espécie quando comparado ao relatório de 2003. Mesmo assim, os números são preocupantes e mostram parte do desmatamento do habitat de alguns desses animais: um deles foi o macaco-preto-galego, da Mata Atlântica nordestina.

A ararajuba, por exemplo, é endêmica do Brasil — só existe por aqui — e é um dos símbolos do país. Como vive em um território pequeno e há menos de mil exemplares, ela é considerada “em perigo”. O mico-leão-dourado também é uma raridade hoje: sua distribuição geográfica se limita a uma área de 154km² e ele está classificado como “em perigo”. Outros destaques entre os animais ameaçados no Brasil são a arara-azul (vulnerável) e o tamanduá-bandeira (vulnerável).

Como salvar um animal da extinção?

As ações variam muito de acordo com as espécies, mas Fernando diz que há uma medida que deve ser seguida, independente da espécie: preservar o ecossistema. “Eu me preocupo mais com a extinção do ecossistema do que a extinção das espécies”, diz. “Sem o ecossistema, as espécies acabam sendo ameaçadas”, afirma.

Para dar um exemplo de como uma espécie pode ser salva da extinção, Fernando recorre aos peixes, sua principal área de trabalho. “Por exemplo, se há uma espécie ameaçada, o primeiro a ser feito é suspender a pesca. Você pode emitir portarias proibindo a pesca de determinada espécies”, afirma.

Ele conta que há outras formas de conservações bem populares, como o peixamento (soltar peixes em rios) e construir escadas de transposição (estrutura para minimizar os efeitos das barragens). “Ainda assim, acabamos caindo na mesma questão: se você quiser manter os peixes, você precisa manter o ecossistema”, afirma.

A preservação em cativeiro e em zoológico, além de ser muito mais trabalhosa, “não tem função nenhuma para os animais“, diz Fernando. Por mais interessante que seja para a pesquisa,. “Elas não cumprem nenhum papel. Na natureza, as espécies polinizam, produzem biomassa”, completa.

O professor cita um exemplo de medidas que estão dando certo para a preservação de peixes. O pirarucu, tido como ameaçado em alguns estados brasileiros, sofre com a pesca predatória. Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a pesca de pirarucu tem sido mantida de maneira sustentável. Ele explica:

É um manejo participativo. Os próprios moradores fazem cotas, determinam a quantidade necessária…Quando as pessoas se envolvem no problema da conservação tudo fica muito mais fácil.

Apesar desse caso específico, ele lembra que especificamente a fauna de peixes tem sofrido no Brasil. “Temos uma fauna muito peculiar na Amazônia e temos cuidado muito mal”, diz. “A construção de barragem nos rios é vendida como sustentável, mas é uma falácia. A construção de uma hidrelétrica causa um impacto irreversível para os peixes”, afirma.

Por fim, o professor volta a ressaltar a importância da preservação do ecossistema desses animais: “a Mata Atlântica já passou por isso… Agora quem sofre é o cerrado e a caatinga e, em breve, será a Amazônia”, alerta.

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