O que é aquecimento global e o que são mudanças climáticas
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Foto: Istock/Getty Images
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O que é aquecimento global, por que ele é real e por que você deve se preocupar

Kaluan Bernardo em 18 de fevereiro de 2017

Você já deve ter ouvido falar em mudanças climáticas, aquecimento global, aumento do nível do mar, degelo do ártico, efeito estufa e outros termos do tipo. Mas sabe o que eles significam, qual a relação entre eles e qual a real ameaça que nosso planeta, a atual e as próximas gerações sofrem? Vamos a eles.

O que são mudanças climáticas? Elas são reais?

Hoje está calor, amanhã está frio. Você saiu de casa com guarda-chuva e voltou suando. No verão chove, no inverno venta. Isso são mudanças climáticas pontuais, mas não é delas que estamos falando quando conversamos sobre mudanças climáticas.

O termo é usado mais comumente para falar das mudanças no clima da Terra como um todo. Os efeitos maiores, crônicos, com grandes consequências e que devem permanecer no longo prazo. É verdade que a Terra já passou por diversas mudanças climáticas. Em milhões de anos, o planeta já foi muito mais quente e muito mais frio do que é hoje. Essas foram mudanças que duraram milhões de anos.

Sim, é normal o planeta passar por mudanças climáticas. A diferença, no entanto, é que a Terra está esquentando em um ritmo considerado elevado. Os motivos, como discutiremos mais adiante, podem ser dos mais variados, mas muitos cientistas dizem que é por conta dos seres humanos.

Qual a diferença entre mudanças climáticas e aquecimento global

Estávamos falando sobre mudanças climáticas e logo apontamos o fato de que a Terra está esquentando rapidamente, provavelmente por culpa do ser humano. Isso não é o tal do aquecimento global?

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Foto: Istock/Getty Images

Sim e não. “Aquecimento global se refere apenas ao aumento da temperatura superficial da Terra, enquanto mudanças climáticas incluem o aquecimento e os ‘efeitos colaterais’ do aquecimento, como derretimento de geleiras, tempestades pesadas e seca mais frequente”, explica o site da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA, um dos principais departamentos ambientais.

Há outra diferença, como explica o órgão. Quando falamos em mudanças climáticas normalmente nos referimos a todas as alterações, incluindo as causadas pela natureza e pelo homem, enquanto quando falamos de aquecimento global normalmente se refere especificamente às interferências humanas sobre o clima.

Qual o impacto humano sobre o aquecimento global

É verdade que a Terra já esquentou e esfriou muito por motivos naturais. Ela já passou por períodos frios, os glaciais, e muito quentes, os interglaciais. Esses ciclos, no entanto, aconteceram em períodos grandes, de 40 mil a 100 mil anos. Você pode ver no gráfico abaixo (em Farenheits) a mudança nas temperaturas ao longo dos últimos 800 mil anos.

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Foto: Reprodução/Climate.org

Mas se colocarmos uma lupa nos últimos anos, percebemos que, mesmo para os padrões naturais, a Terra está esquentando muito rapidamente. Veja como tem sido nos últimos 1.700 anos.

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Foto: Reprodução/Climate.org

É consenso entre 97% dos cientistas que o aquecimento global mais acelerado tem sido causado por humanos. No site da Nasa você pode encontrar uma lista de instituições de pesquisa que endossam tal posicionamento.

Há quem negue a relação humana com o aquecimento global, como é o caso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirma que tudo é um boato criado por chineses – fazendo com que o próprio governo chinês precisasse vir a público desmentir a acusação.

Um efeito claro do rápido aquecimento global é como ano após ano batemos os recordes de temperatura. O GIF abaixo, criado por Ed Hawkins, cientista do clima na University of Reading, mostra como o planeta tem esquentado nos anos recentes.

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Foto: Reprodução

Qual a relação do aquecimento global com o efeito estufa

O efeito estufa funciona como uma espécie de cobertor do planeta. Quando o calor proveniente do sol é refletido de volta para o espaço ele é bloqueado pelos chamados gases de efeito estufa, que os bloqueiam nesse caminho. Sem esse processo, a temperatura na Terra seria da ordem dos – 18ºC, como explica o Ministério do Meio Ambiente.

O problema é que a atividade humana intensificou a emissão de gases do efeito estufa, fazendo com que nosso “cobertor” ficasse mais “denso”, consequentemente esquentando o planeta.

Alguns desses gases são o dióxido de carbono e o metano, famosos poluentes diretamente ligados a combustíveis fósseis. Desde a Revolução Industrial a quantidade de dióxido de carbono cresceu 40%, enquanto a de metano cresceu 150%.

Há algumas causas naturais que colaboram para o crescimento desses gases na atmosfera. Um deles são os vulcões. Mas cálculos recentes indicam que eles não são suficientes para modificar tanto a temperatura do planeta sozinhos.

Quais são as mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global

Há diversas mudanças climáticas que acompanham o recente aquecimento global. Há uma conta no Instagram, a Everyday Climate Change, que mostra como as mudanças já estão impactando no mundo em que vivemos. Mas elas são apenas a ponta do iceberg, eis algumas que deverão vir junto.

Derretimento de geleiras

As geleiras contêm 69% da água doce do planeta e, graças ao aumento das temperaturas, estão rapidamente derretendo no mar. Ártico, Antártida e Groenlândia estão entre as regiões mais afetadas. No Ártico, por exemplo, 40% do gelo já havia derretido em 2009. Na Antártida, a perca de gelo acelerou de 30 bilhões de toneladas por ano entre 1992 e 2011, para 147 bilhões de toneladas entre 2002 e 2011. Essas fotos, embora belas, também são assustadoras, por mostrarem o degelo nas calotas polares.

Aumento do nível do mar

Uma consequência direta do degelo, mas também de outras mudanças climáticas, é o aumento dos níveis dos mares. Eles nunca subiram tanto quanto no século 20, quando chegaram a se elevar 12,5 centímetros. Os cientistas têm 95% de certeza que mais de metade do efeito aconteceu decorrente do aquecimento global. O gráfico abaixo (em polegadas), mostra a variação ao longo dos séculos.

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Foto: Reprodução

Recentemente estudiosos descobriram que o aumento do nível do mar é pior do que se pensava. E que, nos próximos 40 anos, poderá dobrar a velocidade e subir até 60 centímentros.

Tempestades e secas

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Com desregulação de temperatura, todo o clima muda, fazendo com que alguns lugares tenham fortes chuvas com cada vez mais frequência e levando a chuvas mais intensas e, consequentemente, alagamentos. Pesquisas recentes indicam, por exemplo, que nos EUA, até 2100, deverá haver um crescimento de 400% de chuvas extremas.

No longo prazo, a desregulação também deverá elevar os períodos de seca. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), destaca que “tempestades mais intensas levarão a mais alagamentos, enquanto períodos secos entre os períodos de chuva levarão à mais seca”.

Ameaça de segurança alimentar

Com seca, alagamentos e excesso de calor, plantar alimentos será um desafio maior. O aumento de 1ºC poderá danificar especialmente plantações de milho e de arroz nos trópicos, alerta a IPCC.

Extinção de animais

Diversos seres vivos estão correndo risco de extinção devido às mudanças climáticas e ao aquecimento global. Estudos indicam que, ao todo, 976 espécies de plantas e animais já passaram por processos locais de extinção. No entanto, se as coisas continuarem mudando rapidamente, as consequências serão proporcionalmente drásticas. Corais de recifes já estão morrendo rapidamente. Há ao menos 700 espécies que enfrentam riscos de extinção e estão mais ameaçadas graças ao aquecimento global.

Acordo de Paris e o que tem se feito para lutar contra o aquecimento global

Desde que acordaram para as ameaças causadas pelos seus próprios cidadãos, alguns países começaram a discutir como desacelerar o, já inexorável, aquecimento global. Com mais estudos e evidências científicas sendo reveladas, as discussões se intensificaram até que, em dezembro de 2016, líderes de 195 países se reuniram em Paris na COP 21 para firmarem um pacto de esforços para tentar preservar a vida no planeta.

Do total, 175 países assinaram o tratado e se comprometeram a diminuir significativamente a emissão de gases causadores do efeito estufa e a manter o teto do aquecimento global abaixo dos 2ºC. Caso consigam, as consequências serão muito menores do que seriam se atingíssemos o aumento de 4ºC previsto originalmente.

Mas as mudanças não virão apenas de órgãos governamentais. Empresas, instituições e pessoas também fazem a diferença. Em países como os EUA, onde o governo atual pouco apoia os esforços para frear as mudanças climáticas, filantropos e empregas ganham mais responsabilidade na causa.

Há também diversos empreendedores e cientistas fazendo frente, principalmente relacionadas a fontes limpas de energia, e que estão criando as mais diferentes inovações — de carros elétricos a carne feita em laboratório –, e que podem colaborar para desacelerar o aquecimento global.

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