Ostras e mariscos podem ser chave para a aquicultura ética e sustentável
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Ostras e mariscos podem ser chave para a aquicultura ética e sustentável

Camila Luz em 13 de fevereiro de 2017

A Aquicultura, ou aquacultura, é o sistema de produção de alimentos que mais cresce no mundo, segundo a organização não-governamental WWF (World Wide Fund for Nature). Ela consiste no cultivo de peixes, crustáceos, moluscos, algas e outros organismos que vivem em ambientes aquáticos. E se for conduzida da forma correta, pode ser a resposta para resolver problemas alimentares e ambientais no futuro.

No entanto, a aquicultura não está sendo explorada de forma sustentável, o que gera impactos ambientais negativos. Assim como acontece com a terra, o cultivo de animais aquáticos está se transformando em um sistema de comida industrializada que, sobretudo, é cruel com os animais.

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Em artigo ao jornal britânico The Guardian, Jennifer Jacquet defende que o cultivo de bivalves – grupo que inclui ostras, mexilhões e mariscos – poderia reduzir os problemas causados pela aquicultura. Jacquet é professora assistente da New York University (EUA) e autora do livro “Is Shame Necessary?”, no qual explora ferramentas que a sociedade pode usar para promover mudanças políticas e sociais.

Para a autora, bivalves são o grupo de espécies mais ambientalmente saudáveis e menos preocupantes quando se trata de bem-estar. Eles seriam a melhor opção para a aquicultura, já que têm impacto ecológico mínimo, reduzindo as preocupações em torno de sua qualidade de vida em cativeiro. Ou seja, não é preciso concentrar tantos esforços para que vivam bem e se desenvolvam com saúde.

A autora ainda traz boas notícias para quem adora comer ostras, mexilhões e marisco: “Na verdade, os bivalves não são só a melhor opção do oceano, mas a melhor escolha para quem come animais, ponto final”, afirma.

Aquicultura hoje pressiona animais marinhos selvagens

Em artigo na revista Solutions, Jacquet e co-autores explicam que os primeiros animais domesticados para alimentação foram ovelhas, há cerca de 9.000 anos. Logo em seguida, domesticaram-se as cabras, vacas e porcos e, há 2.000 anos, as galinhas.

À medida que a população humana se expandia rapidamente, esses seres passaram a fazer parte de um sistema alimentar altamente industrializado, que destrói o habitat, polui e é insustentável. Agora, os mesmos erros feitos em terra estão sendo cometidos no mar. Jacquet argumenta:

Estamos testemunhando a expansão mais rápida e mal pensada de animais domesticados já vista – a crescente domesticação de animais aquáticos. Quase 190 países criam agora cerca de 550 espécies de animais aquáticos diferentes para consumo humano.

Hoje, animais que antes eram capturados na natureza, como camarões, estão sendo cultivados em fazendas aquáticas e são grande parte dos seres marítimos ofertados em mercados. No entanto, em vez de aliviar a pressão sobre a pesca, a aquicultura aumentou a pressão sobre os peixes selvagens. Quase um terço da captura global de peixes serve para alimentar outros animais marinhos carnívoros que são cultivados.

Daniel Pauly, cientista com quem Jacquet fez seu trabalho de pós-graduação, refere-se a isso como “roubar Pedro para pagar Paulo”. Os pesquisadores acreditam que seria mais prudente deixar esses peixes selvagens na água para aves marinhas, mamíferos marinhos e peixes maiores, que dependem dos pequenos para se alimentar.

A aquicultura deveria reduzir a pressão sobre os peixes capturados no meio selvagem para a alimentação animal. Uma forma de fazer isso é cultivar animais que requerem pouco ou nenhum alimento, como carpas de água doce, tilápias e, por fim, bivalves.

Por que é melhor comer e cultivar ostras, mariscos e mexilhões

A recomendação para cultivar mais peixes herbívoros, como a tilápia, ignora preocupações com o bem-estar dos animais. Nos últimos 15 anos, evidências científicas revelaram que peixes experimentam dor e sofrimento. Por outro lado, não há tanta certeza sobre o sofrimento de espécies invertebradas, como lagostas, camarões, polvos e bivalves.

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Foto: Istock/Getty Images

Isso não significa que seja melhor criar polvos ou camarões do que bivalves. Os polvos, por exemplo, são animais excepcionais, com cérebros e sistemas nervosos muito desenvolvidos. Essa é razão suficiente para debater se deveríamos consumir esses animais – cultivados em fazenda aquáticas ou não.

Já os bivalves, animais protegidos por uma concha articulada e em grande parte sedentários, parecem ser consideravelmente menos complexos em termos evolutivos. Há menos preocupações com o bem-estar desses seres, especialmente em cativeiro.

Fazendo um paralelo com o vegetarianismo e o veganismo — dietas  que parecem mais adequadas  ao futuro sustentável — o consumo de bivalves ao invés de outros animais traria menos impactos. “Se continuarmos a produzir animais em massa, seria melhor produzir os que fossem ‘o mais vegetais’ possível”, diz Jacquet.

“Eles não devem exigir alimentos como peixes, não devem exigir a conversão do habitat e devem minimizar a poluição. Eles devem experimentar a menor quantidade de dor e sofrimento em cativeiro possível. Estes critérios não podem ser satisfeitos com o salmão de viveiro”, completa.

Entre todas as espécies de animais aquáticos cultivadas para alimentação, os bivalves parecem atender melhor esses critérios. Já que será preciso alimentar 9 bilhões de pessoas até 2050 sem destruir o planeta, é preciso encontrar soluções melhores do que as que estão sendo aplicadas hoje.

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