Bairro autossuficiente na Holanda terá arquitetura sustentável
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Foto: Reprodução/Facebook Effekt
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Bairro na Holanda terá fazendas verticais e arquitetura sustentável

Camila Luz em 21 de junho de 2016

No subúrbio de Amsterdã, na Holanda, um novo bairro vai produzir sua própria comida, gerar energia para seus moradores e eliminar de forma adequada todos os seus resíduos. Por meio da arquitetura sustentável, A ReGen Village será 100% autossuficiente e não trará impactos negativos ao meio ambiente. 

Segundo o site da ReGen Village, a Terra terá cerca de 10 bilhões de habitantes em 2050. A escassez de água, de alimentos saudáveis e de terras agricultáveis já é uma realidade. Problemas causados pelo aquecimento global, como inundações e acidificação do solo, são ameaças à vida no planeta. A necessidade de criar comunidades regenerativas e sustentáveis é urgente.

Os criadores da comunidade autossuficiente, pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, enxergaram o problema, a oportunidade para resolvê-lo e a solução. Nos próximos 30 anos, a Terra receberá quatro bilhões de habitantes. A demanda por projetos de bairros integrados e que produzam alimentos orgânicos em larga escala será enorme. Por isso, as unidades da ReGen Village terão capacidade de prover alimentos nutritivos para todos os seus habitantes.

Os fundadores vão utilizar tecnologias para criar sistemas inteligentes de gestão de água e resíduos, além de gerar energia renovável. A primeira ReGen Village está saindo do papel graças ao apoio de empresários. Há planos de lançar o mesmo bairro em breve em outros países, como Suécia, Noruega e Dinamarca. China e regiões da África também podem receber o empreendimento segundo o site Web Urbanist.

imagem panorâmica de projeto

Foto: Reprodução/Facebook

Como a ReGen Village vai funcionar

Segundo matéria publicada pelo site Fast Company, A ReGen Village vai usar métodos avançados para o cultivo de alimentos, como permacultura, aeroponia (cultivo de plantas suspensas no ar), aquaponia (sistema aquático que produz plantas e peixes) e florestas de alimentos de alto rendimento agrícola.

O bairro vai gerar muito mais comida do que uma fazenda tradicional do mesmo tamanho. A aquaponia, por exemplo, produz 10 vezes mais alimentos do que a mesma área de terra, com 90% menos água. “Prevemos literalmente toneladas de alimentos orgânicos a cada ano, como vegetais, frutas, grãos, legumes, peixes, ovos e frangos”, diz James Ehrlich, CEO da ReGen Village. “Esses alimentos podem crescer continuamente no jardim vertical durante o ano todo, como suplemento aos jardins sazonais e à agricultura adjacente”, completa.

O lixo doméstico orgânico será colocado em composteiras para alimentar o gado e animais como moscas. Esses insetos, por sua vez, servirão como alimento para peixes. Já os peixes vão fertilizar um sistema de aquacultura que produz frutas e legumes para as casas. Os jardins sazonais serão fertilizados pelos resíduos da pecuária.

A ReGent Village vai utilizar energia geotérmica, solar, eólica e biomassa. Resíduos agrícolas, por exemplo, podem se tornar fontes de energia capazes de alimentar comunidades do norte da Europa, mesmo em pleno inverno. Uma rede inteligente vai distribuir a eletricidade de forma eficiente, conforme o necessário. Poderá ser utilizada para carregar carros elétricos em garagens ou para acionar sistemas de aquecimento e refrigeração de casas.

O lixo doméstico não compostável será transformado em energia e água em uma unidade de biogás. A água residual, ou coletada durante chuvas, também terá um destino: alimentar os jardins sazonais e os sistemas de aquaponia.

desenho de projeto

Foto: Reprodução/Site

Arquitetura sustentável em todos os cantos

Os bairros terão casas, estufas e edifícios públicos. Os espaços agrícolas verticais estarão dispostos em todos os cantos da comunidade. Ao lado da sala de jantar de uma residência, pode haver uma horta orgânica. Do lado de fora, um jardim sazonal. No final da rua, praticamente tudo o que comemos hoje pode ser cultivado em fazendas verticais de alta tecnologia.

“Nós realmente estamos olhando para uma escala global”, diz James. “Estamos redefinindo o desenvolvimento imobiliário criando esses bairros regenerativos. Estamos atentos para espaços onde possamos produzir mais alimentos orgânicos, água limpa, energia limpa e renovável e aproveitar melhor os resíduos”, explica.

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O projeto piloto está sendo construído na cidade de Almere, que fica a 20 minutos de trem de Amsterdã. Por enquanto, a comunidade foi projetada para funcionar no clima frio do norte da Europa. O próximo passo será adaptá-la ao clima árido de regiões do Oriente Médio. Para James, também será importante levar a ReGen Village para Índia e África, onde o número de habitantes deve crescer exponencialmente nos próximos anos.

 

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