Brasileiros vencem prêmio internacional com construção sustentável
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Foto: Divulgação
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Brasileiros vencem prêmio internacional com construção sustentável

Kaluan Bernardo em 4 de dezembro de 2016

O brasileiro Estúdio Flume foi vencedor da edição de 2016 do prêmio Call For Solutions 2016, promovido pela Fondazione Giacomo Brodolini, da Itália. A premiação, que acolheu projetos do mundo inteiro, procurava soluções relacionadas a construção sustentável, segurança alimentar e impacto social.

O projeto vencedor, desenvolvido pelo Estúdio Flume, é um protótipo de abrigo para pequenos produtores em comunidades rurais. A construção, de 46 m², oferece copa e refeitório, banheiros, mesas para manejo de sementes e mudas, e uma área para guardar ferramentas. Mas ela pode facilmente ser expandida.

A ideia é que possa ser instalada no meio de um campo agrícola e que os trabalhadores tenham um espaço para descansar, se alimentar e se higienizar — necessidades básicas, mas que em muitas regiões simplesmente não existem, deixando os trabalhadores em altos níveis de insalubridade.

“O objetivo é que a construção possa ser usada quando os grupos precisarem de um incentivo para começar a cultivar a terra. Ele é feito para lugares onde não há uma infraestrutura mínima”, comenta Noelia Monteiro, uma das responsáveis pelo projeto, ao lado de Julia Marini, Christian Teshirogi e Desy Frezet.

Construção sustentável para gerar renda

A ideia surgiu a partir de uma demanda do Instituto de Socioeconomia Solidária (ISES), uma ONG que trabalha com a geração de renda em regiões necessitadas. O Estúdio Flume atua com eles desde 2014 e começou a reformar diversas instalações como padaria, fábricas de rapadura e hortas de cooperativas para que pudessem ter condições mínimas sanitárias.

Foi quando começaram a viajar muito para o interior do Maranhão e do Pará e viram as carências das regiões. “As necessidades são primárias, como água, banheiros ou um simples espaço para fazer refeições”, comenta Noelia. Perceberam também que pela precariedade e por serem regiões afastadas, havia muita dificuldade de promover reformas nesses locais, uma vez que é difícil encontrar mão de obra, transportar materiais etc. Em 2016 decidiram desenvolver um projeto que pudesse solucionar a situação.

Casa sustentável brasileira

Foto: Divulgação

Pensaram que a construção deveria ser adaptada de acordo com as particularidades de cada região, mas que sempre tivesse o objetivo de ajudar na geração de renda. Escolheram três pilares: usar matérias-primas locais, de fácil acesso e baixo custo; ter agilidade na construção; e poder armazenar água durante a estação de chuvas.

Estudando o Maranhão, chegaram ao babaçu, uma planta muito abundante na região e que funciona como matéria-prima para construções. Observaram que, em algumas casas antigas locais, o material era usado em portas e janelas. “Com o tempo, essas técnicas se perderam e, com os novos padrões de consumo, as pessoas passaram a usar tijolo e alumínio em suas casas”, comenta Noelia. Em outras regiões pode ser usado outro material que for abundante no local.

Feito o resgate do babaçu, projetaram um sistema arquitetônico que fosse fácil de construir e que fosse modular. Isso é: os trabalhadores podem facilmente expandir o protótipo e ampliar conforme acreditarem que é necessário, inclusive criando acomodações para dormir. “No sistema modular você oferece a estrutura mínima para trabalhar em condições adequadas e permite, com o tempo, crescer. Como são regiões muito simples, muitas vezes é necessário que o trabalhador durma próximo à plantação para cuidar e proteger seu patrimônio”, diz Noelia.

casa sustentável brasileira

Foto: Divulgação

A construção também pensa no clima. O piso fica acima do chão e há cobertura dupla nos tetos para garantir a ventilação do ambiente, considerando as temperaturas elevadas em regiões do Norte e Nordeste brasileiros. Há ainda vigas em “V” que captam a água da chuva e as levam para um reservatório. Afinal, a região muitas vezes é castigada por períodos de intensas chuvas seguidos por longos tempos de seca.

Próximos passos na habitação social

Agora que venceram o concurso na Itália, o pessoal do Estúdio Flume está se debruçando sobre os detalhes técnicos para concretizar o projeto. Eles receberão três meses de incubação pela Fondazione Giacomo Brodolini.

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Possivelmente a primeira versão será montada em São Paulo, mas Noelia diz que o objetivo é levá-lo para as regiões onde há necessidade real. Eles querem ajudar na geração de renda das pessoas. “Nos interessa investir para que as pessoas possam ter sua própria renda e, com isso, consigam acessar um plano de habitação e cobrir suas necessidades”, comenta.

“Uma coisa que percebemos trabalhando com habitação social é que, mesmo depois que a pessoa recebe moradia, ela não tem os meios para manter aquela estrutura”, diz. Ela explica que, ao incentivar a geração de recursos em comunidades locais, evita-se o êxodo rural para grandes metrópoles, já que conseguem oferecer oportunidades a todos.

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