Mudanças climáticas: cientistas escrevem carta alertando governos
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Mudanças climáticas: cientistas escrevem carta alertando governos

Camila Luz em 28 de setembro de 2016

Trezentos e setenta e cinco cientistas membros da National Academy of Sciences (EUA) publicaram uma carta aberta para chamar atenção para os sérios impactos negativos das mudanças climáticas no planeta.

“A mudança climática causada pelo homem não é crença, farsa ou conspiração. É uma realidade física”, diz o início da carta. “Combustíveis fósseis alimentaram a Revolução Industrial. Mas a queima de petróleo, carvão e gás também causou a maior parte do aumento histórico em níveis atmosféricos de gases do efeito estufa que retêm calor. Este aumento de gases do efeito estufa está mudando o clima da terra”.

Em artigo publicado no jornal Washington Post, Kerry Emanuel e Ben Santer — dois dos cientistas autores da carta — explicaram que o clima está mudando em níveis perigosos e nós somos os responsáveis. E isso não é questão de opinião: a “esmagadora maioria” da comunidade científica está de acordo, baseada em evidências sólidas que se confirmam a cada ano.

Algumas das ameaças apontadas na carta são aumento do nível do mar, calor extremo, maior incidência de inundações e secas, acidificação do oceano e expansão das doenças tropicais.

Mudanças climáticas causadas pelo homem não estão distantes da nossa experiência cotidiana, afetando apenas o Ártico remoto. Elas estão presentes aqui e agora, em nosso próprio país, em nossos próprios estados e em nossas próprias comunidades.

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Acordo de Paris: pacto histórico entre governos para reduzir mudanças climáticas

A carta quer chamar atenção para a importância do Acordo de Paris, tratado histórico assinado por 187 países em 22 de abril deste ano. O pacto tem como principal objetivo manter o teto do aquecimento global abaixo de 2 °C, preferencialmente abaixo de 1,5°C.

Além de assinar o Acordo, países devem ratificá-lo no segundo semestre deste ano. Cada Estado deve validá-lo e se comprometer a cumprir suas metas. Segundo a página oficial do tratado, mais de 55 países já o ratificaram, o que é suficiente para tornar o pacto lei mundial. O Brasil, inclusive, é uma das nações que já se comprometeu.

Estados Unidos, segundo país que mais polui no mundo segundo o New York Times, já ratificou o Acordo de Paris. Mas cientistas estão preocupados com o que pode acontecer caso Donald Trump, candidato à presidência pelo Partido Republicano, vença as eleições em 2016.

O papel dos Estados Unidos no combate às mudanças climáticas

A administração Obama prometeu que até 2025 atitudes drásticas serão tomadas para acabar com usinas movidas a carvão e reduzir as emissões de gases poluentes do país em pelo menos 26%, diz o New York Times.

ponte de Broklyn com sol de fundo

Foto: Istock/Getty Images

Para os cientistas, se Trump vencer as eleições, ele poderá rescindir as ações executivas de Obama e fazer com que o país deixe o Acordo. Se as políticas climáticas e energéticas sugeridas pelo político e pelo Partido Republicano se tornarem nacionais, o mundo irá sofrer com graves danos a longo prazo. Além disso, seria um retrocesso em relação aos avanços já alcançados nos campos de energia limpa e despoluição das águas, por exemplo.

As consequências desse retrocesso iriam impactar milhões de cidadãos hoje e no futuro. Além disso, os Estados Unidos, segundo a carta, “podem e devem ser um jogador importante no desenvolvimento de soluções inovadoras para a redução das emissões de gases do efeito estufa”.

Países que encontrarem soluções para reduzir mudanças climáticas serão líderes econômicos no século 21. Fugir do Acordo de Paris tornará menos provável que os Estados Unidos tenham um papel de liderança global, econômica e moral. “Não podemos nos dar ao luxo de atravessar esse ponto de inflexão”, afirmam os cientistas.

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