Por que ainda somos tão dependentes do carvão?
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Por que ainda somos tão dependentes do carvão?

Kaluan Bernardo em 28 de outubro de 2016

O carvão é uma das fontes de energia mais tradicionais, baratas e poluentes do mundo. É responsável por 41% da geração de energia no mundo. Mas, além de devastar grandes espaços de terra, as usinas de carvão também gastam muita água e, principalmente, lançam elementos tóxicos, como mercúrio, urânio e arsênio, na atmosfera.

chaminés industriais

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De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde, de 2008, a produção de energia oriunda do carvão é responsável por encurtar mais de 1 milhão de vidas ao ano.

Apesar de diversos países terem assinado no Acordo de Paris um compromisso em reduzir a emissão de gases poluentes, o carvão continua forte. Pesquisa da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos diz que a produção de carvão deverá continuar crescendo 0,6% ao ano. Livrar-se do carvão é difícil, não só por vícios políticos e econômicos, mas também por pressões de setores trabalhistas.

Quais as dificuldades de deixar o carvão de lado

Eduardo Porter, colunista de economia do jornal The New York Times, diz que se livrar da dependência do carvão é difícil até em países comprometidos com causas ambientais.

É o caso da Alemanha, uma das grandes signatárias do Acordo de Paris e reconhecida por investir em energias renováveis. Comprometido em acabar com as emissões de dióxido de carbono até 2020, o governo alemão propôs taxar os produtores de carvão.

Pressionado por sindicatos e governos, municipais e estaduais, voltou atrás. Em vez de taxar os produtores, ofereceu subsídio de 1,6 bilhão de euros para irem reduzindo, gradualmente, a produção e fecharem as portas em 2023.

A ideia de dar dinheiro para empresas poluentes incomodou ativistas ambientais. “Em vez de serem multadas por poluírem, como proposto pela nova taxação climática, as instalações serão pagas para manterem suas velhas e, muitas vezes ineficientes, fábricas de lignito [um tipo de carvão]”, comenta um relatório ambiental da Oxfam, ONG que luta por equidade social. “Montantes de dinheiro para as fabricantes aos custos dos contribuintes e consumidores”, critica.

Para Porter, embora pareça contrassenso pagar e não multar empresas poluentes, talvez essa seja a única saída viável. Isso porque há muitos empregos em jogo. Na Alemanha, por exemplo, são mais de 63 mil trabalhadores, bem organizados em sindicatos, tirando sua receita do carvão.

Nos Estados Unidos, Hillary Clinton prometeu destinar US$ 30 bilhões ao longo da próxima década às famílias dos trabalhadores de carvão que deverão ficar desempregados na transição energética.

O caso é mais intenso na China. O país, sozinho, representa metade da produção de carvão do mundo. Há mais de 1,3 milhão de trabalhadores envolvidos na indústria. A boa notícia é que o quadro está mudando. Em maio de 2016 a produção de energia de carvão caiu 15,5% em comparação ao maio 2015. Ao longo do ano, a produção chegou a reduzir 8,7%. Isso porque, aos poucos, a China está investindo em energia solar. Não é uma grande mudança, ela acontece gradualmente.

A energia solar representa apenas 3% da energia de lá. A china fechou 2015 com 43,2 GW de capacidade de geração de energia solar. Ficou pouco a frente justamente da Alemanha(38,4 GW) e Estados Unidos (27,9 GW), que também apostam na solar para substituir a dependência do carvão. A pergunta é a qual velocidade isso acontecerá. E qual velocidade o planeta pede para pararmos de produzir tanta poluição

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