Chernobyl 30 anos depois: região pode se tornar fazenda de energia solar
Chernobyl
Zona de exclusão de Chernobyl. Foto: Istock/Getty Images
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Chernobyl 30 anos depois: região pode se tornar fazenda de energia solar

Kaluan Bernardo em 19 de agosto de 2016

A região onde há 30 anos aconteceu o desastre da usina nuclear de Chernobyl continua perigoso para se plantar e viver. E assim deverá continuar por muito tempo, já que os isótopos do plutônio devem durar mais 24 mil anos. Mas a região, que se tornou símbolo dos perigos da energia atômica poderá se tornar uma das maiores fornecedoras de energia renovável do mundo. Isso porque o governo ucraniano quer transformá-la em uma fazenda de energia solar.

cidade de chernobyl com árvores e prédios

Foto: Istock/Getty Images

Se der certo, a usina poderá gerar 1 gigawatt de energia elétrica, um quarto da capacidade que tinha quando era uma usina nuclear. Se ficar pronta em breve poderá se tornar a maior fazenda de energia solar do planeta.

O governo está falando com investidores para tentar levantar US$ 1,1 bilhão necessário para a instalação. Uma lei que poderá permitir tal tipo de atividade na região passou por primeira aprovação no Parlamento ucraniano em junho.

O governo ucraniano tem conversado com o Banco Europeu de Desenvolvimento e Reconstrução sobre os potenciais de Chernobyl e pretende criar uma pequena instalação de quatro megawatts até o final de 2016.

As vantagens e desvantagens de construir uma fazenda solar em Chernobyl

Há algumas vantagens em transformar a região de Chernobyl em uma fazenda de energia solar. A primeira é a mais óbvia: o local está inutilizado para qualquer outra coisa. Além disso, ele já tem o equipamento de transmissão elétrica que restou da usina nuclear e é caro de se instalar. Além disso, a região é próxima à cidade de Kiev, que tem mais de 3 milhões de habitantes e a maior demanda energética da Ucrânia.

No entanto, as desvantagens também afastam investidores. Por mais que existam equipamentos de segurança, enviar trabalhadores para a construção em Chernobyl ainda é um risco. Além disso, a construção pode gerar instabilidades diplomáticas com a Rússia. Por fim, a área fica muito ao norte da Ucrânia e não recebe muito sol, fazendo com que outros lugares mais ao sul, embora se tornem mais caros para investir, possam trazer retornos mais interessantes.

A Ucrânia se aproxima da energia solar

Independentemente do que acontecer em Chernobyl, a Ucrânia, que outrora foi símbolo dos riscos da geração nuclear, está cada vez mais se aproximando da energia solar. Por enquanto, o país tem apenas um gigawatt de energia instalada, mas pretende instalar 34 fazendas solares ainda esse ano e conseguir mais 120 megawatts de energia.

Segundo a revista Fast Company, até 2020, o país quer ter 11% de sua energia proveniente de energias renováveis. Hoje, mais da metade ainda vem de usinas nucleares.

A menos de 32 quilômetros ao norte de Chernobyl, em Belarus, já está sendo construída outra fazenda de energia solar, com 85 mil painéis fotovoltaicos. A obra está sendo conduzida pela Velcom, uma empresa de telecomunicações que investiu mais de US$ 25 milhões no projeto e diz que dará conta de metade de suas demandas de energia. A expectativa é que a construção se pague em quatro ou cinco anos.

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30 anos do acidente de Chernobyl

No dia 26 de abril de 1986 a Usina Nuclear de Chernobyl, na então República Socialista Soviética Ucraniana explodiu, teve incêndios e lançou grandes quantidades de partículas radioativas na atmosfera, que se espalharam por boa parte da União Soviética e Europa Ocidental.

Considerado o pior acidente nuclear da história, o desastre matou 31 trabalhadores da usina e bombeiros devido a síndrome aguda da radiação. Ao longo das últimas décadas, milhares de pessoas têm morrido devido a doenças relacionadas à radiação. Segundo um relatório polêmico da ONU, publicado em 2005, mais de 4 mil pessoas morreram por conta da contaminação.

A cerimônia em memória ao acidente envolve a construção de um gigantesco arco de aço, com custo estimado em € 2 bilhões e que funcionará como  cápsula protetora para impedir mais vazamentos de materiais radioativos pelo próximo século.

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