Cidade Azul muda a relação de moradores com rios poluídos em SP
rios poluídos
Foto: Istock/Getty Images
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Cidade Azul muda a relação de moradores com rios poluídos em São Paulo

Camila Luz em 20 de dezembro de 2016

Há mais de 300 rios poluídos, enterrados e misturados com esgoto em São Paulo. Os dados são da Cidade Azul, projeto que pretende mudar a relação entre a água e os moradores da capital. Esse líquido vital para o ser humano não é um bem de consumo, e sim parte do ciclo de vida da Terra.

“Na Cidade Azul a gente fala muito sobre essa relação com a água, em deixar de ser só uma relação de consumo, de recurso”, diz Carolina Ferres, fundadora do projeto. “É preciso entender que ela tem um papel no planeta, e não só na nossa vida. Tem várias funções que fazem com que a Terra tenha vida”, completa.

Carolina trabalha com design gráfico e já havia feito intervenções urbanas com foco no rio Pinheiros em 2015, quando a Cidade Azul nasceu. Na época, descobriu sobre os mais de 300 rios enterrados em São Paulo. Decidiu, então, se juntar a profissionais de diversas áreas para participar de uma imersão de oito dias e criar o projeto.

A Cidade Azul reuniu inúmeras iniciativas para mudar a conexão entre paulistanos e a água. “Inicialmente queríamos entender como seria possível contar para o maior número de pessoas possível que há mais de 300 rios enterrados em São Paulo”, explica Carolina. Criaram audio-guias, intervenções artísticas e vídeos que contam a história desses rios e mostram onde estão, onde ficam as nascentes e qual sua importância.

A origem do problema dos rios poluídos

Quem mora em qualquer lugar de São Paulo não está a mais de 200 ou 300 metros de um curso d’água. A cidade foi construída em um lugar paradisíaco, povoado por florestas, montanhas e rios que hoje as pessoas não enxergam. O processo de urbanização foi caótico e custou a vida deles e da natureza que os cercava.

Carolina explica que enterrar rios e transformá-los em canais de esgoto é uma prática comum no Brasil. Em São Paulo os cursos de água recebem o lixo doméstico que é produzido pelos moradores. Parar de sujá-los é urgente e é a saída para recuperá-los.

“Nós não temos que limpar os rios, temos que parar de poluir”, explica. “Não é preciso fazer mais nada, pois o rio corre”. Há 20 anos, o problema dos rios era a poluição por empresas, que descartam seus dejetos na água. Desde então, a Cetesb investiu em um movimento para multar companhias e conseguiu reduziu a prática – ainda que exista o descarte clandestino.

Hoje, o problema crucial é o lixo orgânico que vem de residências. A água da chuva também é responsável por trazer dejetos como o plástico, que suja a cidade. Portanto, Carolina concluiu que a resposta para salvar os rios está no saneamento básico.

Investir em soluções para o problema dos rios poluídos será o foco da nova fase da Cidade Azul, que será implementada em março de 2017. “Em 2016, resolvemos dar uma pausa. Apesar da história ser muito bonita, não trazia muita solução. As pessoas ficavam sabendo que haviam muitos rios enterrados. Mas como fazer para ter os rios de volta?”, questionava.

Solução para os rios poluídos

Para incentivar práticas de saneamento básico e ajudar rios poluídos, a Cidade Azul fará uma feira em março de 2017 com a participação de interventores, makers e parceiros que tragam soluções.

“Pensamos em um festival que falasse tudo o que já foi abordado em 2015, mas que também apontasse um caminho para o futuro”, conta. “A nossa leitura do caminho para o futuro é que podemos ser protagonistas nessa história de parar de sujar os rios”, completa.

Carolina explica que há apenas quatro estações de tratamento de esgoto em São Paulo, e isso está longe de ser suficiente. E a solução não é construir mais estações. Além de não haver espaço para isso, seria mais eficiente se atitudes fossem tomadas de forma individual.

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A feira gratuita promovida pela Cidade Azul será no Red Bull Station, no centro de São Paulo. Moradores poderão descobrir soluções para aplicar em casa, no bairro ou em suas atitudes cotidianas. “Prédios podem ter estações de tratamento próprio e residências podem investir no banheiro seco”, diz. “Por que a gente usa água para dar descarga? Não é necessário. [Os dejetos] não precisariam ir para a rede de água”, completa.

A Cidade Azul irá apresentar soluções que já estão no mercado, como produtos para fazer a decomposição de dejetos caso o banheiro não seja seco. Também irá mostrar ideias inovadoras que ainda não chegaram ao Brasil ou estão em desenvolvimento.

“É um olhar para o futuro. Queremos abrir o caminho, mostrar o que está acontecendo no mundo dos inovadores e como o amanhã pode ser”, declara. “Talvez a pessoa comece a ver a melhoria nos rios e isso vá a animando. Uma casa muda, um prédio muda, o rio vai recobrando sua vida e isso empodera”, finaliza.

Para o Cidade Azul, chegou a hora de ficar a serviço da água, e não da água ficar a nosso serviço.

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