Como parar o aquecimento global? Livro reúne alternativas
Blast furnace of steel plant. Air emissions
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Como parar o aquecimento global? Livro reúne todas alternativas

Kaluan Bernardo em 16 de março de 2017

O mundo está esquentando rapidamente e, consequentemente, ameaça a existência humana. Muito embora exista quem acredite que não, há consenso entre os cientistas de que a culpa do aquecimento global é do ser humano. É claro que nesse cenário existem tentativas de frear as mudanças, mas a verdade é que há muita tensão sobre a questão.

E é por isso que um grupo de cientistas resolveu ir além e escrever um livro com um plano de 100 ações que devem ser tomadas para reverter o cenário. A obra, batizada de “Drawdown: The Most Comprehensive Plan Ever Proposed To Reverse Global Warming” é pretensiosa, como seu título indica. Em português seria algo como “Rebaixamento: O Plano Mais Abrangente Já Proposto Para Reverter o Aquecimento Global”.

A obra será lançada no 18 de abril e conta com a colaboração de 61 cientistas que alegam ter feito meticulosa análise sobre todas as propostas já discutidas não só para frear, como potencialmente reverter o aquecimento global.

O rebaixamento do título, inclusive é o ponto no qual a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera começariam a cair ano após ano, ajudando a evitarmos o pior em termos de catástrofes.

A revista FastCompany conversou com Paul Hawken, organizador do livro, que compartilha algumas das principais ideias que estão na obra.

Como vamos reverter o aquecimento global

Primeiro é necessário ter noção da bomba relógio, de menos de duas décadas, que já foi ativada. O Acordo de Paris estabelece como meta que o planeta poderia esquentar apenas 2ºC no século 21 para que não sofrêssemos as principais consequências.

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No entanto, para que o planeta esquente 2ºC basta lançar mais 751 gigatoneladas de CO² na atmosfera. O problema é que lançamos 40 gigatoneladas por ano. Se continuarmos nesse ritmo, temos apenas mais 18 anos e 9 meses. Se formos otimistas, podemos esperar mais 23 anos; se formos pessimistas, apenas 9 anos. Esse site mostra em tempo real as emissões e quanto tempo nos resta.

Para reverter o quadro, o livro estima que precisaremos apostar tanto em tecnologias, quanto em práticas sustentáveis. Com isso em mente, os cientistas desenharam três possíveis cenários para o planeta.

Drawdown será lançado no dia 18 de abril.

No “plausível”, ele aposta em algumas mudanças positivas, mas que são adotadas lentamente. No “rebaixamento”, ele acelera essas mudanças. E no “optimum”, imagina como seria se o mundo fizesse o esforço máximo para não poluir mais.

Não há, no entanto, matemática que preveja qual cenário a humanidade acabará escolhendo.

Uma das soluções que os autores discutem tem mais impacto do que a energia:  reduzir o desperdício de alimentos e reduzir o consumo de carne. Hoje, um terço do que produzimos de comida é desperdiçado. E isso obviamente tem relação com o aquecimento global. Se não desperdiçássemos, poderíamos evitar 70 gigatoneladas de emissões.

Além disso, se metade da população comesse menos carne, as emissões também diminuiriam. Se todos fossem veganos, por exemplo, as emissões de gases poderiam cair em 70%, segundo estudo de Oxford.

Também é importante falar mais de sistemas de refrigeração. Os químicos utilizados em geladeiras e ar condicionados podem ser muito perigosos para o aquecimento global.

Em 2016 o mundo concordou em eliminar esses componentes dos aparelhos. Agora precisa fiscalizar para que de fato aconteça – afinal, pode se evitar danos equivalentes aos de 89,74 gigatoneladas de CO².

Os autores ainda falam também da importância de criar trens de alta velocidade, incentivar bicicletas, reduzir desmatamento, entre outros.

Medidas não são garantia contra aquecimento global

“Nada que aparece em ‘Drawdown’ é único de ‘Drawdown’, mas é uma compilação, um escopo extremamente compreensivo. E eu acho que isso que é novo”, comenta à FastCompany Anna Goldstein, uma das pesquisadoras do livro e que faz pós-doutorado em ciência, tecnologia e políticas públicas na Harvard Kennedy School.

Os autores dizem que as 20 principais soluções são responsáveis por 80% das mudanças. Mas, os outros 20% que acompanham as outras 80 propostas poderão fazer toda a diferença. Nenhuma oportunidade pode ser desperdiçada quando o assunto é o futuro do planeta.

Isso tudo, no entanto, dependerá de esforços organizados entre diversos países, empresas e instituições. Por mais otimista que sejam alguns dos cenários, eles ainda dependem de a humanidade continuar investindo em melhorias ambientais. Por isso, as soluções não estão garantidas. “Além das ações de cada dia, eu acredito que o papel de cada cidadão nas políticas é mostrar a seus legisladores que ele se importa, e não apenas um pouco”, comenta Anna.

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