Cientistas descobrem continente perdido embaixo do Oceano Índico
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Foto: Istock/Getty Images
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Cientistas descobrem continente perdido embaixo do Oceano Índico

Pedro Katchborian em 3 de fevereiro de 2017

África, América, Antártica, Ásia, Europa e Oceania: esses seis continentes você deve ter decorado quando estava na 5ª série — ou antes. Mas em breve você poderá colocar mais um nessa lista: estudos de geólogos apontaram a descoberta de um continente perdido, escondido nas águas do Oceano Índico, próximo das Ilhas Maurício, e de Madagascar, na África.

Segundo os pesquisadores da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, o continente é construído por fragmentos que se desprenderam do supercontinente Gondwana, que se desintegrou para formar África, Índia, Austrália, América do Sul e Antártida. O estudo foi publicado no site Nature Communications.

A descoberta se deve ao mineral zircão, que foi encontrado na superfície da ilha. A explicação é de que a Ilhas Maurício têm cerca de 8 milhões de anos — é praticamente um recém-nascido na escala geológica. Isso significa que a sua geologia deveria ser jovem, mas o zircão coletado na praia das ilhas tem cerca de 2 bilhões de anos. Essa diferença seria uma evidência de que o material encontrado ali é um continente. O líder da pesquisa da Universidade de Witwatersrand é Lewis Ashwal, que afirma:

Nossa descoberta confirma a existência de uma crosta continental abaixo da Ilhas Maurício.

O continente de Gondwana começou a se separar há cerca de 200 milhões de anos. Segundo a teoria, parte da terra acabou afundando na água. A terra comprimida criou concentrações de massa e consequentemente vulcões, que deram origem a Ilhas Maurício. Os fragmentos de continente foram batizados de Maurita. Uma das explicações para a crosta continental sob as águas do Oceano Índico é que a desintegração de Gondwana não foi um processo simples de fragmentação, deixando pedaços de tamanhos diferentes à deriva.

As ilhas Maurício já atraíam a atenção de geólogos e outros cientistas pelo o seu centro gravitacional. A gravidade da Terra não é uniforme em todos os lugares do planeta, podendo ser maior ou menor dependendo da densidade do material na superfície.

Zircão já havia sido encontrado no continente

Um estudo de 2013 já havia apontado vestígios do mineral na ilha, mas foi muito criticado na época. Outros cientistas diziam que o zircão poderia ter aparecido pelo vento ou contaminação.

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Desta vez, Ashwal concluiu que o material não poderia ter sido introduzido nas rochas pelo vento ou ondas do mar, muito menos ter sido transportado por aves, rodas de carro ou sapatos. A única explicação é que o material só pode ter sido encontrado no local a partir de uma erupção vulcânica.

É improvável que os mapas recebam uma atualização com um novo continente, mas a descoberta é muito importante para saber como a Terra funciona, além de uma compreensão melhor sobre as placas tectônicas. “Nosso trabalho pode ajudar a responder a questão de como os continentes se separam uns dos outros e como os novos oceanos são formados”, diz Ashwal.

“Se formos capazes de reconstruir as posições deles no passado, onde eles estavam e quando, podemos entender como a Terra funciona de uma maneira melhor”, completa.

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